terça-feira, 22 de novembro de 2011

Como seria viver sem dor nas costas?






Evidência científica no tratamento da dor lombar inespecífica


A dor lombar é um distúrbio comum. Quase todas as pessoas são afetadas em algum momento da sua vida. A maioria tem dor de curta duração e rapidamente retoma a atividade normal, independentemente da orientação terapêutica que recebeu. Uma percentagem menor desenvolve uma dor crónica (com mais de três meses de duração) e incapacidade.
Segundo a Associação Portuguesa para o Estudo da Dor, um em cada três portugueses sofre de dor crónica. Destes, a maioria tem dor de origem músculo-esquelética, estando a dor lombar no topo das queixas.
No Reino Unido, a professora Ann More (em representação da Chartered Society of Physioterapists) refere que a lombalgia afeta um em cada três adultos. Nos EUA, a Associação Americana de Fisioterapeutas avança que 75 a 85% dos adultos serão afetados por dor lombar ao longo da sua vida. Esta condição representa uma das maiores causas de absentismo ao trabalho e é motivo de um elevadíssimo número de atendimentos em consulta e nas urgências. Números que indicam que esta “doença” significa um elevado impacto económico-financeiro nos estados e seguradoras, o que tem motivado a comunidade científica a investigar o assunto. Na ordem de prioridades está a determinação de quais os tratamentos mais eficazes de modo a estabelecer o que é e o que não é pago, por ser considerado ineficaz ou por ter uma eficácia reduzida.
Ao contrário de países como os EUA, o Reino Unido, a Bélgica, a Suíça, entre outros, em Portugal o Ministério de Saúde continua a não ter como critério para pagamento dos serviços de saúde a sua eficácia e evidência científica. Se assim fosse o estado deixaria de gastar milhões com técnicas obsoletas e cuja evidência científica claramente mostra ser ineficaz. Um dos exemplos é a fisioterapia “clássica” das clínicas convencionadas com a Segurança Social, nas quais os próprios doentes sem conhecimento científico dizem ser inútil.
Para que os cuidados de saúde sejam de qualidade, devem estar centrados no paciente e apoiados por informações baseadas na evidência.
De um modo geral, há uma abordagem geralmente aceite para o tratamento da dor lombar com duração inferior a seis semanas (lombalgia aguda). Já nas situações que persistem, além destas seis semanas, a situação é diferente. O consenso sobre a melhor terapêutica a utilizar não tem existido e a oferta é incrivelmente elevada, existindo muitas abordagens diferentes que acabam por confundir os profissionais e, especialmente, os doentes. É neste sentido que as organizações de investigação científica e de garantia da qualidade dos serviços de saúde têm promovido a criação de Normas de Orientação Clínica ou Guidelines de modo a clarificar o que os doentes devem e não devem fazer, partindo de uma base científica e com resultados demonstrados.
No caso da lombalgia “inespecífica” as “Clinical Guidelines”, ou Normas de orientação Clínica do Instituto Nacional para a Saúde e Excelência Clínica do Reino Unido (http://www.nice.org.uk/), afirmam que se deve:
1) Proporcionar às pessoas informação e conselhos para promover a autogestão da dor lombar;
2) Encorajar os pacientes a manterem-se fisicamente ativos e a continuarem as suas tarefas da vida diária o melhor possível;
3) Ter em atenção as expetativas e preferências dos pacientes na escolha dos tratamentos a oferecer;
4) Propor uma das seguintes opções: um programa de exercícios, um programa de terapia manual ou um programa de acupuntura. Considerar outra destas opções em caso de um dos programas não sortir o efeito desejado;
5) Dentro do programa de exercícios:
        a.  Aconselhar as pessoas com dor lombar a fazer exercício;
        b. Propor um programa de exercícios estruturado e adaptado num máximo de oito sessões ao longo de 12 semanas;
        c. Propor exercício em grupo, sendo os grupos constituídos no máximo por dez pessoas cada;
       d. O programa de exercícios deve incluir atividade aeróbia, instruções precisas para o movimento, fortalecimento muscular adequado, controlo postural e alongamentos;
6) Dentro da Terapia Manual:
       a.  Propor um programa de terapia manual no qual se inclui a manipulação vertebral, num máximo de nove sessões num período de 12 semanas; 
       b. Não fazer terapias Eletro-físicas, como o Laser, Correntes Interferencias, Ultra-Som, TENS,  tração mecânica, nem promover o uso suportes lombares;           
7)  Considerar a hipótese de um programa de acupuntura num máximo de dez sessões ao longo de 12 semanas;
8) Não fazer a infiltração de substâncias na coluna lombar;
9) Considerar a hipótese de um programa conjunto de terapia física (terapia manual, exercício ou acupunctura) com terapia psicológica;
10) Dentro da terapia farmacológica:
       a. Indicar a toma de paracetamol como primeira opção e quando este não resulta indicar a toma de anti-inflamatórios não esteróides ou opióides fracos;
       b. Considerar a indicação de anti-depressivos tricíclicos se os outros medicamentos não forem suficientemente eficazes no alívio da dor;
       c. Considerar a indicação de opióides fortes por curtos períodos em situações de dor severa;
      d. Basear as decisões da continuação da medicação em função das respostas individuais à terapêutica;
11) Referir para a cirurgia quando:
        a. Foi feita todo o conjunto de abordagens anteriores de forma correta, incluindo a combinação do programa físico com o psicológico e ainda assim a dor persistir;
        b. Não propor técnicas cirúrgicas cuja evidência não demonstra resultados. 

