quinta-feira, 26 de abril de 2012

Estudo retrospectivo sobre a efectividade da Terapia Manual em utentes com Lombalgia




Resumo


Introdução: A Lombalgia é o sintoma mais comum tratado pelo Fisioterapeuta, existindo centenas de artigos que se dedicam a esta temática. Na sequência do estudo deste tema um grupo de trabalho da Physioclem realizou um pequeno estudo retrospetivo com o objetivo de avaliar qual a efetividade do tratamento de utentes com diagnóstico de Lombalgia, baseado em técnicas de Terapia Manual e Ensino, tratados na Physioclem, através da medição dos resultados Imediatos e a Longo prazo (um ano) do mesmo. 

Metodologia: A amostra de utentes em estudo foi selecionada a partir do software de registo interno da Physioclem, constituindo-se como critérios de inclusão utentes que tenham recorrido aos serviços de fisioterapia da empresa pela primeira vez, com queixas de lombalgia, durante o primeiro trimestre do ano 2011. Após a aplicação dos critérios de inclusão foi obtida uma amostra efetiva de 13 utentes à qual foi aplicado um questionário, via telefónica. Para obtenção de dados mais pormenorizados foi realizada a caracterização das sessões quanto ao tipo de tratamento prestado; número total de sessões e intervalo de dias entre cada sessão, concluindo-se que estas incluíram as componentes de Ensino, Terapia Manual e Exercício, numa média de 3 sessões totais, com uma média de 8 dias de intervalo entre cada sessão. 

Resultados: Para a medição dos resultados Imediatos e a Longo prazo o grupo elaborou uma escala com cinco classificações. Para a atribuição de cada classificação o grupo realizou um estudo individualizado de cada utente da amostra no sentido de avaliar se: 1) os tratamentos tinham Agravado a sua condição clínica; 2) os tratamentos se tinham revelado Sem Resultado; 3) os tratamentos tinham manifestado Pouco Resultado; 4) os tratamentos tinham apresentado Bom Resultado ou, por último, 5) os tratamentos tinham representado Muito Bom Resultado. Assim, como resultados Imediatos obtivemos um total de nove utentes que mencionaram Bom resultado e um total de quatro utentes que indicam Muito Bom Resultado com as correspondências percentuais de 69% e 31%, respetivamente. Relativamente aos resultados a Longo Prazo foi concluído que 62% dos utentes revelaram BONS Resultados e 85% apresentaram resultados POSITIVOS, contrastando claramente com os 15% de utentes para os quais os tratamentos não surtiram efeito e foram classificados como Sem Resultado. Conclusões: Os achados do presente trabalho corroboram todas as indicações provenientes do estudo que a equipa Physioclem tem dedicado ao tema da Lombalgia. O Ensino, a Terapia Manual e o Exercício apresentam-se como as técnicas efetivas no tratamento desta condição clínica e este benefício mantém-se, pelo menos por um ano, na maioria dos utentes, após a realização das sessões de tratamento.

A dor lombar constitui, em Portugal e na Europa, um motivo frequente para a utilização de cuidados de saúde, em particular consultas de medicina geral e familiar, ortopedia, e cuidados de fisioterapia, tornando-se um dos maiores problemas para os sistemas de saúde pública no mundo ocidental durante a segunda metade do século vinte

Na sequência do estudo desta temática e do desenvolvimento de alguns trabalhos acerca da efetividade das técnicas de Fisioterapia no tratamento da dor lombar crónica um grupo de trabalho da Physioclem realizou um pequeno estudo retrospetivo com o objetivo de avaliar qual a efetividade do tratamento de utentes com diagnóstico de Lombalgia, baseado em técnicas de terapia manual e ensino, através da medição dos resultados imediatos e a longo prazo do mesmo.
A amostra de utentes em estudo foi selecionada a partir do software de registo interno da Physioclem, constituindo-se como critérios de inclusão utentes que tenham recorrido aos serviços de fisioterapia da empresa pela primeira vez, com queixas de lombalgia, durante o primeiro trimestre do ano 2011 (há um ano) e tenham sido tratados pelo Ft. Marco Clemente.
Após a aplicação dos critérios de inclusão foi obtida uma amostra efetiva de 13 utentes: 8 do sexo feminino, com idades compreendidas dos 28 aos 63 anos e 5 do sexo masculino, com idades entre os 28 e os 71 anos.
Para obtenção de dados que permitissem o estudo mais pormenorizado de cada caso foi realizada a caracterização das sessões quanto ao tipo de tratamento prestado; número total de sessões e intervalo de dias entre cada sessão. Quanto à abordagem das sessões concluiu-se que estas incluíram as componentes de Ensino, Terapia Manual e Exercício, numa média de 3 sessões totais, com uma média de 8 dias de intervalo entre cada sessão.
A metodologia do estudo incluiu a realização de um questionário à amostra de utentes, via telefónica. Este questionário era composto por três perguntas:


