quinta-feira, 29 de março de 2012

Physioclem - Especialista em fisioterapia desportiva



O que é a Fisioterapia Desportiva?
A Fisioterapia Desportiva é uma componente da Medicina Desportiva. A sua prática e métodos são aplicados no caso de lesões causadas por atividades desportivas, com o propósito de recuperar e prevenir lesões. Tem como objetivo principal devolver o atleta o mais rápido possível à prática desportiva, após uma lesão.  É também importante a integração do trabalho estático com o treino do indivíduo, através da reeducação dos atos motores específicos da modalidade.

Qual o papel do Fisioterapeuta especializado em Desporto?
O fisioterapeuta, através da avaliação clínica e funcional individualizada do atleta, pode colaborar com o treino, orientando os indivíduos e respetivos treinadores quanto aos possíveis desequilíbrios musculares presentes e o desempenho biomecânico do desporto em questão. O aspeto preventivo no tratamento das lesões desportivas, quer se discuta atividade física de alto desempenho, quer como mero coadjuvante de tratamentos médicos, é de extrema importância. Com a finalidade de atuar preventivamente,  a fisioterapia precisa redirecionar o seu foco de atenção, usualmente centrado nas lesões já instaladas, para situações com possível risco para o aparelho músculo-esquelético.

Quando procurar um Fisioterapeuta desta especialidade?
Sempre que sentir dor, diminuição de força, instabilidade, tensão muscular intensa, procure na PHYSIOCLEM um fisioterapeuta que possa avaliar o grau de gravidade da sua lesão, aconselhar e prestar os primeiros cuidados.  Para retomar a atividade desportiva de forma segura, não basta estar completamente recuperado da sua lesão. É essencial readquirir força, flexibilidade, mobilidade, equilíbrio, coordenação e segurança emocional, para uma prática saudável do exercício físico. Na PHYSIOCLEM encontra fisioterapeutas qualificados para apoiar na prevenção, avaliação e tratamento das lesões dos tecidos moles que estão habilitados a fazer:
• Despiste, aconselhamento, prevenção e tratamento das lesões de natureza traumatológica e ortopédica;
• Programas de exercícios adequados de aquecimento, alongamento, flexibilidade e fortalecimento;
• Imobilizações com objetivos terapêuticos ou de prevenção;
• Seleção de materiais adequados para a prática desportiva, como por exemplo a escolha do calçado;
• Planos de cuidados e de integração progressiva na atividade desportiva.

Fisioterapeuta/Osteopata
Luís Nascimento

domingo, 18 de março de 2012

10 respostas sobre a hérnia discal: previne e trata com osteopata

 
 
 

Artigo publicado na edição de março da revista Sportlife,

por o fisioterapeuta / osteopata Luís Nascimento

Artigo original:

 
 Durante a nossa vida, a prática de atividade física, pode ser prejudicada por um fator que está ou esteve presente na vida da maioria das pessoas, o fenómeno de “ dor nas costas”. Trata-se de uma das queixas mais frequentes na humanidade, estimando-se que entre 65% e 80% da população mundial desenvolvam esta patologia em alguma fase da sua vida. As zonas mais afetadas são a coluna lombar (lombalgia) e a coluna cervical (cervicalgia). Porém, a grande questão consiste em saber as suas causas, como é o caso da hérnia discal. Conhecer a causa da dor, fará com que a mesma seja resolvida com maior eficácia, possibilitando um retorno mais precoce à atividade física. A hérnia discal é um exemplo de uma das causas de dor nas costas.
 
O que é a Hérnia Discal?
A hérnia discal é uma patologia do disco intervertebral, cuja função é amortecer o impacto entre as vértebras e aumentar a mobilidade da coluna. É formado por uma parte mais central, o núcleo pulposo, e uma camada mais externa, o anel fibroso.
A hérnia discal não é mais que a "rotura" do anel com saída do seu conteúdo (o núcleo) para o exterior. O núcleo ao sair pode causar compressão das estruturas neurológicas (por ex.: raiz nervosa), ou apenas inflamação. A deformação do anel sem a sua rotura é denominada de protusão discal (menos grave).
 
