terça-feira, 20 de maio de 2014

Tente compreender mais sobre o seu corpo e a origem da dor...como funcionamos? Podemos prevenir?




 


Muitas vezes questionamo-nos acerca da origem das dores que sentimos! Em alguns casos conseguimos associar claramente a dor a algum traumatismo recente ou antigo, a um esforço exagerado que foi realizado, ou a alguma patologia que foi diagnosticada. Muitas outras vezes não compreendemos exatamente o porquê do surgimento de uma determinada dor/dores ou porque começou a dar "sinal" naquela altura. Porque surgiu uma dor nova? Porque é que se desenvolveu uma tendinite/artrose/hérnia que agora causa sintomas? Porque é que aquela dor que estava calma voltou a aparecer?
Será que todos os problemas são fruto daquilo que vivemos e realizamos ao longo da vida? Terão influência da herança genética transmitida pelos nossos progenitores?
A realidade é que o ser humano é um ser complexo, que se encontra sob a influência de múltiplos fatores. No nosso dia a dia somos sujeitos a inúmeras "agressões" de ordem física e de ordem emocional. As posturas menos corretas mantidas por tempo prolongado que sobrecarregam as estruturas músculo-esqueléticas e geram desalinhamentos, os gestos repetidos no trabalho ou desportos que não dão tempo de repouso suficiente às articulações/músculos, os traumatismos diretos sob o nosso corpo que deixam sequelas, uma alimentação inadequada, má hidratação, o stress diário, a dificuldade na gestão dos problemas pessoais que geram ansiedade... Estas são, entre muitas outras, algumas das razões que podem contribuir para gerar tensões musculares/desalinhamentos dos segmentos/sobrecargas que se vão somando dia após dia no nosso organismo.
 
ENTÃO PORQUE NÃO TEMOS SEMPRE DOR DIÁRIAMENTE?
O nosso organismo está desenhado de tal forma, que o nosso sistema nervoso possui espalhados pelo corpo muitos recetores que detetam qual o estado das estruturas a cada momento. Estamos programados a nível inconsciente para que o organismo tente funcionar para assegurar as grandes funções que permitem a nossa sobrevivência e perpetuação da espécie: respiração, alimentação, locomoção e reprodução. É por isso que muitas vezes, as ditas micro- agressões diárias a que somos sujeitos, não chegam a ser percecionadas por nós a nível consciente. As nossas defesas tentam resolver os problemas antes de que nos chegamos a aperceber deles, tentam encontrar uma solução para que o corpo se mantenha estável e capaz de continuar. O corpo adapta-se e tenta encontrar posições de defesa para fugir à dor, os segmentos corporais começam a fugir das posições ideais de funcionamento, certos segmentos desenvolvem rigidez....Contudo, tudo tem um custo! Em virtude destas compensações, há zonas que começam a ser sobrecarregadas, as tensões começam a acumular-se em diferentes pontos do corpo, o dispêndio de energia para manter as funções aumenta...Surgem então disfunções, desalinhamentos corporais, desgastes articulares, tendinosos, discais. Tudo isto acontece sem que muitas vezes tenhamos noção.
Apesar do corpo tentar evitar a dor, surgem os momentos em que por não conseguir resistir mais às tensões, ou porque a sobrecarga se tornou muito intensa, ou ainda porque as nossas defesas se encontram mais fragilizadas, o corpo cede! Surge então a sintomatologia que pode manifestar-se de inúmeras formas e em diferente locais. Muitas vezes é o acumular de vários fatores, que combinados fazem surgir um determinado quadro clínico ou despertar aquele problema que estava silenciado.
Por vezes a dor torna-se consciente e desaparece algum tempo depois sem que tenhamos feito nada para a tratar. Também aqui muitas vezes o nosso corpo consegue encontrar estratégias para camuflar a dor, mas sem que a causa do problema seja tratado na verdade.
 
A HEREDITARIEDADE IMPORTA?
Não podemos deixar de considerar a componente hereditária que também tem o seu papel. Determinadas fragilidades tecidulares ou características físicas, são transmitidas pelos nossos antepassados, podendo contribuir para facilitar ou dificultar o surgimento de alguns problemas. Contudo, acima de tudo, cada um de nós é um ser único, possui a sua individualidade e reage a cada situação e cenário de forma própria.
 
HÁ FORMA DE INTERVIR E PREVENIR A DOR?
Como foi dito, com o decorrer do tempo as compesanções e a acumulação de tensão, levam à modificação das forças exercidas nas articulações / músculos / tendões. Existem então regiões do corpo que tendem a perder mobilidade (hipomobilidades) e ser mais rígidas, existindo outros segmentos que geram hipermobilidades compensatórias e são sobrecarregadas. Estas perturbações levam a uma danificação progressiva das estruturas do corpo em regiões especificas onde se instala a patologia músculo-esquelética.
Ao avaliar pormenorizadamente a postura e movimento corporais, é possível compreender que zonas estão mais desalinhadas, limitadas, que zonas sofrem mais tensões e onde estão a surgir as compensações. Analisar o corpo permite então não só perceber o que pode estar na origem de uma queixa actual, mas também os locais mais prováveis de virem a desenvolver patologia/dor sendo possível actuar de forma preventiva!
O fisioterapeuta pode intervir realizando esta avaliação e em conjunto com o paciente quebrar o ciclo vicioso .
O tratamento deve ser entendido numa vertente não apenas para aliviar a dor, mas procurando perceber a sua origem, a sua causa mais profunda e actuar na raiz do problema evitando as alterações do alinhamento, restaurando a mobilidade normal, libertando as tensões e promovendo uma postura mais correta.
Tratar deve ser muito mais do que aliviar uma dor! Deve ser também decifrar o mais possível a sua causa, compreender o corpo no seu percurso ao longo do tempo, restaurar o seu bem estar desde a profundidade, para que se sinta melhor hoje e no futuro.
 Pense nisto!
 A equipa Physioclem.
 

1 comentário:

  1. gostei muito do que li, acho que são essas patologias que derivam as minhas dores na minha coluna.

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