Relativamente à primeira pergunta - «Como se sentiu no pós-tratamento em relação ao pré-tratamento» - foi obtida uma percentagem de 69% de utentes que responderam ter-se sentido «melhor» e uma percentagem de 31% que referem ter-se sentido «muito melhor», sendo que nenhum inquirido mencionou as opções «muito pior»;« pior» ou «igual».
 

Relativamente à segunda questão - «Como decorreu o comportamento da sua dor ao longo deste ano?” - os utentes deveriam responder a seis alíneas que incluíam a) Intensidade da dor; b) Ocorrência de crises; c) Recurso a consultas médicas; d) Recurso a medicação; e) Prática de Atividade Física e f) Prática de Cuidados Posturais.
Como resposta à primeira alínea foi obtida uma percentagem de 15% de utentes que referem ausência de dor durante o ano; 39% referindo «dor fraca»; 31% de «dor moderada» e 15% de «dor intensa». De acordo com a análise percentual, aproximadamente 50% dos utentes refere resultados positivos («sem dor» e «dor fraca») enquanto outros 50% reportam resultados menos positivos, ilustrados pelas respostas «dor moderada» e «dor intensa». Depois de uma análise pormenorizada concluímos que os utentes que reportam «dor moderada» e «dor intensa» são aqueles que na alínea seguinte vão também referir a ocorrência de crises durante o ano. Assim, ao ser pedida uma classificação quanto à intensidade da sua dor, os utentes classificam tendencialmente ‘o momento da crise’ e não o ano decorrido, como solicitado. Desta forma são encontradas as percentagens apresentadas, relativamente à dor moderada e intensa. 


Em relação à alínea b) 4 utentes referem a ocorrência de crises durante o ano enquanto 9 referem não ter tido crises. No entanto, todos aqueles que reportam a existência de crises afirmam que estas surgem com menos frequência e menor intensidade do que antes de terem realizado tratamento.
             Quanto ao recurso a consultas médicas, 3 utentes referem ter efetivamente recorrido enquanto 10 referem não ter tido necessidade de o fazer. Dos 3 utentes que recorreram a consultas, 1 recorreu ao serviço de urgências hospitalar duas vezes; 1 recorreu a uma consulta da clínica de S. Francisco e o último refere consultas médicas frequentes.

Relativamente ao recurso a medicação, 5 utentes mencionam a toma de anti-inflamatórios em oposição a 8 que referem não fazer recurso a medicação. Dos 5 utentes que referem a toma de inflamatórios, 3 fazem-no em períodos SOS, 1 fá-lo regularmente e o último reporta a toma de corticoides.
No que diz respeito à Atividade Física, 5 utentes referem a sua prática enquanto 8 assumem não praticar qualquer tipo de Atividade.
             Já em relação à prática de Cuidados Posturais, 9 utentes referem ter este aspeto em atenção em oposição a 4 que mencionam não o fazer. Dos 9 que praticam Cuidados Posturais 4 revelam ter ficado mais sensibilizados para a importância desta questão através do ensino realizado nas sessões de tratamento com o Ft. Marco; 3 revelam trabalhar grande parte do tempo sentados, partilhando que algumas vezes se .lembram da postura e se endireitam e 2 revelam confusão entre os conceitos de Cuidados Posturais e Posturas antiálgicas.


 

Em relação à terceira questão - «Como se sente atualmente?» - foram obtidas percentagens de 38% de utentes que referem ausência de dor; 23% de «dor fraca»; 8% de «dor moderada» e 32% de «dor intensa».