Quais as Causas?
A hérnia discal surge quando as fibras do anel fibroso não conseguem suportar a pressão exercida sobre o disco intervertebral. Desta forma, quanto maior for a pressão intervertebral ou mais fracas forem as fibras do anel fibroso, maior será a probabilidade de surgirem hérnias discais.
 Torna-se importante compreender que todas as articulações da coluna vertebral devem ter movimento, pois é desta forma que os discos intervertebrais conseguem ser alimentados. A maior parte do suplemento sanguíneo (oxigénio e nutrientes) chega ao disco intervertebral através do movimento quando o indivíduo tem mais de 25 anos. Quando existe perda ou diminuição do movimento em qualquer parte da coluna, o suplemento sanguíneo também diminui iniciando-se assim, um processo de degeneração. Com o passar do tempo, se o movimento não é restabelecido na articulação, os músculos vizinhos começam a encurtar, perdendo flexibilidade. Esta perda de flexibilidade resultará na diminuição do espaço entre as vértebras, diminuindo também a espessura do disco intervertebral e o aporte de nutrientes e oxigénio ao mesmo. O peso deixa de ser igualmente absorvido e distribuído pela falta de movimento da articulação. Este conjunto de fatores torna o anel fibroso mais vulnerável a roturas, levando à formação da hérnia de disco.
Desta forma, as hérnias podem surgir devido sobrecargas compressivas que levam à degeneração do disco. Podem ser causadas por excesso de peso corporal, défice de mobilidade, alterações posturais, alterações degenerativas da coluna vertebral, traumatismo da coluna levando a compressão dos discos, profissões ou atividades desportivas que exijam levantamento de pesos excessivos por longos períodos de tempo (principalmente se realizados de uma forma inadequada), fraqueza muscular dos estabilizadores da coluna, fatores hereditários, etc.

Quais os Sintomas?
Os sintomas dependem da sua localização. A gravidade da compressão ou lesão da raiz nervosa determina a intensidade da dor ou dos outros sintomas. A dor de uma hérnia discal costuma piorar com o movimento e pode exacerbar-se com a tosse, o riso, a micção ou o esforço de defecação. Os sintomas podem iniciar-se de modo súbito, desaparecer de forma espontânea e reaparecer com intervalos, ou então podem ser constantes e de longa duração.
As hérnias lombares, mais frequentes, podem produzir dor local (lombalgia) ou dor irradiada. A irradiação da dor depende do nervo afetado, sendo muito comum a compressão de uma das raízes que formam o nervo ciático, produzindo a dor ciática  (uma dor que se estende da nádega ao pé). Nas hérnias cervicais a dor também pode ser localizada só no pescoço ou irradiada pelo membro, sendo denominada por cervicobraquialgia (uma dor que se estende do ombro à mão). A hérnia discal cervical pode causar também dor de cabeça, tonturas ou zumbidos. Em ambas pode aparecer parestesias (dormência), perda de força muscular e de sensibilidade. 
Em casos mais graves, uma hérnia discal pode levar ao descontrolo da função intestinal, urinária e sexual, alterando a capacidade sexual, de defecar ou de urinar. Estes sintomas constituem um sinal de compressão medular grave e requerem uma assistência médica urgente.

Qual a diferença entre Hérnia de disco e Protusão discal?
A protusão discal é um estádio inicial da hérnia discal. A evolução natural da protusão discal, se não for tratada corretamente, provavelmente será uma hérnia discal. Na protusão discal, não ocorre herniação, ou seja, o núcleo pulposo empurra o anel fibroso e este, desgastado, dilata-se e comprime o ligamento vertebral comum posterior. Na hérnia discal, ocorre herniação do núcleo pulposo, podendo atravessar o anel fibroso e o ligamento comum posterior, comprimindo as estruturas nervosas adjacentes.

