sexta-feira, 1 de julho de 2016

O paradoxo do ombro no atleta de Andebol






O movimento de remate em Andebol é uma ação que requer bastante técnica realizado a alta velocidade, conjugando força muscular, flexibilidade e coordenação. Todas estas capacidades sincronizadas no momento certo, obrigam a um grande controlo neuromuscular. Este movimento repetido inúmeras vezes é umas das principais causas de lesão do ombro em atletas com o movimento acima da cabeça. 
As forças geradas no ombro no momento de aceleração do remate podem atingir até metade do peso do atleta. No momento de desaceleração, as forças geradas igualam o peso do atleta. Esta ação pressupõe uma grande capacidade de ativação muscular. Surge assim o paradoxo: o ombro deve ser flexível o suficiente para rematar, mas estável de modo a prevenir lesões. 
As lesões podem ser causadas por falta de flexibilidade dos tecidos, por desalinhamento do eixo de movimento da articulação ou por diminuição/alteração da performance muscular. Todas estas componentes podem e devem ser trabalhadas desde muito cedo de modo a prevenir os danos tecidulares. O gesto técnico tem de ser trabalho rigorosamente numa fase de iniciação do andebol, assim como as boas práticas de exercícios de flexibilidade, estabilidade e força muscular (quando a idade assim o permite). Quando existe um desequilíbrio nestas componentes, gera-se um movimento errado e consequentemente uma dispersão errada de forças sobre o complexo articular do ombro podendo por em stress as várias estruturas anatómicas. O treinador, o preparador físico e o fisioterapeuta assumem um papel fundamental na prevenção de lesões. Estes devem ter um conhecimento profundo da biomecânica articular para detetar alterações precocemente a fim de corrigir antes de haver lesão. 
As principais patologias do ombro são as tendinopatias e bursites da coifa dos rotadores, o conflito sub-acromial, roturas musculares, lesão de impingment interno e lesão do labrum. Todas se apresentam com dor no ombro, juntamente com limitação da amplitude de movimento e/ou incapacidade na ação de remate. 
Em casos de dor/disfunção o atleta deve ser acompanhado pelo fisioterapeuta. A recuperação consiste em devolver a mobilidade/flexibilidade total assim como restaurar a coordenação muscular e aumentar a força e potência de remate de modo progressivo e seguro. 

Fique atento às nossas dicas, durante a próxima semana, para manter um ombro saudável e sem dor. Em caso de dúvidas, não hesite em contactar-nos!  

Luís Ramos, 
Fisioterapeuta e Osteopata 
*créditos: This is Team


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