Depois de realizado o levantamento de todos os dados e do seu tratamento estatístico o grupo propôs-se atingir o objetivo inicialmente desenhado - avaliar qual a efetividade do tratamento realizado na amostra de utentes em estudo, através da medição dos resultados imediatos e a longo prazo do mesmo. Assim, o grupo elaborou uma escala de avaliação de resultados com cinco classificações.
                                       
 Escala de avaliação de resultados
Imediatos e a Longo prazo
1 - Agravámos
2 – Sem Resultado
3 – Pouco Resultado
4 – Bom Resultado
5 – Muito Resultado


Para a atribuição de uma das cinco classificações o grupo realizou um estudo individualizado de cada utente da amostra, considerando aspetos como a sua idade; diagnóstico; história clínica; número de sessões de tratamento realizadas, entre outras, no sentido de avaliar se: 1) os tratamentos tinham Agravado a sua condição clínica; 2) os tratamentos se tinham revelado Sem Resultado; 3) os tratamentos tinham manifestado Pouco Resultado; 4) os tratamentos tinham apresentado Bom Resultado ou, por último, 5) os tratamentos tinham representado Muito Bom Resultado.
Para a medição dos resultados imediatos o grupo estabeleceu uma relação direta entre estes e a resposta dada pelos utentes à primeira pergunta do questionário - «Como se sentiu no período pós-tratamento em relação ao pré-tratamento?» Assim obtivemos um total de nove utentes que mencionaram Bom resultado e um total de quatro utentes que indicam Muito Bom Resultado com as correspondências percentuais de 69% e 31%, respetivamente.





Relativamente à medição de resultados a longo prazo foi concluído pelo grupo que em zero utentes – 0% - os tratamentos Agravaram a sua condição clínica; em dois utentes – 15% - os tratamentos se revelaram Sem Resultado; em três utentes – 23% - os tratamentos manifestaram Pouco Resultado; em quatro utentes – 31% - os tratamentos revelaram Bom Resultado e noutros quatro utentes – 31% - os tratamentos conduziram a Muito Bons Resultados.
Considerando que as classificações Bom Resultado e Muito Bom Resultado se apresentam como classificações efetivamente desejáveis, foi obtido um resultado de 8 utentes (num total de 13 que constituíam a amostra) que revelaram BONS Resultados a  Longo Prazo – 62%.
Se a estes 8 utentes ainda acrescentarmos aqueles classificados com Pouco Resultado (3 utentes) é obtido um total de 85% de resultados POSITIVOS que contrasta claramente com os 15% de utentes para os quais os tratamentos não surtiram efeito  e foram classificados como Sem Resultado.




Os resultados do presente trabalho corroboram todas as indicações provenientes do estudo que a equipa Physioclem tem dedicado ao tema da Lombalgia, sendo que o Ensino, a Terapia Manual e o Exercício se apresentam como as técnicas efetivas no tratamento desta condição clínica. De acordo com a análise dos nossos dados concluímos que este benefício se mantém, pelo menos por um ano, na maioria dos utentes, após a realização das sessões de tratamento.
Os resultados evidenciam a pouca prática de Atividade Física por parte dos utentes (apenas 5 em 13 mencionam praticar), no entanto o Exercício apresenta-se como uma importante medida de prevenção da Lombalgia. É importante alertar os utentes para a necessidade de se manterem ativos. Após a realização da fisioterapia é aconselhado que se mantenha uma Atividade Física, dando continuidade à progressão do controlo da dor e principalmente como forma de prevenção secundária. A indicação para Repouso é muito veiculada mas é importante que os utentes compreendam que esta não é eficaz e que o Movimento e a Atividade são fulcrais o mais precocemente possível.
Na nossa perspetiva, o objetivo inicialmente estabelecido foi atingido, apesar das limitações impostas por um trabalho desta natureza, relacionadas com o número reduzido da amostra (13 utentes).  No entanto pretendíamos essencialmente perceber em que condições se encontram os nossos utentes, um ano depois de terem realizado tratamento connosco, refletindo sobre o que fazemos, como fazemos e porque fazemos.

Sara Lourenço
Fisioterapeuta Physioclem
 

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