Como se realiza o Diagnóstico?
O diagnóstico da hérnia discal é realizado através de uma correta avaliação clínica do paciente, associada a exames que podem auxiliar, tanto no diagnóstico, como no tratamento. Apesar das radiografias da coluna vertebral poderem mostrar a redução do espaço do disco, apenas a tomografia axial computadorizada (TAC) e a ressonância magnética (RMN) conseguem confirmar o problema. Outras patologias podem provocar sintomas parecidos com os da hérnia discal. Por isso, é importante um correto diagnóstico, para despistar a possibilidade de cálculos renais, tumores e suas possíveis metástases, problemas vasculares, osteoporose, aneurismas, entre outras.

Como posso tratar uma hérnia discal em fase aguda?
Todas as normas de orientação clínica para o tratamento destas condições defendem que a cirurgia a uma hérnia discal só deve ser realizada em situações de clara compressão nervosa com diminuição da sensibilidade e força e/ou quando os tratamentos conservadores não se mostraram efetivos. As mesmas orientações apontam para o recurso a técnicas de terapia manual e exercício como primeira opção de tratamento, após o uso de medicação na fase mais aguda. De entre as técnicas de terapia manual, o tratamento osteopático destaca-se pela sua enorme eficácia. Num estudo sobre a eficácia desta intervenção em 720 doentes, o autor (François Ricard) verificou que utentes com hérnia discal apresentavam bons resultados após tratamento de osteopatia em 90% dos casos, sendo desnecessária a realização de cirurgia. Este estudo refere que, para o tratamento e alívio sintomático deste tipo de situações, podem ser necessárias entre 2 a 7 sessões de tratamento.
Os princípios subjacentes ao tratamento osteopático consistem na promoção de um correto alinhamento dos corpos vertebrais e na normalização da sua mobilidade (geralmente designado por desbloqueio). Desta forma, deixa de haver necessidade de zonas de menor mobilidade serem compensadas por outras de maior mobilidade (criando lesões a longo prazo) e do disco sofrer forças de compressão. A vascularização (irrigação sanguínea) e enervação das zonas afetadas são assim normalizadas. Outro dos objetivos consiste em promover o relaxamento dos músculos espasmados e libertar as tensões dos vários tecidos que possam estar a contribuir para a manutenção do mau posicionamento de uma dada zona ou mesmo de toda a coluna.

O tratamento termina quando já não possuo sintomas?
A maioria das pessoas que sofrem de dor nas costas por hérnia discal pensa que se a sintomatologia diminui ou desaparece, é porque o problema está resolvido, mas a verdade é que isso deve ser apenas o começo da fase de correção/prevenção.
Esta fase dura cerca de 4 a 6 meses e tem como objetivo a melhoria dos fatores que estão na origem da lesão. Durante esta fase o Osteopata utiliza uma combinação de técnicas que visam restabelecer o alinhamento estático e dinâmico da coluna, normalizar a capacidade de movimento em todas as vértebras da coluna e melhorar a flexibilidade dos músculos que se articulam com a mesma.
 Depois de se conseguir melhorar a mobilidade quer articular, quer muscular, é importante iniciar um programa de exercícios para estabilização da coluna, que têm como objetivo recrutar os músculos responsáveis pela estabilidade e proteção da mesma. Estes exercícios podem, numa primeira fase, ser aprendidos e realizados juntamente com o Osteopata/Fisioterapeuta e numa segunda fase, podem ser realizados autonomamente em casa ou em aulas de grupo (ex.: pilates). O ideal é que o utente tenha supervisão durante a realização dos exercícios até que esteja familiarizado com a execução e posicionamentos dos mesmos.
Outro dos principais fatores a ter em conta é a adoção de hábitos saudáveis, como a perda de peso e a adoção de posturas corretas durante a realização das atividades de vida diária.
Nesta fase deve iniciar-se também a realização de atividades aeróbicas, como caminhar, bicicleta ou natação, de forma a melhorar, não só a condição cárdio-respiratória, bem como o fortalecimento dos músculos mobilizadores globais. É importante perceber qual a atividade mais adequada para cada caso. Enquanto algumas compressões por hérnia discal ocorrem durante o movimento de flexão da coluna, outras ocorrem durante a extensão. Desta forma, caso agrave durante a flexão, atividades como a natação e caminhada serão mais indicadas, caso o contrário o indicado é a bicicleta com apoio lombar. Numa fase posterior, e caso seja possível, deve iniciar-se a corrida, de forma lenta e progressiva em terrenos planos e regulares. No final da atividade, devem ser realizados exercícios de alongamento, de modo a manter a flexibilidade muscular e a mobilidade de todas as articulações do corpo.

