sexta-feira, 10 de junho de 2016

"Com a Physioclem sei que posso ir descansado para qualquer prova, em qualquer ponto do mundo"






Quando está em cima de uma bicicleta todo o seu corpo e mente entram num ambiente de felicidade, de liberdade. É sobre rodas que David Rosa quer conquistar o mundo. Em breve, nos Jogos Olímpicos Rio 2016, vai “pedalar” mais um importante momento da sua vida. Um dos atletas, além de Telma Santos (badminton) e Nuno Saraiva (judo), que a physioclem acompanha.
O jovem ciclista de Fátima, de apenas 29 anos, foi o primeiro atleta de XCO (Cross Country Olímpico) português a participar nos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres. Os rankings pessoais, os melhores portugueses e mesmo europeus, bate-os constantemente. 
As suas conquistas estão sempre a fazer história no universo do ciclismo de XCO português, europeu e mundial. “Sou o atleta com mais títulos no escalão elite português. Os bons resultados revelam o empenho e entusiasmo que dedico à minha carreira”, testemunha David Rosa. O maior “furo” desta época ainda o sente com intensidade: “estava para entrar no Top 10 mundial. Não consegui… Fui-me abaixo física e psicologicamente, mas estou de regresso e determinado a dar o meu melhor nos Jogos Olímpicos”.
Uma criança, uma bicicleta 
Cresceu em Fátima. Os avós viviam por perto. A bicicleta, assim que a teve, tornou-se o elo de ligação entre a sua casa e a dos avós.
Foi entre os 3 e os 4 anos que aprendeu a andar de bicicleta, a partir daí nunca mais as largou. “Gosto da sensação de liberdade, da possibilidade de explorar a natureza… Por vezes, também prega sustos, mas as aventuras que se vive, compensam tudo”, descreve.

