quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Fisioterapia pré-operatória é fundamental na recuperação após reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior



A reabilitação pré-operatória do Ligamento Cruzado Anterior (LCA), também conhecida como pré-reabilitação, ainda não é uma prática comum em Portugal. No entanto, este é um processo crucial para o sucesso da reabilitação de uma ligamentoplastia do LCA. O processo de reabilitação pré-operatório é crucial para o sucesso da recuperação após cirurgia. Este processo tem cinco objetivos principais: 
(1) Preparação física do paciente para cirurgia; 
(2) Preparação psicológica do paciente para cirurgia; 
(3) Redução do risco de complicações pós-operatórias; 
(4) Aumentar a probabilidade de retorno bem-sucedido à atividade de alto nível após a cirurgia;
(5) Minimização do risco de uma recidiva do LCA.

Após o diagnóstico de rotura do LCA, é fundamental a escolha do momento adequado para a realização da cirurgia. A reconstrução do LCA pode ser realizada de 2 formas: 1) logo após o diagnóstico - nesta condição o joelho está frequentemente edemaciado, com diminuição da amplitude articular, hemartrose e inibição dolorosa do quadricípite; 2) após programa de reabilitação pré-operatória – nesta condição o paciente aguarda a cirurgia até o momento em que o joelho esteja nas condições ideais. 

Shelbourne e colaboradores1 realizaram um estudo referente à taxa de desenvolvimento de artrofibrose numa análise retrospetiva de 169 reconstruções LCA divididas em 3 grupos com base no tempo de lesão até à cirurgia. Houve uma taxa de artrofibrose de 17% em pacientes submetidos a cirurgia entre 0 e 7 dias após a lesão e uma taxa de 11% em pacientes que foram operados 8 a 21 dias após a lesão do LCA e 0% quando a cirurgia foi realizada mais de 21 dias após a lesão. Deste modo, verifica-se que a realização da cirurgia numa fase precoce, após lesão do LCA, aumenta o risco de desenvolvimento de artrofibrose. Guerra e restantes colaboradores2 investigaram a relação entre o tempo de espera até à cirurgia e a incidência de artrofibrose. Em ambos os casos (cirurgia imediata ou cirurgia retardada)  foi verificada uma taxa de artrofibrose de aproximadamente 4%. Estes autores defendem que a definição do momento da reconstrução cirúrgica deve ser individualizado para cada paciente e não deve ser baseado apenas num qualquer período de tempo após lesão do LCA.


Uma revisão sistemática3, que incluiu 8 estudos e 451 pacientes, concluiu que a fisioterapia pré-operatória no LCA realizada durante 3 a 14 semanas contribui mais eficazmente para a melhoria da força e funcionalidade para pacientes com reconstrução do LCA no período de 3, 6 e 12 meses pós-operatório do que em comparação com o grupo de controlo.

Para complementar esta evidência, outro estudo refere que os pacientes com lesão do LCA obtiveram scores de funcionalidade pré-operatórios superiores (escala KOOS) apresentavam melhores resultados pós-operatórios 3-6 anos4. A reabilitação progressiva a curto prazo mostrou ser bem tolerada após lesão aguda do LCA e fundamental na funcionalidade do joelho antes da reconstrução ou no primeiro passo na gestão pré-cirurgica5.  

Em relação ao tempo de espera, entre a lesão e a cirurgia, existe uma grande divergência na literatura, no entanto, aproximadamente 21 dias têm sido apontados como o tempo adequado para atingir esses objetivos1,6. Contudo, nesta decisão não entra apenas uma medida de tempo, mas também uma série de outros fatores devem ser tidos em conta. 

Um estudo verificou que os indivíduos que tinham diferenças de força de quadricípite comparada com o membro contra-lateral superiores a 20% antes da cirurgia, tiveram diferenças ao nível da força 2 anos após a cirurgia de reconstrução do LCA7. Isso levou os autores a concluir que a cirurgia não deve ser realizada até que o défice de força do quadricípite do membro lesado seja superior a 80% do membro contra-lateral. Um outro estudo refere que os indivíduos com melhor ativação de quadricípite pré-operatória demonstraram maior atividade pós-operatória. Da mesma forma, indivíduos com mais força pré-operatória demonstraram uma maior força pós-operatória. Do ponto de vista clínico, esse estudo indica que antes da reconstrução do LCA devem ser realizados exercícios de ativação e fortalecimento do quadricípite, com o objetivo de maximizar esses fatores pós-reconstrução LCA, pois a ativação pré-operatória e a força estão relacionadas com a ativação e força pós-operatória, respectivamente8.
Outro fator que dever ser tido em conta é a amplitude articular do joelho, sendo recomendável que apresente antes da cirurgia 0o de extensão a 120o/125o de flexão do joelho. McHugh refere que o défice de extensão total é um preditor de défice de extensão pós-operatória9.