Apesar desta evidência, ainda há muito por demonstrar. Numa revisão sistemática da Cochrane, publicada em 2008, os autores demonstram que a manipulação vertebral não tem resultados superiores às restantes intervenções standard, quer na fase aguda quer na fase crónica.
Julgo que isto demonstra que há ainda que definir/diferenciar melhor as causas da dor lombar não específica, ou seja, se é de causa muscular, articular, discal, de modo a determinar melhor qual o tipo de intervenção. Se desta forma tão generalizada já há evidência de que a terapia manual e o exercício têm uma eficácia comprovada, fará quando essa terapêutica for mais direcionada ao problema. Esta é a minha experiência clínica. A minha evidência clínica diz-me que a eficácia é muito elevada, com um reduzido número de sessões, quer em situações de dor aguda, quer em dor crónica. A intervenção é baseada na terapia manual, no exercício e no ensino (estratégias de educação e entendimento), mas muito específica para o problema em causa.
De um modo geral os fisioterapeutas têm experiência em terapia manual, na prescrição de exercício adequado e na educação e aconselhamento para os problemas musculo-esqueléticos. Esta experiência vem agora ser comprovada pela investigação científica, fazendo da fisioterapia a primeira medida a ser tomada em caso de dor lombar sub-aguda ou crónica. No caso da dor lombar aguda, a evidência ainda não demonstra claramente a vantagem da fisioterapia, mas isso parece-me ter a ver com a forma como são feitos os estudos. Um programa adequado de terapia manual e exercício promovem a correção mecânica do problema, mesmo na fase aguda, com melhores resultados num curto prazo comparativamente às situações em que fazem apenas medicação nesta fase. Esta é a nossa experiência clínica. Na fase aguda, a dor de facto não diminuiu imediatamente, razão pelo qual, pela minha experiência, julgo que um programa combinado de terapia farmacológica com um programa de terapia manual e exercício (estabilização da lombar) serão o método mais eficaz.

Referências:
Roger Chou, MD, and Laurie Hoyt Huffman, MS (2007). “Nonpharmacologic Therapies for Acute and Chronic Low Back Pain: A Review of the Evidence for an American Pain Society/American College of Physicians Clinical Practice Guideline”. Annals of Internal Medicine 2007 Oct 2;147(7):478-91
(Nota: Este estudo é referenciado pela Agencia Americana para a qualidade da Saúde http://www.guideline.gov )
Savigny P, Kuntze S, Watson P, Underwood M, Ritchie G , Cotterell M, Hill D, Browne N, Buchanan E, Coffey P, Dixon P, Drummond C, Flanagan M, Greenough,C, Griffiths M, Halliday-Bell J, Hettinga D, Vogel S, Walsh D. (2009). “Low Back Pain: early management of persistent non-specific low back pain”. London: National Collaborating Centre for Primary Care and Royal College of General Practitioners.  Publicado pela National Institute for Health and Clinical Excellence.
(Nota: A NICE é um organismo independente, responsável por providenciar as orientações clínicas para a melhoria da qualidade na saúde no Reino Unido).
Willem JJ Assendelft, Sally C Morton, Emily I Yu, Marika J Suttorp, Paul G Shekelle (2008). “Spinal manipulative therapy for low-back pain”. The Cochrane Library

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Saiba mais sobre Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica







