Quais são os pontos-chaves para uma vida saudável, feliz e produtiva?

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Respostas após mais de 5 décadas de investigação*

Hoje, vivemos mais e melhor. Do século XIX para o século XXI, duplicámos a esperança média de vida. A evolução da medicina e da tecnologia permitiram o combate às doenças transmissíveis, provocadas por vírus e bactérias. Fomos ganhando a “guerra” contra os microrganismos, mas com isso foram surgindo novos desafios. Segundo Johnson e Acabchuk, num artigo publicado em novembro de 2017, na revista Social Sciense & Medicine, este combate tem tido algumas consequências, estando a causar o aumento de doenças autoimunes e de alergias. Além disso, o aumento da esperança média de vida, do sedentarismo e a má alimentação têm contribuído fortemente para uma série de doenças crónicas a que se deu o nome de Doenças Não Transmissíveis. Hoje, estas doenças, são responsáveis por mais de 70% das causas de morte no mundo. Incluem quatro grandes tipos: doenças cardiovasculares, cancros, doenças respiratórias e diabetes. 


Não o queremos assustar, pretendemos apenas que tome consciência do problema com o objetivo de perceber quais as soluções para ter uma vida mais saudável e longa. É possível combater o aparecimento de tais doenças através de estratégias simples, como o aumento da atividade física ou uma boa alimentação. Mantenha-se calmo, respire fundo.


O problema das doenças crónicas, relacionadas com o estilo de vida, está a aumentar consideravelmente, colocando maior pressão financeira nos sistemas de saúde, podendo mesmo torná-los insustentáveis. De acordo com os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2014, 16 milhões de pessoas morreram prematuramente, antes dos 70 anos, devido a  estas doenças.

As mortes causadas pelas doenças não-transmissíveis podem ser reduzidas significativamente, segundo informação avançada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), 2015, através de políticas que promovam a redução do consumo de tabaco, álcool, de determinados alimentos (excesso de sal ou açúcar). Deverá promover-se a atividade física e melhorar os cuidados de saúde. No entanto, o sucesso desta estratégia passa essencialmente pelo próprio indivíduo, pela opção por um ESTILO DE VIDA SAUDÁVEL. A mudança do comportamento da população é a chave para a redução desta “epidemia” das doenças crónicas relacionadas com o estilo de vida.


Para que perceba melhor:
Nos últimos séculos, a medicina considerava a doença como uma perturbação da sistema biológico. Para haver doença, havia uma lesão ou doença nos tecidos/células. Nas últimas décadas, evoluímos desta visão mais biomédica para uma visão mais integradora, biopsicossocial. 

O que é que isto quer dizer? Será que a doença não é sempre causada por perturbação dos tecidos? Corrigindo ou curando a perturbação não garante o retorno da saúde?

Os psicólogos da saúde têm vindo a argumentar que a relação diretamente proporcional entre a doença e a saúde é uma falsa assunção. Os fatores psicológicos, sociais e ambientais interagem diretamente nesta equação, podendo mesmo provocar, agravar ou manter as doenças de etiologia biológica. Curar a doença não garante o resultado positivo, assim como nem sempre a melhoria da condição de saúde se pode explicar pela melhoria do estado dos tecidos.

É nesta interação bio-psico-social que aparece o stress. Este resulta da vivência dos fatores stressantes, como o trauma, a descriminação, a pobreza, com a habilidade da pessoa para lidar com ou recuperar desses stressores. Esta habilidade é influenciada por fatores externos (contexto, apoio social) e internos (genéticos, personalidade, resiliência, autoestima).

As pessoas ficam mais suscetíveis para a doença quando está exposta a stress prolongado, provocando um desequilíbrio neuroendócrino, imunológico e do sistema nervoso autónomo. Esta perturbação afeta o corpo a vários níveis, assim como altera o comportamento, o humor, estado emocional e capacidades cognitivas. A interação é bidirecional e muito complexa.

De forma similar, as adversidades sociais - como a pobreza, baixo nível de educação, falta de suporte social ou desemprego - aumentam o risco de doença crónica, bem como de mortalidade precoce, através do efeito no inibidor do sistema imunitário e facilitador dos processos inflamatórios.  


Então qual a solução?
Nos últimos anos, têm emergido propostas, baseadas na evidência científica, para a adoção de um estilo de vida saudável. Estas incluem a alimentação adequada, a prática da atividade física, o descanso adequado (quantidade e qualidade do sono e ritmo de vida adequado), boa gestão do stress (ênfase no bem-estar mental), moderação no consumo de álcool e cessação do consumo de tabaco e outras substâncias que prejudicam o estado de saúde. Esta é a estratégia para prevenir, tratar e potencialmente reverter as Doenças Crónicas Não Transmissíveis.

São defendidos programas para o treino das competência em lidar com as adversidades, promovendo a resiliência, estratégias cognitivas e emocionais (inteligência emocional), treino da auto-eficácia, melhoria do suporte social e das ligações familiares.

É defendido que o apoio social (laços familiares, de amizade e comunitários positivos) é o elemento chave para ter uma vida mais saudável, mais longa, mais produtiva, com mais qualidade, e mais feliz (“Genes are nice, but joy is better”). 

Os eventos stressantes nem sempre podem ser evitados. No entanto, a forma como os vivemos, como os percepcionamos, como lidamos com eles tem impacto na nossa saúde. Distorcer os factos, mastigar o problema, dar ênfase, fazer filmes, podem tornar o evento stressante com muito maior impacto, contribuindo para o stress crónico. Com as estratégias de coping adequadas, com uma boa gestão das emoções, controlo dos impulsos, ressignificação cognitiva do evento stressante, o impacto na saúde será muito menos acentuado.

As relações são outro aspeto chave na determinação da saúde. Relações mais próximas e positivas, mantém-nos mais felizes e saudáveis.


Resumindo, o segredo para ter uma vida de sucesso:
Desenvolver a inteligência emocional, resiliência, capacidade de aceitação; dedicar-se ao que mais o motiva, aprender com os outros; construir e manter relações próximas e saudáveis; ter uma ampla rede de suporte social, preferencialmente com sensação de pertença a uma comunidade; dar atenção ao que o rodeia, aos outros e ao momento presente; ter hábitos de vida saudáveis que incluem a alimentação, prática de atividade física, descanso em quantidade e qualidade adequado; e, ter um sentido de propósito na vida.

Para nós, profissionais de saúde, é nosso papel reduzir o enorme problema de saúde pública, as Doenças Crónicas Não Transmissíveis. É fundamental promover uma mudança nos comportamentos da população, estimulando a adoção de um estilo de vida saudável. A sensação de bem-estar, de florescimento interior, é essencial para uma vida mais saudável, mais longa, com melhor qualidade e mais feliz. Aceita o desafio?


* Este texto foi escrito tendo por base o artigo: bit.ly/Vida_mais_feliz, numa investigação de Blair T. Johnson, Rebecca L. Acabchuk.





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