Quando termina a fase de prevenção?
A fase de prevenção é para o resto da vida. Tal como temos que lavar os dentes todos os dias para manter uma correta higiene oral, também devemos realizar atividades que nos permitam uma “correta higiene postural”. Portanto, como o processo de envelhecimento é natural e inevitável, e na maioria vezes temos vidas sedentárias e posturas incorretas, a melhor forma de evitar a dor nas costas por hérnia discal é a prevenção.

Se não efetuar qualquer tratamento, o que pode acontecer?
Em alguns casos e numa fase aguda, os sintomas podem aliviar, no entanto mantêm-se sempre alguns sintomas. A opção de aguentar as dores e os outros sintomas sem fazer nada ou tomando medicação para o alívio da dor, apenas contribuirá para a manutenção do problema já existente, o que mais tarde se poderá refletir num possível agravamento do problema.
Quanto mais precoce for a intervenção e mais cedo o doente tiver a noção sobre o que fazer e como fazer, melhor será a sua eficácia.
 

quinta-feira, 15 de março de 2012

Lesões Musculoesqueléticas mais frequentes em cada trabalho




A designação Lesões Músculo Esqueléticas Relacionadas ou Ligadas ao Trabalho (LMERT ou LMELT) inclui um conjunto de doenças profissionais altamente incapacitantes, inflamatórias e degenerativas do sistema locomotor (isto é, músculos, tendões, ossos, cartilagem, ligamentos, nervos e sistema vascular periférico), que resulta da ação de fatores de risco profissionais como a repetitividade, a sobrecarga e/ou a posturas adotadas durante o trabalho.

As LMERT são uma das maiores causas de lesão industrial e são problemáticas pela incapacidade que provocam no trabalhador e pelo que custo que trazem às organizações em produção perdida, absentismo por doença, seguros e outros. Em suma, trata-se de um problema individual, organizacional e social com custos incalculáveis. (Bernard (1997) citado por Santos J. (2009)). 


Prevalência:

Um estudo epidemiológico de 2010, sobre a prevalência de LMERT, em Portugal, cujos principais autores são o Dr. Luís Cunha Miranda, médico reumatologista do Instituto Português de Reumatologia, e o Prof. Jaime Branco, Coordenador do Programa Nacional contra as Doenças Reumáticas, destaca que 5,9% dos trabalhadores têm lesões clinicamente relevantes, de acordo com o médico de trabalho. 
Segundo este estudo, a lesão mais prevalente é a lombalgia, seguida de outras raquialgias1 (cervicalgia2 e dorsalgias3). As demais lesões reportam-se ao membro superior, com mais casos de tendinite do ombro.
A prevalência das lesões aumenta com a idade e varia entre setores económicos de atividade e profissões. Trabalhadores com idades inferiores ou próximas dos 40 anos sentem mais problemas, sobretudo na coluna cervical e ombros, os operadores mais velhos com a idade desenvolvem estratégias de proteção.
  1. Lombalgia: aparecimento de dor na região lombar da coluna vertebral;
  2. Cervicalgia: caracterizada por dor rigidez na região cervical;
  3. Dorsalgia: é a dor sentida na região dorsal da coluna.  