O processo de reabilitação pré-operatório, deve ser realizado sempre que possível e necessário, com os seguintes objetivos terapêuticos: 
• Informar o paciente sobre o processo de reabilitação;
• Diminuir dor, edema e inflamação;
• Melhorar/manter a amplitude de movimento normal com foco na boa mobilidade patelar;
• Melhorar /manter padrão de marcha normal;
• Melhorar/manter a força muscular e ativação muscular;
• Ensinar e treinar os exercícios pós-operatórios de primeiros dias, enfatizando a importância da extensão total;
• Ensinar e treinar a realização de marcha com o auxiliares de marcha para os primeiros dias de pós-operatório.
Em conclusão, torna-se evidente que a fisioterapia pré-operatória melhora a funcionalidade do joelho e a força no pós-operatório e reduz o risco de artrofibrose. O tempo que decorre até à realização da cirurgia tem sido tema de debate, no entanto a não ser que se esteja a falar de um atleta profissional que necessite de retornar à atividade o mais rapidamente possível, tem-se demonstrado que a opção pela cirurgia retardada é a mais eficaz desde que se verifiquem os seguintes critérios: 
  • Reação sinovial mínima10;  
  • Extensão completa do joelho (0o) 10;
  • Flexão do joelho de 120o/125o e boa mobilidade patelo-femural8;
  • Controlo ativo do quadricípite e correto padrão de marcha11;
  • Défice de força de quadricípite de apenas 20% quando comparado com o membro contra-lateral6,12
Ao longo do processo de reabilitação pré-operatória, devem ser utilizados os seguintes métodos de avaliação:
  • Stroke Test;
  • Amplitude articular passiva (patelo femoral e tibiofemoral);
  • Escala Visual Análoga (EVA);
  • Escala de Funcinalidade (IKDC e/ou KOOS); 
  • Escala de Cinesiofobia (TSK-13);
  • Avaliação da força do quadricípite e isquiotibiais.

Autor: Fisioterapeuta Luis Nascimento       

  1. Shelbourne KD, Wilckens JH, Mollabashy A, et al. Arthrofibrosis in acute anterior cruciate ligament reconstruction. The effect of timing of reconstruction and rehabilitation. Am J Sports Med 1991;19:332–6.
  2. Guerra JJ, Joyce ME, Wilk KE, et al. Increased prevalence and severity of intra-articular damage when ACL reconstruction is delayed. AAOS: Sports Medicine Speciality Day (62nd Annual Meeting). Atlanta (GA), Feburary 16, 1996.
  3. Alshewaier S, Yeowell G, Fatoye F. The effectiveness of pre-operative exercise physiotherapy rehabilitation on the outcomes of treatment following anterior cruciate ligament injury: A systematic review. Clinical rehabilitation 2016 Feb 15.
  4. Mansson O, Kartus J, Sernert N. Pre-operative factors predicting good outcome in terms of health-related quality of life after ACL reconstruction. Scandinavian journal of medicine & science in sports. 2013 Feb;23(1):15-22. 
  5. Eitzen I, Moksnes H, Snyder-Mackler L, et al. A progressive 5-week exercise therapy program leads to significant improvement in knee function early after anterior cruciate ligament injury. J Orthop Sports Phys Ther 2010;11:705–21.
  6. Meighan AA, Keating JF, Will E. Outcome after reconstruction of the anterior cruciate ligament in athletic patients. A comparison of early versus delayed surgery. J Bone Joint Surg Br 2003;85:521–4.
  7. Eitzen I, Holm I, Risberg MA. Preoperative quadriceps strength is a significant predictor of knee function two years after anterior cruciate ligament reconstruction. British journal of sports medicine. 2009 May;43(5):371-6. 
  8. Lepley LK, Palmieri-Smith RM. Pre-operative quadriceps activation is related to post-operative activation, not strength, in patients post-ACL reconstruction. Knee Surg Sports Traumatol Arthrosc. 2016 Jan;24(1):236-46.
  9. McHugh MP, Tyler TF, Browne MG, et al. Electromyographic predictors of residual quadriceps muscle weakness after anterior cruciate ligament reconstruction. AmJ Sports Med 2002;30:334–9.
  10. McHugh MP, Tyler TF, Gleim GW, et al. Preoperative indicators of motion loss and weakness following anterior cruciate ligament reconstruction. J Orthop Sports Phys Ther 1998;27:407–11.
  11. Quelard B, Sonnery-Cottet B, Zayni R, et al. Preoperative factors correlating with a prolonged range of motion deficit after anterior cruciate ligament reconstruction. Am J Sports Med 2010;38:2034–9.
  12. de Jong SN, Caspel DR, van Haeff MJ, et al. Functional assessment and muscle strength before and after reconstruction of chronic anterior cruciate ligament lesions. Arthroscopy 2007;23:21–8.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