Recorda-se de aos 7 anos sair de casa. Em cima da bicicleta, parte em direção à casa dos avós paternos. Em casa, a mãe estava estava em pânico, porque não sabia do seu paradeiro. “Quando cheguei a casa, a minha mãe estava a chorar”. 
Cresceu junto ao Santuário de Fátima. Com os amigos, sem que houvesse telemóveis pelo meio, jogava também à bola, mas sempre que podia “fugia” para os montes da região. O seu sonho era ter uma bicicleta, mas os pais só cederam mais tarde ao seu pedido.
Já o espírito competitivo revelou-se cedo. Aos 8 anos, pediu emprestado a bicicleta a uma prima. Ajustaram o selim e lá foi David Rosa. Foi e apaixonou-se ainda mais. “Nesse dia, e como a bike tinha conta quilómetros, passei horas a andar e a melhorar o tempo”. Quando chega a casa da avó materna, cai e desmaia. Nem se tinha apercebido da quantidade de horas e de quilómetros que tinha feito, sem, praticamente, beber água. Valeu-lhe a mezinha de leite e mel que a avó lhe deu. 
Quando deu por isso, mesmo sem bicicleta, já andava à procura de competições de BTT. No Centro de Estudos de Fátima, estabelecimento de ensino que frequentava, surge a opção de Desporto Escolar. Havia atividades de exploração da natureza. No final do período, participou em provas: “batia com alma o tempo dos mais velhos”.
O sonho de ter uma bicicleta, “longe de ser boa para a competição”, chegava pelas mãos do avô materno. “Foi o melhor Natal da minha vida. Nem queria acreditar…” No dia seguinte, pôs-se em cima da bicicleta de manhã e só parou à noite. 
Durante o 8º ano, a paixão pelo veículo de duas rodas esmoreceu, mas regressou no ano seguinte. O divórcio dos pais aproximaram-no novamente das subidas e descidas de Fátima. “Foi um momento muito difícil, andar de bicicleta era a única coisa que me dava felicidade. O desporto foi, sem dúvida, o meu escape”. 
Nem só de ciclismo…
Praticou vários desportos: atletismo, karaté, orientação e patinagem, mas nenhum lhe dava o prazer do ciclismo. “Eu gostava de fazer um pouco de tudo. Vivia intensamente todas as atividades, mas era no ciclismo que me sentia mais preenchido”.
Recorda-se, com um grande sorriso, de uma prova de orientação que fez, em Alvados. “Não sabia minimamente o que se estava a passar. Levava uma mochila às costas com pão e ovos mexidos e salsichas, enquanto os outros só tinham água… Nem sabia por onde tinha de ir. Ainda parei pelo caminho para comer e só depois segui. Quando cheguei, passadas 17 horas, estavam para acionar o sistema de alerta”. 
No final do 9.º ano, depois de ter amealhado dinheiro, comprou uma bicicleta, que já lhe permitia outras aventuras. 
Nesse verão, após terminar o 10.º ano, começa a participar em provas. A primeira federada deu-se nesse ano, numa Taça de Portugal, pelo Clube Académico de Leiria. “Nunca estava preparado para as provas, o meu treino era do pior. O corpo praticamente não descansava. Era esforço em cima de esforço. Via a volta a França e pensava que já dominava tudo. Sentia-me mal várias vezes”, relembra.
Em 2002, o trabalho começa a ser feito com mais consistência após a criação de uma equipa federada na sua escola. Uma iniciativa aberta a toda a comunidade. Começou na promoção (escalão amador), no qual não havia divisões de idade. A meio do ano federou-se e começou a participar em todas as provas. 
Bikes? Tem as todas
As bicicletas, desde a primeira, guarda-as religiosamente. É incapaz de as vender ou dar. Marcam fases importantes da sua vida. “Um dia será uma alegria recordar cada história que tenho passado e vivido”. 
É na alta competição de XCO que vive o dia-a-dia, cheio energia e de vontade de conquistar mais e mais. Garante que entrega durante os treinos o seu “mau feitio, que é bem grande”. Os montes e vales de Fátima conhece-os de uma ponta à outra. Foram-se acrescentando aventuras por diferentes competições que decorriam no país. 
Partilha as histórias como se as tivesse a viver novamente. Com o David percorri quilómetros de asfalto e de terra batida, de norte a sul de Portugal. Subi à Torre da Serra da Estrela. A maioria das vezes acompanhei a prova nos primeiros lugares. Ou, melhor, quase sempre.
Por vezes, partia em último lugar, mas quando dava por si já estava na frente. Algo que acontecia frequentemente, mesmo quando havia provas em simultâneo a decorrer de outros escalões superiores. 
Com a ajuda do pai, professor de Educação Física, continuava o seu sonho. Os pais, embora apoiando a paixão do filho pelo desporto, queriam que David Rosa estudasse. Assim o fez. Os bons resultados chamam a atenção da Federação Portuguesa de Ciclismo, que passa a integrar. Aqui já era acompanhado por um treinador e os melhores resultados não tardam a chegar. “Os treinos eram estruturados. Quando ía para a escola já tinha duas horas de treino em cima. Havia dias que chegava a casa com as mãos e pés roxos. O equipamento ainda não era o mais adequado”.
Estabeleceu objetivos. A ambição era tanto que os cumpria religiosamente. “Sempre que atingia um, passava logo para outro. Ganhar uma corrida; ir à seleção; ir ao pódio; vencer uma prova nacional…”. Cumpri-os todos e acrescentou tantos outros.
Os estudos também prosseguem. Entra em Educação Física, na Faculdade de Motricidade Humana. Dois caminhos que traçou com a ambição de sempre. Chegou, pedalou e venceu. “Os dois primeiros anos foram difíceis. Mudar de terra, deixar os mimos da mãe… Tudo acabou por correr bem”. Quando terminou o curso ainda chegou a dar aulas, mas cedo percebeu que as pedaladas da vida eram outras. Hoje, vive entre Lisboa e Fátima. Os títulos vão sucedendo-se. Hoje, todas as suas energias estão centradas nos Jogos Olímpicos, à semelhança do que já aconteceu em 2012, em Londres. 
Physioclem, desde 2013
A Physioclem entrou na sua vida em 2013. “Se partirmos com dores para provas, os resultados nunca serão bons. Com a Physioclem sei que posso ir descansado para qualquer prova, em qualquer ponto do mundo. São uma equipa maravilha. A relação que se estabelece é de grande confiança. Não só trabalhamos as mazelas, como se faz um excelente trabalho de prevenção”.
Com o apoio da Physioclem e de todos os portugueses, será mais fácil David Rosa dar o seu melhor nos Jogos Olímpicos. Depois, segue-se o Top 10 mundial.
David Rosa sabe que para estar em forma tem de tratar do corpo e da mente. Dois em um. O jovem atleta ensina que sem dedicação e persistência nada se consegue. O trabalho de casa, de cada um, é essencial para a procura do sentido da vida.
Luci Pais




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