quarta-feira, 19 de outubro de 2016

"A physioclem é uma referência a nível nacional"




Sempre gostou dos “bastidores”, mas o “tempo” traiu-a. Aos 28 anos, Ana Mafalda Ferreira, de São Martinho do Porto, é uma das atletas portuguesas mais conhecidas. O atletismo entrou na sua vida aos 11 anos, mas apenas aos 15 se apaixonou verdadeiramente por esta modalidade. Hoje, usa o emblema do Sporting ao peito, o clube do seu coração. Na physioclem, encontra uma equipa que lhe trata da mente e do corpo.
Corre, corre, corre… Já perdeu as contas aos quilómetros que fez. Um corpo pode aguentar muito, mas o apoio e acompanhamento da physioclem tem sido fundamentais na prevenção e tratamento. Já foi seguida por Ana Amado, Luís Nascimento, Marco Clemente e, nos últimos anos, por Vânia Santos.
“A Vânia é muito mais do que uma fisioterapeuta, é uma psicóloga, uma amiga… Trata-me das mazelas do corpo e da mente. Vibra com as minhas vitórias. A physioclem é uma referência a nível nacional. Há uma grande ligação entre atletas, fisioterapeutas e treinadores”, testemunha Ana Mafalda.


Correr por brincadeira
A baía de São Martinho do Porto sempre foi uma referência na sua vida. No seu areal, corre desde que se lembra. Cresceu ao seu redor. Com os meninos dos seu bairro andava por ali, a viver mil e uma aventuras. 
Por brincadeira, em conjunto com alguns amigos decidiu participar numa corrida. “No final, levei para casa uma taça maior do que eu”, diz soltando uma gargalhada. O seu tempo e performance não passaram despercebidos. Entre a organização, encontrava-se um professor de Educação Física da sua escola. 
O ano letivo arranca. O professor, João Paulo Ferreira, não se esqueceu do desempenho de Ana Mafalda e desafia-a a treinar. Até hoje, é o seu treinador. Até aos 15 anos, “não quis nada muito sério”. Os treinos só aconteciam em vésperas de provas do Desporto Escolar. O pódio era sempre seu: “Desde que entrei na minha escola até sair, ganhei todas as provas”. 
Como juvenil, participou no Campeonato Nacional de Corta Mato. Dias depois, o professor, treinador e amigo aparece na escola com um papel no qual destacava a florescente o Mundial. Para lá chegar, tinha de ficar entre as seis melhores a nível nacional. Conseguiu e foi! Garante que foi a experiência mais marcante que viveu desde que entrou para o atletismo. “Tinha apenas 15 anos. Sempre gostei de estar nos bastidores. Tinha dificuldade em acreditar nas minhas capacidades. Foi nesta prova, fora do meu núcleo duro, que me apercebi que o atletismo já fazia parte de mim e que não podia passar sem ele”. 
Começou a destacar-se nas camadas jovens. O Arneirense deita-lhe a “mão” e passa a corre por este clube das Calda da Rainha, durante dois anos. Segue-se o Grupo Desportivo do Estreito, da Madeira, no qual soma mais sete anos. Foi preencher o lugar da conceituada atleta Sara Moreira. “Foi uma aposta arriscada, mas devo confessar que muito me orgulha”. 
Há dois anos que todos os seus passos são feitos com o emblema do Sporting ao peito. “Independente da simpatia que se tem por este clube, é inquestionável o trabalho que desenvolve. É uma referência”. 


A vida a correr
Não é apenas nas estradas de Portugal e do mundo que Ana Mafalda Ferreira corre. A sua vida é também uma correria. Trabalha, em regime de part-time, numa loja de desporto em Alcobaça. “Foi uma opção minha, porque o Sporting dá-me boas condições. Normalmente, treino cerca de quatro horas por dia, mas depende sempre da calendarização das provas”, explica.
Define-se como disciplinada e responsável. “Quando se gosta do que se faz, há sacrifício. Há muita coisa que fica para trás. O meu namorado vive na Nazaré e passo semanas sem o ver. 
Treina em São Martino. Esporadicamente em Lisboa, com o treinador do Sporting, Luís Pinto. É quem concebe os seus planos de treino. Já na sua terra Natal é acompanhada, desde pequena, pelo professor João Paulo. “Temos uma relação excecional. Foi quem me fez reconhecer a minha paixão pelo atletismo. Achou que eu tinha jeito e desafiou-me. Tenho um feitio difícil, mas conseguiu convencer-me”.


Recordar é viver
A rebeldia sempre fez parte da sua forma de estar na vida. Tem sempre as pilhas carregadas. “Também é isto que fez de mim a atleta que sou hoje. Quando me proponho a um desafio, não desisto. Para que corra bem, trabalho o dobro”.
Nunca achou piada às brincadeiras de meninas. Sempre preferiu os rapazes. Com o irmão, dois anos mais velho, andava sempre pelas ruas de São Martinho. 
Se em tempos não gostava de ver os pais, Carlos e Graça, a ver as provas, hoje já começa a aceitar. “Ficam muito nervosos e eu também”.
A escola só correu bem até determinado momento. A sua rebeldia falou mais alto. Só a partir do momento que iniciou o atletismo é que começou a ter mais prazer por estudar. “Quando o atletismo entra a sério na minha vida, faço as pazes com a escola”. 
Hoje, é uma mulher organizada. “Vou gerindo o meu tempo, sem nunca esquecer o desporto que é essencial para uma vida saudável”.


Entre sonhos e objetivos
Todos os atletas sonham com os Jogos Olímpicos. Ana Mafalda Ferreira também quer lá estar. “Tudo farei para que assim aconteça, não esquecendo campeonatos europeus e mundiais”. Por vezes, nem com todo o esforço e dedicação se consegue, mas atleta sabe que ser feliz no que se faz é o mais importante.
A felicidade está nas pequenas, mas tão importantes, coisas da vida. Os sonhos só se concretizam, se lutarmos. E Ana Mafalda luta, todos os dias, pelos seus objetivos, sabendo que algumas ficam para trás…


Luci Pais


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