"Dá-me prazer sonhar com as ideias e fazê-las crescer"



O nosso fisioterapeuta Marco Clemente é o rosto da primeira edição da Bwizer Magazine. Leia a entrevista, clicando nas imagens (melhor resolução), e conheça o homem que um dia sonhou com a Physioclem. 





 - Novembro de 2017 -



sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Fisioterapeutas participam em curso da Liga Portuguesa Contra o Cancro




As nossas fisioterapeutas Sara Lourenço (Alcobaça), Jessica Margarido (Caldas da Rainha) e Joana Vieira (Leiria) participaram no curso "Tratamento Físico do Edema - Fisioterapia em Oncologia", organizado pela Liga Portuguesa Contra o Cancro, tendo como base o Método Leduc. A formação decorreu entre os dias 25 e 30 de novembro. 

Sara Lourenço testemunha que foi uma semana enriquecedora e de ganho de competências na área da Drenagem Linfática em Oncologia, bem como na área da estética. 
Sob a condução do Professor Doutor Nuno Duarte, as fisioterapeutas sentem-se felizes pela conclusão do 1º módulo deste curso, ansiando já pelo próximo. "Trata-se de uma excelente ferramenta de trabalho em prol de utentes que beneficiam deste tipo de terapia", acrescenta.




I Módulo
• Fisiologia do sistema linfático
• Anatomia estrutural do sistema linfático
• Anatomia topográfica do sistema linfático (membro superior, m
embro inferior, cabeça e pescoço, órgãos genitais)
• Fisiopatologia do sistema linfático
• Drenagem linfática manual (membro superior, membro inferior, cabeça e pescoço, órgãos genitais)
• Teoria e prática de bandas multicamadas (membro superior, inferior, cabeça e pescoço, contenção do edema genital)
• Contracção muscular no tratamento do linfedema
• Pressoterapia no tratamento do linfedema  
• Prevenção do linfedema  
• Diagnóstico em linfologia  
• Avaliação do edema
• Fase de manutenção no tratamento do linfedema  
• Casos clínicos
• Drenagem linfática manual em estética


Método Leduc
O Prof. Albert Leduc criou e desenvolveu um método de tratamento para o linfedema com bases científicas, sendo actualmente aceite pela prática médica científica. Ao longo das últimas décadas, o Prof. Leduc, tem sido convidado por diferentes instituições a nível internacional, para o ensino do seu método. Foi, ainda, fundador do Grupo Europeu de Linfologia (GEL), sendo actualmente membro honorário da E.S.L (Sociedade Europeia de Linfologia). 


O II Módulo decorre de 6 a 8 de janeiro de 2018.



segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Andar descalço na infância traz saúde?



O Ser Humano constitui a espécie que domina a locomoção bípede, em consequência o pé do Homem tem vindo a evoluir de forma a servir de base a uma marcha especializada. Por si só o pé é composto por 26 ossos, 33 articulações e 19 músculos, dispostos de modo a formar um arco longitudinal capaz de suportar a carga, espalhar pelo pé as forças experimentadas durante a marcha e deste modo controlar o equilíbrio e o movimento. 

A maioria da bibliografia relata que o desenvolvimento do arco plantar ocorre principalmente entre os 6 e os 8 anos, ainda que haja referências relativas a alterações morfológicas importantes durante a adolescência. Estudos realizados revelam que o calçado pode interferir com a capacidade funcional do pé humano com consequente alteração da marcha, por outro lado sugere-se que andar descalço reforça os músculos plantares, melhora a mobilidade do pé e aumenta a área de contato da planta ao solo, pelo que a distribuição das pressões é mais uniforme e numa maior área o que pode reduzir o risco de alterações anatómicas e funcionais do pé durante o desenvolvimento e em consequência na idade adulta.


