sexta-feira, 3 de junho de 2016

“A Physioclem é uma referência na região, porque todo o trabalho é feito com empenho e dedicação”







Luís Nascimento é um apaixonado pela vida, pelo trabalho. Vive todos os pormenores a 100%. Intensamente. Racionalidade é a palavra que usa para descrever todos os seus passos e forma de estar. Mas bastam cinco minutos, e foram muitos mais, de conversa e de partilha com o fisioterapeuta da Meda (Guarda) para perceber que a paixão que dedica e impregna ao que faz, o tornam num ser humano dedicado, social, emocional.
Cresceu naquela cidade da Beira Interior, onde o Douro já se anuncia. As ruas da Meda conhece-as de ponta a ponta. Preferia a rua. Estar rodeado de amigos. O desporto denunciou-se cedo, nomeadamente o futebol, embora praticasse todas as modalidades que a terra proporcionava aos mais jovens. Passava horas com a bola nos pés. “Fui um miúdo de rua, muito autónomo e traquina. Sempre tive um grande grupo de amigos”, relembra. A mãe, Maria Margarida, trabalhava nos CTT em Trancoso. Passava por lá o dia. Do pai, António Nascimento, não tem dúvidas que herdou a personalidade: racional, social e focado.
Apesar de exercer fisioterapia há anos, ainda hoje tem dificuldade em apontar as razões da opção. Pensou seguir Educação Física, mas, na ocasião, já era um curso sem saída. “Se o desporto foi a razão que me trouxe para esta área, então está tudo explicado. Sinceramente não sei, mas estava decidido a ir para fisioterapia”, testemunha Luís Nascimento, de 32 anos. Ainda entrou em Engenharia Química, no Técnico de Lisboa, mas não era a primeira opção. Depois de um ano de melhoria de notas, tenta entrar numa escola pública. Não consegue. A Escola Superior de Saúde de Alcoitão foi a decisão final.
É no concelho de Cascais que passa os anos seguintes. “Não tive qualquer dificuldade em ambientar-me, primeiro porque tinha lá um primo que é como um irmão, depois a minha capacidade de socialização permite-me fazer rapidamente amigos”. 
Amigos. Leva-nos a outra confessa. “Sinto as amizades intensamente, mas não sou o amigo mais próximo. A falta de tempo é a minha justificação. Passo o dia desligado do telemóvel. Ao fim do dia, por vezes, tenho 40 chamadas e dezenas de mensagens. Sei desta limitação, mas uma coisa é certa quando estou, estou mesmo”. 
Retomando ao curso de fisioterapia. Fez os primeiros três anos do curso bietápico. Nesse momento é convidado, por um dos seus professores, a integrar o grupo de fisioterapeutas da equipa de Futsal do Benfica. Um trabalho que desempenhou ao mesmo tempo que terminava a licenciatura.
Durante o curso, conhece Ana Amado, também fisioterapeuta da Physioclem, e começam a namorar. O amor trouxe-o até Alcobaça. Na ocasião Marco Clemente estava a investir nas Caldas da Rainha. É nesta clínica que Luís Nascimento começa a sua aventura pela região Oeste. 
As oportunidades vão surgindo, face aos bons resultados da Physioclem. Em cima da mesa, põem-se a possibilidade de crescer para Leiria. Luís Nascimento e Ana Amado propõem sociedade a Marco Clemente, garantindo ainda mais o crescimento desta casa. “Em Alcobaça, toda a gente nos conhecia, aqui foi um trabalho que se construiu de raiz, com muito esforço e dedicação. Hoje, somos também uma referência. O facto de ser obsessivo levou-me a semear demais, hoje não tenho mão para tudo. Tenho de pensar em abrandar”.
São 14 as horas que dedica, diariamente, ao trabalho. Só à Physioclem, porque depois ainda dá aulas no curso de Fisioterapia, mestrado (Desporto e Saúde para Crianças e Jovens) e pós-graduação (Terapia da Mão), que leciona no Instituto Politécnico de Leiria. Somam-se aqui ainda mais seis horas semanais do seu tempo, não esquecendo que as aulas preparam-se em casa. “Não sei o que é, ao fim da noite, estar sentado num sofá sem trabalhar”. 
