sábado, 14 de janeiro de 2017

Respirar pela Boca, não é apenas um Problema Respiratório!







Alergias, adenoides ou amígdalas muito grandes, excesso de muco, infeções respiratórias frequentes… Existem muitas causas que dificultam a respiração nasal dos bebés e crianças. Não se trata apenas de um problema respiratório, pois podem aparecer complicações a médio ou longo prazo, durante o crescimento das crianças, como: perda de audição, deformações do palato, alterações na fala e também na postura.
Ao ser incapaz de respirar pelo nariz, o bebé/criança abre instintivamente a boca alterando a posição da língua e também o equilíbrio corporal. Nas crianças em fase de crescimento, se a situação se mantiver, pode causar alterações estruturais e posturais, difíceis de reverter.
A face em crescimento é uma estrutura complexa que se forma gradualmente. Ao realizar respiração pela boca, a mandíbula abre-se, a língua baixa e, em alguns casos, até sai da boca, diminuindo o estímulo da língua sobre o crescimento normal dos ossos do crânio. Sem este estímulo, os ossos da face crescem verticalmente, desenvolvendo malformações faciais e orais, resultando em rostos alongados, sem maças do rosto, dentes que não encaixam, desalinhados e “encavalitados”.
Não é apenas uma questão respiratória, porque o equilíbrio e a audição podem ficar afetados. Ao respirar pela boca, a criança traz a cabeça e os ombros para a frente. Esta alteração muda a posição da sua coluna dorsal para cifose ou a vulgarmente chamada “corcunda”. O ouvido é outra estrutura afetada, assim como a deglutição. Ao compartilhar a mesma via para respirar e para comer, sendo a respiração vital, as crianças tendem a comer rápido ou até mesmo a deixar de comer, para conseguirem respirar. Ao respirar pela boca, as pressões entre o nariz e a boca não são equilibradas corretamente e o ouvido médio que está em contacto com o nariz pela Trompa de Eustáquio, não ventila. Esta situação, predispõe à acumulação de muco nas vias aéreas superiores, formando as chamadas otites e infeções respiratórias, por repetição, que podem levar à perda de audição.
Mais uma vez, a Higiene Nasal é muito importante para evitar problemas a médio prazo. Aos 5 anos, o rosto da criança tem 80% da formação completa. Por isso, a prevenção e atuação precoce são fundamentais. O desenvolvimento correto da criança depende muito de um nariz permeável e limpo.
Quais são as chaves para detetar se algo está mal?
- Respira pela boca frequentemente e, até por vezes, manter a língua fora;
- Olheiras ou olhos cansados;
- Dorme com a boca aberta;
- Ronca e inclusive faz apneias;
- Tem a voz fanhosa;
- Apresenta deformação da face: rosto comprido e estreito, sem maças de rosto, palato estreito e fundo;
- Dentição muito atrasada;
- Lábios secos ou com rachas frequentemente;
- Infeção de ouvidos com frequência (otites);
- Tosse predominante noturna ou quando deitado, assim como muito ranho.
O Médico Pediatra deve direcionar para a melhor abordagem e encaminhar para o profissional mais adequado para resolver o problema. Às vezes, é necessária a visita ao Terapeuta da Fala ou mesmo o Dentista. Mas em casa, como prevenção e até mesmo como uma parte do tratamento, uma correta e frequentes lavagens nasais são o melhor aliado. Esta é uma das funções de terapia respiratória.
Uma das nossas prioridades, na Fisioterapia Respiratória, é ensinar os pais a detetar os problemas e fazer uma boa lavagem nasal, de acordo com a idade, por forma a prevenir o desenvolvimento de eventuais problemas durante o crescimento da criança. A acumulação constante de muco no nariz é o maior problema e o mais fácil de ser resolvido. Sem ranhocas os bebés e crianças conseguem comer e dormir melhor, o risco de infeção é reduzido, a tosse é controlada e até mesmo desaparece.

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