Os pés são um dos principais elementos de equilíbrio do corpo, os seus receptores recebem e enviam estímulos para o sistema nervoso, que os processa e que por sua vez envia informação no sentido descendente, o que regula a pressão e a distribuição da carga destes em relação ao solo e ao centro de gravidade. Visto isto as informações podais regulam não só a sua a posição como também dos outros segmentos do corpo, pelo que qualquer alteração destes pode conduzir a modificações da postura e possíveis sintomas à distância.


Podemos ainda fazer referência à capacidade do pés respirarem quando descalços e deste modo evitar ou reduzir a incidência de fungos que se desenvolvem em ambientes mais húmidos e quentes.
Visto isto, defende-se que é positivo proporcionar momentos de pé descalço às crianças e adolescentes de forma a melhor desenvolver a arcada plantar e proporcionar força muscular, uma melhor mobilidade e distribuição da carga por todo o pé prevenindo deformações dos pés e corpo, em particular coluna. Deste modo, pode ainda prevenir o aparecimento de fungos dos pés e unhas. Podemos ainda referir o prazer que as crianças sentem quando andam descalças, o que pode proporcionar momentos de relaxamento.



terça-feira, 17 de outubro de 2017

Atleta e treinadora de papel recomenda tratamento com EPI





"São impressionantes os resultado do tratamento com Eletrólise Percutânea Intratisular (EPI). Como jogo Padel de alta competição e dou bastantes aulas, submeto o cotovelo a excessos de carga. Nos últimos dois anos, as dores aumentaram de tal ordem que me afastaram, durante seis meses, do campo. Após as primeiras sessões de tratamento, na Physioclem, senti a diferença. Regressou a confiança e conforto para pegar na raquete e voltar ao meu desporto, ao meu trabalho. Atualmente, mantenho o plano de exercícios indicados pelos fisioterapeutas e tenho conseguido manter os meus níveis de atividade”, testemunha a atleta Susana Dias.

Focada em aumentar a qualidade e a eficácia dos tratamentos, a Physioclem aposta na utilização da Eletrólise Percutânea Intratisular. Trata-se de uma técnica invasiva que, a partir de uma corrente galvânica, tem a capacidade de regenerar os tecidos inflamados/fibrosados. O seu princípio consiste em reiniciar o processo inflamatório para que, combinado com os estímulos externos e internos corretos sobre os tecidos lesados, este possa induzir uma correta cicatrização. Trata-se de uma técnica ecoguiada e realiza-se com a introdução de uma pequena agulha de acupuntura no local lesado, devidamente identificado, fazendo pequenas descargas elétricas.

Quais as lesões que podemos tratar com esta técnica?
  • Lesões musculares (roturas agudas e/ou crónicas);
  • Ombro doloroso (lesões do tendão da coifa dos rotadores);
  • Tendinopatías do tendão rotuliano e aquiles;
  • Lesões do cotovelo (epicondilite e epitroclite);
  • Lesões dos Ligamentos (entorses do joelho e tornozelo);
  • Fascites plantares;
  • Neuropatías compresivas (túnel do carpo por compressão do nervo mediano ou ciáticas por compressão do nervo ciático)
  • Lesões da coluna vertebral (hérnia discal lombar);
  • Periostite tibial.

O sucesso do tratamento depende, também, de uma análise cuidada da biomecânica corporal, bem como da prescrição correta de exercícios. Alguma dúvida sobre este tratamento, contacte o seu fisioterapeuta.



terça-feira, 5 de setembro de 2017

Ginástica Abdominal Hipopressiva: treino da musculatura postural e coordenação respiratória



Além das aulas de Pilates Clínico e de SGA (Stretching Global Ativo), a Physioclem convida-o ainda experimentar a Ginástica Abdominal Hipopressiva, acompanhada pela professora Joana Neto. As aulas de grupo decorrem na Rua Miguel Torga, em Leiria. As inscrições estão abertas*!