 

Fatores de risco


Diferentes grupos de fatores de risco contribuem para as LMERT. Segundo a agência europeia para a segurança e saúde no trabalho, os fatores de risco subdividem-se em fatores físicos e mecânicos, fatores organizacionais, psicossociais e individuais e fatores pessoais. Os trabalhadores estão geralmente expostos a vários fatores em simultâneo que quando somados podem levar ao aparecimento de lesões. De entre os fatores de risco podemos destacar: 
  • Fatores físicos:
- Fazer grandes cargas de força (levantar, carregar, puxar, empurrar; uso de ferramentas);
- Movimentos repetitivos em alta frequência;
- Posturas estáticas (de joelhos, de cócoras, em flexão; mãos acima do nível do ombro; posturas prolongadas de pé ou sentado).
  • Perigos físicos e ambientais:
- Maior nível de vibração de corpo inteiro, por exemplo, condução dumper;
- Maior nível de vibração mão-braço;
- Pressão local de ferramentas, bordas e superfícies pontiagudas;
- Baixa temperatura e/ou humidade, em combinação com roupa inadequada;
- Má iluminação.
  • Riscos mecânicos:
- Quedas; cortes, sobrecarga física (forças elevadas).

  •  Fatores organizacionais e psicológicos:

- Trabalho exigente e de grande esforço, falta de tempo de lazer;

- Alta pressão de tempo; horas extras frequentes;

- Trabalho repetitivo ou monótono, a um ritmo elevado;

- Falta de controle sobre as tarefas executadas e baixos níveis de autonomia;
- Falta de apoio dos colegas, supervisores e gerentes;
- Os baixos níveis de satisfação no trabalho;
- Os baixos níveis de segurança do trabalho.
  • Fatores individuais:
- História médica prévia; predisposição genética;
- Idade (trabalhadores mais jovens ou mais velhos);
- Reduzida capacidade física/fitness, obesidade, fumador, personalidade;
- Pouco tempo para atividades de lazer.
Quais os sintomas das LMERT?
  • Dor, quase sempre localizada, mas que pode irradiar para outras áreas corporais;
  • Sensação de “dormências” ou “formigueiros” na área afetada ou em áreas próximas;
  • Sensação de “peso”;
  • Fadiga ou desconforto;
  • Sensação ou mesmo perda de força.
Na maioria dos casos, os sintomas surgem gradualmente, agravam no final do dia de trabalho ou durante os picos de produção e aliviam com as pausas, o repouso e nas férias.
Se as exposições aos fatores se mantiverem, os sintomas, que inicialmente são intermitentes, tornam-se gradualmente persistentes, prolongando-se muitas vezes pela noite, mantendo-se mesmo por períodos de repouso e interferindo não só com a capacidade de trabalho, mas também nas atividades do dia a dia.
Quando as situações evoluem para uma fase crónica, pode surgir também inchaço da zona afetada ou mesmo hipersensibilidade a todos os estímulos, como, por exemplo, um simples toque, um ligeiro esforço ou diferenças de temperatura.

Classificação das LMERT:

Classificação consoante a estrutura afetada: 
  • Tendinites ou tenossinovites: são lesões inflamação ou irritação, localizadas ao nível dos tendões e bainhas tendinosas. Os tendões são espessas cordas fibrosas que prendem os músculos aos ossos e servem para transmitir a força de contração muscular necessária para mover o osso. Ex: tendinite do punho, epicondilite e os quistos da bainhas dos tendões.

Ilustração - Tendão e bainha tendinosa
 
  • Síndromes caniculares: há lesão de um nervo, como acontece no Síndrome do túnel Cárpico e no Síndrome do canal de Guyon,
  • Raquiahgiashá lesão osteoarticular e/ou muscular, ao longo de toda a coluna vertebral ou em alguma parte desta;
  • Síndromes neurovasculares: há lesão nervosa ou vascular em simultâneo.

Classificação, segundo a localização anatómica da lesão:

As LMERT, geralmente, localizam-se no membro superior e na coluna vertebral, mas podem ter outras localizações, como as ancas, joelhos tornozelos ou pés, dependendo a área do corpo afetada da atividade de risco desenvolvida pelo trabalhador.