A 16 de Novembro assinala-se o Dia Mundial da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC). Uma doença que afeta mais de 250 milhões de pessoas no Mundo. Em Portugal, estima-se que, pelo menos, meio milhão sofra desta doença. É uma das principais causas de morbidade e mortalidade, com a expectativa de que prevalência vai aumentar em vez de diminuir, nos próximos anos.
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica é uma doença prevenível e tratável, com efeitos extrapulmonares significativos e co-morbidades importantes.
Pacientes com DPOC queixam-se principalmente de fadiga, dispneia e capacidade funcional reduzida. Além da dispneia, tosse, sibilância, produção de secreção e infeções respiratórias de repetição, consequências sistémicas, tais como descondicionamento, fraqueza muscular, perda de peso e desnutrição são frequentemente observadas. A atividade física na vida diária está significativamente reduzida em comparação com indivíduos saudáveis parados para a sua idade. Problemas emocionais como depressão, ansiedade e isolamento social também são observados.
A principal causa para o surgimento da DPOC está relacionada com o tabagismo e com a exposição ocupacional a poluentes inalados. Há estudos que indicam que o surgimento da DPOC está também relacionado pela deficiência da a1-antitripsina, fator genético.
Sintomas característicos, como a tosse com expetoração persistente ou intermitente, por vezes acompanhada de pieira são muitas vezes desvalorizados. A dispneia progride insidiosamente ao longo de muitos anos, surgindo inicialmente com o esforço e nas agudizações. As infeções respiratórias recorrentes vão-se tornando mais frequentes com a evolução da doença. O exame objetivo é pobre até fases avançadas da doença. É, no entanto, nas fases precoces da doença que a intervenção terapêutica se revela mais eficaz. Nos estádios avançados os doentes adotam posturas de alívio da dispneia, como o apoio nos membros superiores, o recrutamento dos músculos acessórios da respiração, a respiração com lábios semicerrados, a tiragem, a cianose ou os sinais de insuficiência cardíaca direita (ingurgitamento das jugulares, fígado de estase e edemas periféricos).
Se apresenta alguns destes sintomas, fale com o seu médico ou fisioterapeuta para aconselhamento.
A abstinência ou diminuição tabágica é fundamental, sem as quais não é possível travar a irreversível progressão da doença e suspender a inflamação desencadeada pelo fumo do tabaco. Outras medidas preventivas passam pela imunização anual contra a gripe, assim como pela correção precoce das agudizações.
O papel da fisioterapia no tratamento da DPOC inclui abordar questões relativas à redução do trabalho da respiração, remover secreções das vias aéreas, retardar da progressão da obstrução aérea, melhorar mobilidade e promover a reabilitação. O programa de reabilitação destina-se a manter o doente capaz de efetuar as atividades da vida diária.
Um programa de reabilitação personalizado, com aconselhamento médico, é indispensável para o diminuir e evitar os sintomas causados pela DPOC. Quanto mais cedo identificar os sintomas melhor!

Cláudia Pereira,
Fisioterapeuta PHYSIOCLEM
 

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Physioclem participa no Fisiomeeting






A PHYSIOCLEM foi convidada a apresentar o seu testemunho como empresa de sucesso no congresso de Jovens Fisioterapeutas (Fisiomeeting). A apresentação, que decorreu no dia 13 de novembro de 2011, coube a Marco Clemente, um dos sócios fundadores da Physioclem. 
De forma a que a nossa experiência possa servir de exemplo a outras empresas que possam vir a ser criadas, disponibilizamos informação que consideramos relevante: http://www.slideshare.net/luispnascimento/apresentao-physioclem-no-fisiometing


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Garrett McNamara nas mãos da Physioclem




Garrett McNamara é um dos surfistas de ondas grandes mais conceituados do mundo. O extreme Waterman, como também é conhecido, tem percorrido o mundo em busca de novos desafios no mar e conta já muitas proezas, como sobreviver a um tubo monstruoso em Jaws no Inverno de 2003 ou ter sido uma das duas únicas pessoas a surfar ondas tsunami pelo degelo dos glaciares do Alasca no Verão de 2007.





O surfista havaiano Garrett McNamara está na Nazaré até 21 de novembro, numa ação de exploração das potencialidades das ondas das praias do concelho e, em particular, da Praia do Norte.
Esta iniciativa, intitulada “The North Canyon Show by Garrett McNamara”, insere-se na estratégia de promoção internacional da Praia do Norte, enquanto destino privilegiado para a prática de desportos de grandes ondas, levada a cabo pela empresa municipal “Nazaré Qualifica”, em colaboração com a Câmara Municipal da Nazaré.

Nesta sua primeira viagem à Europa, o famoso atleta havaiano tem por missão testar as ondas da Nazaré para a realização, em 2012, de um evento de surf de ondas grandes, na modalidade de “Tow In” (surf rebocado).







Durante a sua estadia em Portugal, Garrett McNamara deixa a sua saúde nas mãos do Fisioterapeuta/Osteopata Luís Nascimento, da Clínica PHYSIOCLEM