O QUE É A GINÁSTICA ABDOMINAL HIPOPRESSIVA?
É um sistema de treino direcionado para o treino da musculatura postural e coordenação respiratória, que, também ele, mantém o foco nos músculos da parede abdominal e do pavimento pélvico, sem aumentar a pressão intra-abdominal.
Deste modo, a sua especificidade de treino baseia-se num ritmo respiratório controlado, combinado com posturas de contração isométrica e intervalos de apneia respiratória, conduzindo à melhoria do tónus muscular, relaxamento e correção postural.

EM QUE CONDIÇÕES?
-Disfunções do pavimento pélvico: como a Incontinência urinária e o Prolapso dos órgãos pélvicos;
- Dor lombar;
- Perímetro abdominal e diástase abdominal exacerbados;
- Insuficiência venosa;
- Flacidez abdominal;
- Desregulação do trânsito intestinal.

QUAIS OS SEUS BENEFÍCIOS?
- Redução do perímetro abdominal;
- Melhoria do alinhamento corporal;
- Recuperação da diástase abdominal;
- Fortalecimento dos músculos abdominais e do pavimento pélvico;
- Melhoria da circulação sanguínea;
- Melhoria da capacidade respiratória;
- Melhoria da condição física;
- Melhoria da regulação do trânsito intestinal;
- Melhoria da função sexual.


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Fisioterapeuta Joana Neto - CV
Licenciada em Fisioterapia pela Escola Superior de Saúde de Leiria (2016)
Formação em Pilates Clínico Matwork MW1 e MW3 com certificação APPI, pela Bwizer (2016)
Formação em Terapias Miofasciais, pela Bwizer (2016)
Formação em Ginástica Abdominal Hipopressiva pela Low Pressure Fitness (2016)
Formação em Stretching Global Ativo: RPG aplicado ao Desporto, pela Bwizer (2017)
Formação no método de Introdução ao Conceito de Bobath em Pediatria pela Formaterapia (2017)

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*Informações e inscrições sobre as aulas
As aulas decorrem na Rua Miguel Torna, lote 35, loja 33, em Leiria.
Mais informações e inscrições através do número 244 109 427 ou do email ana.amado@physioclem.pt



Saiba tudo o que o Pilates Clínico pode fazer por si




Na Rua Miguel Torga, em Leiria, a Fisioterapeuta Joana Neto* está também à sua espera para as aulas de Pilates Clínico, que reeducam, fortalecem e relaxam o seu corpo. Deixe-nos olhar pelas suas costas!

O QUE É O PILATES CLÍNICO?
Define-se como um método de controlo muscular, tendo como principal foco a manutenção e fortalecimento da musculatura estabilizadora da coluna, aliando-se a componentes de concentração, correção postural e coordenação respiratória, através de movimentos precisos e fluídos, permitindo o trabalho conjunto do corpo e da mente.
Pode ser realizado no solo, em equipamentos específicos ou com utensílios próprios, de modo a personalizar-se a intervenção adequada à condição do indivíduo e à sua progressão.

A QUEM SE DESTINA?
A indivíduos com ou sem disfunção, com alterações posturais, diminuição de flexibilidade e com dor de coluna, que pretendam reeducar, fortalecer e relaxar o seu corpo.

QUAIS OS SEUS BENEFÍCIOS?
- Correção postural Global;
- Diminuição de dor e desconforto;
- Aumento a flexibilidade através do alongamento global;
- Fortalecimento da musculatura profunda e superficial;
- Promoção da relação entre o corpo e mente;
- Promoção do processo de recuperação;
- Otimização da eficiência dos padrões de movimento, reduzindo o risco de lesões;
- Alívio de stress e melhoria de auto estima.

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Fisioterapeuta Joana Neto - CV
Licenciada em Fisioterapia pela Escola Superior de Saúde de Leiria (2016)
Formação em Pilates Clínico Matwork MW1 e MW3 com certificação APPI, pela Bwizer (2016)
Formação em Terapias Miofasciais, pela Bwizer (2016)
Formação em Ginástica Abdominal Hipopressiva pela Low Pressure Fitness (2016)
Formação em Stretching Global Ativo: RPG aplicado ao Desporto, pela Bwizer (2017)
Formação no método de Introdução ao Conceito de Bobath em Pediatria pela Formaterapia (2017)

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*Informações e inscrições sobre as aulas
As aulas decorrem na Rua Miguel Torna, lote 35, loja 33, em Leiria.
Mais informações e inscrições através do número 244 109 427 ou do email ana.amado@physioclem.pt



Previna lesões e melhore a flexibilidade com Stretching Global Ativo




Na Physioclem, também encontra aulas de SGA, para que a sua postura seja a mais correta. Conheça os benefícios desta ferramenta, que destina-se a todos os indivíduos que apresentam alterações estruturais e desequilíbrios musculares. As inscrições estão abertas*!