As LMERT mais comuns são:

  • Tendinite da coifa de rotadores: É uma das mais frequentes patologias do ombro e resulta de atividades que exigem a elevação mantida ou repetida dos membros superiores ao nível dos ombros ou acima deles ou ainda da realização de movimentos de circundução com os braços elevados.
  • Epicondilite e epitrocleíte: A epicondilite e a epitrocleíte são tendinopatias que surgem pela sobrecarga do cotovelo, em resultado de gestos repetitivos ou manipulação de cargas excessivas ou mal distribuídas.
  • Tendinites do punho: As tendinites ou tenosinovites do punho são desencadeadas pela realização de movimentos repetidos de flexão/extensão do punho e dedos.
  • Síndrome do Túnel Cárpico: A Síndrome do Túnel Cárpico é uma neuropatia, isto é, uma lesão de um nervo periférico, provocada pela compressão do nervo mediano no túnel cárpico, uma estrutura em forma de canal existente ao nível do punho, formada por uma combinação de ligamentos, tendões e pequenos ossos, os ossos do carpo. Dependendo do estado da doença, os sintomas podem variar, desde uma sensação de peso no membro afetado até dores insuportáveis, rigidez, inchaço local, sensação de pressão, atrofia dos dedos e invalidez.
As posições de extensão excessiva do punho ou de hiperflexão são algumas das causas da síndrome do túnel cárpico
Ilustração - Alinhamentos corretos e incorretos do punho.

  • Raquialgias e/ou hérnias discais: As raquialgias, geralmente chamadas de dores nas costas ou das “cruzes”, são queixas associadas ao trabalho. Os sintomas variam com a zona afetada em cervicalgia, dorsalgia ou lombalgia. As lombalgias e as cervicalgias são as queixas mais frequentes. As posturas prolongadas de pé, os movimentos frequentes de flexão e de extensão da coluna, o mau manuseamento e transporte de cargas, a postura de sentado ao computador, muitas vezes, sem apoio da coluna, são causas possíveis de raquialgias, e/ou de hérnias discais. As hérnias discais correspondem à saída da substância gelatinosa do núcleo pulposo por rompimento das camadas fibrosas que circundam o núcleo. O que pode gerar episódios de dor e/ou formigueiros pelos braços ou pernas.

Hérnia discal e sobrecarga discal em função da postura

  Outras LMERT:

  • Síndrome do conflito de desfiladeiro torácico;
  • Síndrome do canal radial;
  • Síndrome do canal Cubital;
  • Bursite do Cotovelo;
  • Síndrome do canal de Guyon;
  • Doença de De Quervain;
  • Bursite patelar;

  Como prevenir as LMERT?

O aspeto mais importante do programa de prevenção das LMERT é a participação de todos os trabalhadores da empresa, incluindo órgãos de administração/gestão e chefia. A prevenção das LMERT é um problema de todos e não só dos trabalhadores com doença ou lesão.
Segundo a Agência Europeia para a Segurança e a Saúde no Trabalho, para combater as LMERT é necessária uma abordagem de gestão integrada, que deve considerar quer a prevenção de novos distúrbios, quer a reabilitação e reintegração dos trabalhadores que já sofrem de LMERT.
As medidas de prevenção incluem pausas para descanso, diminuição da sobrecarga muscular, diversificação das tarefas e adequação ergonómica do mobiliário, máquinas e ferramentas. Posturas corretas, durante as atividades traumatizastes, são importantes para prevenir lesões reincidentes. 
A fisioterapia ajuda na melhoria da dor aguda e os anti-inflamatórios ajudam no controlo do processo inflamatório. Pausas de descanso, com exercícios de relaxamento e compensação dos músculos (Ginástica Laboral), são uma prevenção eficaz das LMERT. Uma vez controlada a crise aguda, deve ser iniciado um trabalho de prevenção e correção postural.
Melhorar a ergonomia e a condição física são fundamentais no sentido de prevenir novas lesões ou recorrência das antigas. Os casos mais graves requerem, em geral, cirurgia mais a combinação de descanso, medicação, fisioterapia e terapia ocupacional, que tem alcançado grande taxa de sucesso nos casos menos graves.

Como a Physioclem pode ajudar:

  1. Análise ergonómica dos postos de trabalho;
  2. Aconselhamento;
  3. Formação/informação junto dos trabalhadores;
  4. Tratamento dos sinais e sintomas;
  5. Correção postura;
  6. Ginástica laboral como prevenção das LMERT.
Vânia Santos
Fisioterapeuta Physioclem