segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Fisioterapia Respiratória em Pediatria





Na primeira metade do século XIX, as infeções respiratórias frequentes, guerras e epidemias (poliomielite) levaram ao desenvolvimento de terapêuticas alternativas que aumentando a eficácia dos tratamentos convencionais no momento. Foi nesse momento que se começou a utilizar a drenagem postural, exercícios respiratórios, a intubação traqueal, etc., marcando o início do que conhecemos hoje como a terapia respiratória.
As primeiras publicações sobre estas terapias remontam a 1953, quando fizeram a comparação entre as técnicas de respiratória para perceberam qual a mais eficaz. Atualmente, essas técnicas convencionalmente usadas na fisioterapia respiratória como: a drenagem postural, “palmadinhas”, vibração, etc., têm eficácia questionável.
Em Espanha, dois grandes eventos marcaram a evolução e o caminho para a evidência da Fisioterapia Respiratória:
Em primeiro, a 1ª Conferência de Consenso sobre a eficácia das técnicas de fisioterapia respiratória para a desobstrução brônquica (Toilette bronchique) de 1994, na cidade de Lyon, durante a qual as técnicas de fisioterapia respiratória convencionais foram amplamente relativizadas e as técnicas de expiração lenta foram reconhecidas. Em segundo lugar, as Jornadas Internacionais de Fisioterapia Respiratória Instrumental (2000), na qual se classificaram as diferentes ajudas instrumentais que podem ser utilizadas na fisioterapia respiratória em função dos seus feitos fisiológicos e as evidências científicas disponíveis. Assim, nos últimos anos, a evidência tem mostrado baixa eficácia das técnicas convencionais, tais como: drenagem postural ou “palmadinhas”, relativamente aos benefícios das técnicas que utilizam os volumes respiratórios para conseguir uma excelente drenagem brônquica.
Por que é importante conhecer a Fisioterapia respiratória em pediatria?
Atualmente, a incidência de problemas respiratórios em crianças está a aumentar, especialmente nos países desenvolvidos. Prematuridade, escolaridade precoce ou aumento de alergias são algumas das causas que podem ser atribuídas a este problema.
Tudo isto aumenta as idas aos serviços de saúde pediátricos e serviços de emergência, além de gerar estados de ansiedade e inquietação nas famílias. Muitas vezes, leva à hospitalização e absentismo escolar em crianças e pais, gerando consequências significativas para os bebés, crianças e até à família. A fisioterapia respiratória é fundamental para prevenir, tratar ou estabilizar perturbações do sistema respiratório, o que contribui significativamente para a melhoria da qualidade de vida das crianças e suas famílias. Portanto, o conhecimento e aplicação é fundamental nas crianças propensas a distúrbios pulmonares. Estes problemas respiratórios podem também estar associados a doenças neurológicas, síndromes cromossômicas (fibrose cística, entre outros) e, acima de tudo, doenças neuromusculares, nestes casos a parte respiratória fica alterada por falta de força muscular para manter volumes respiratórios normais e por consequência, dificuldade na drenagem brônquica.
Também os problemas respiratórios mais comuns nos meses de inverno e início da infância, tais como: bronquiolite, “ranhocas” ao nível do nariz, pneumonia, etc., podem beneficiar muito dos tratamentos de fisioterapia respiratória, prevenindo o desenvolvimento de asma, após infeções respiratórias de repetição.
Quais os objetivos da Fisioterapia respiratória em pediatria?
O Fisioterapeuta cujo principal objetivo é ensinar a criança e suas famílias a usar técnicas e a realizar exercícios para permeabilizar a via aérea (facilitar a remoção de secreções), controlar a dispneia (sensação subjetiva de falta de ar) e aumentar a tolerância ao exercício.
A consciência dos benefícios da fisioterapia respiratória é o primeiro passo para conseguir a adesão da criança/família ao tratamento. Por isso, é muito importante explicar à criança e à sua família as técnicas que serão executadas, para que não fiquem dúvidas.
No caso das crianças, as técnicas são realizadas de forma passiva, uma vez que é mais difícil obter a sua participação voluntária e, desta forma, conseguimos resultados excelentes.
Entre os principais objetivos das técnicas utilizadas na fisioterapia respiratória podem ser destacadas:
- Melhorar a ventilação mecânica (modo de respirar);
- Melhorar a permeabilidade das vias aéreas (a remoção de secreções);
- Diminuir dispneia (diminuir os sentimentos de fadiga);
- Aumentar a tolerância ao exercício (aumentar a capacidade pulmonar e resistência a certas atividades);
- Trofismo e melhorar a força muscular (melhorar a força dos músculos respiratórios);
- Melhorar o aspecto psico-emocional.
Em geral, podemos dizer que a terapia respiratória pode ajudar muito a melhorar o estado geral da criança, favorecendo noites descansadas e a alimentação e, finalmente, a sua qualidade de vida.
Como escolher o Fisioterapeuta certo?
Hoje existe uma grande necessidade de desempenho multidisciplinar especializado em crianças com doenças respiratórias, tanto em ambulatório como em meio hospitalar. Como parte desta equipe, o fisioterapeuta deve ter formação e treino adequado para melhorar a recuperação respiratória dos bebés/crianças.
É muito importante escolher um profissional adequado, quer em formação como na forma de abordar as crianças. A terapia deve ser realizada de uma forma lúdica, num ambiente agradável e harmonioso, com a companhia dos pais. Sendo que os pais devem aprender algumas técnicas para aplicar em casa corretamente. E, desta forma, os pais vão conseguir manter os resultados atingidos na sessão e sendo isso fundamental para o bem-estar do bebé/criança.


Sem comentários:

Enviar um comentário