Apesar de não fazer tanto desporto quanto queria, não abdica de correr e de algum ginásio. Uma vez por semana, há sempre um jogo de futebol com amigos. “Levanto-me às seis da manhã para correr e depois sigo para a Physioclem”.
As atividades não se ficam por aqui. Ao sábado também trabalha e ao domingo acompanha a equipa profissional do União de Leiria. Terminada a época, há descanso? Não, não há! Já está à espera dos seus préstimos a equipa de futebol de praia do Sporting Clube de Portugal.
Quando questionado se trabalhar tantas horas seguidas cansa, Luís Nascimento responde com prontidão e assertivamente: “É um prazer, nunca uma obrigação. Estou sempre em contacto com as pessoas e isso é um privilégio, criam-se laços muito fortes de amizade e companheirismo. Além disso, tenho três contextos diferentes - desporto, clínica, aulas - apoiados num dominador comum, a fisioterapia”.
Férias? Apenas duas semanas por ano, uma na neve, para praticar desporto, outra na praia. Os restantes dias junta-os quando tem de tirar formação. Aproveita e fica mais um ou dois dias nos locais onde decorrem.
Tem planos bem definidos para a Physioclem Leiria. Crescer é a palavra que indica como fator primordial. O espaço físico que ocupa está a tornar-se pequeno para todo o trabalho que desenvolvem, nomeadamente na valência desportiva. “Já começa a ser notória a necessidade de criar uma área apenas para a Physioclem desporto, embora tendo no mesmo edifício todo o trabalho que desenvolvemos, mas havendo uma separação de valências”, avança Luís Nascimento. Ainda não há datas para esta mudança, tudo a seu tempo. “Não dou nenhum passo sem ter a certeza que o terreno está firme. Prefiro correr os riscos em segurança”.  
Apesar de todos os convites que tem recebido para dentro e fora do país, Luís Nascimento não tem dúvidas que a Physioclem é a sua casa. “Sabemos como é o mundo do desporto. Não troco o certo, pelo incerto. Sou muito racional”, justifica. Sente a Physioclem Leiria como uma filha. “Está cada vez mais sólida, mas sei que ainda precisa de mim. Qualquer pai sente que os filhos crescem, mas terá sempre necessidade de os proteger”.
Por falar em filhos, Luís Nascimento quer ser pai, apenas ainda não chegou o momento, porque o tempo não se coaduna com os milhares de atividades que tem em mãos. 
Leiria é já a cidade que o seu coração escolheu. “Assumo sempre os lugares por onde passo como meus e faço tudo o que posso para ajudar a comunidade. Só com o envolvimento de todos é que as terras podem crescer”, salienta. O União de Leiria é um clube pelo qual dá tudo e que já ultrapassa a sua profissão.
“A Physioclem é uma referência na região, porque todo o trabalho é feito com empenho e dedicação”. Com os pacientes, criam-se laços de amizade e cumplicidade. “Quando entram nos gabinetes, não há ricos nem pobres, todos se despem não só fisicamente como emocionalmente. Derrubam-se barreiras pela exposição que tem de ser feita. É nesse momento que acabamos por partilhar muito de nós. Somos fisioterapeutas, mas também somos amigos, conselheiros…”
A amizade com os profissionais do desporto também é digna de registo. Há dias em que regressam à Physioclem, não para ser tratados, mas para agradecer e deixarem um abraço. Entre os atletas, depois de ter sido batizado pelo surfista Garrett McNamara, que surfa ondas gigantes na Nazaré, é conhecido como o Luís “Mãos Mágicas”. 
Luís Nascimento tem a vida estruturada e pensada ao milímetro, mas também sabe que a vida constrói-se diariamente, com os afetos e laços que se criam. A magia faz-se dentro e fora do gabinete. Viver a vida intensamente. Talvez, seja esta a bela e grande lição… 
Luci Pais


2 comentários:

  1. É muito bom!!!sinto me muito bem desde que comecei a fazer as massagens! !! E muito obrigado pela simpatia de todos

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  2. É muito bom!!!sinto me muito bem desde que comecei a fazer as massagens! !! E muito obrigado pela simpatia de todos

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