O QUE É O SGA (Stretching Global Ativo)?
É uma ferramenta de correção postural, que nasceu da Reeducação Postural Global, criada por Philippe Souchard. Esta caracteriza-se pelo trabalho corporal direcionado às deformidades corporais e no alongamento de cadeias musculares retraídas, e torna-se uma alternativa aos alongamentos tradicionalmente conhecidos.
Assim, através da conjugação do estiramento muscular e do controlo respiratório, cada indivíduo participa ativamente num alongamento progressivo e não forçado com auto posturas, de modo global, pelo recrutamento simultâneo de vários músculos, sempre de acordo com as suas necessidades específicas.

A QUEM SE DESTINA?
A todos os indivíduos que apresentem alterações estruturais e desequilíbrios musculares, e que pretendam corrigi-los, bem como, melhorar a sua condição geral no dia a dia ou em contexto de treino desportivo, prevenir dores e desconforto corporal, prevenir lesões e melhorar a sua flexibilidade.

QUAIS OS BENEFÍCIOS?
- Melhoria da flexibilidade global;
- Diminuição a tensão muscular;
- Melhoria da postura e alinhamento corporal;
- Potencia ao desaparecimento das compensações e rigidez específicas;
- Potencia a ação muscular e o correto desempenho biomecânico.

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Fisioterapeuta Joana Neto - CV
Licenciada em Fisioterapia pela Escola Superior de Saúde de Leiria (2016)
Formação em Pilates Clínico Matwork MW1 e MW3 com certificação APPI, pela Bwizer (2016)
Formação em Terapias Miofasciais, pela Bwizer (2016)
Formação em Ginástica Abdominal Hipopressiva pela Low Pressure Fitness (2016)
Formação em Stretching Global Ativo: RPG aplicado ao Desporto, pela Bwizer (2017)
Formação no método de Introdução ao Conceito de Bobath em Pediatria pela Formaterapia (2017)

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*Informações e inscrições sobre as aulas
As aulas decorrem na Rua Miguel Torna, lote 35, loja 33, em Leiria.
Mais informações e inscrições através do número 244 109 427 ou do email ana.amado@physioclem.pt

Aulas de grupo: correção postural vs coluna saudável



Estima-se que a Dor Lombar, em Portugal, afete 40% população, e que pelo menos 70% dos indivíduos ao longo da sua vida terão um episódio de dor na coluna, relacionados, maioritariamente, com a postura incorreta, estilos de vida inadequados e disfunções associadas.

Por sua vez, condições como a Incontinência Urinária, a “descida” de orgãos pélvicos, complicações pós-parto, consequências da gravidez, idade avançada, excesso de peso, menopausa e prática de musculação, afetam cerca de 20% dos Portugueses.

Face a estes números e com o objetivo de prevenir e minimizar os sintomas dolorosos da coluna, a Physioclem convida-o a experimentar as aulas de Pilates Clínico, Ginástica Abdominal Hipopressiva e SGA (Stretching Global Ativo), pela Fisioterapeuta Joana Neto*, na Rua Miguel Torga. As inscrições estão abertas!

O QUE PODERÃO TER EM COMUM AQUELAS PATOLOGIAS? 
Ambas de elevada frequência, podem ter a sua origem numa Disfunção do Pavimento Pélvico, que é caracterizada pela ineficiente ativação dos músculos pélvicos.

O QUE É O PAVIMENTO PÉLVICO?
O Pavimento Pélvico é constituído por vários músculos, que se situam na região pélvica e formam uma espécie de cama em rede, essenciais para a sustentação dos órgãos pélvicos (como a bexiga e o útero, por exemplo).
Mas a sua importância vai mais longe, sendo também responsável pela estabilização e sustentação da coluna lombar. Isto porque através da sua correta ativação e consequente contração muscular, estimula a que os músculos, responsáveis por manter a estabilidade da coluna lombar, contraiam, também eles, adequadamente. Evitando, assim, instabilidade  lombar, que levaria a alterações estruturais da coluna, traduzidas muitas vezes em queixas de dor e desconforto.

COMO PREVENIR E REVERTER ESTES PROBLEMAS FREQUENTES?
É importante começar por corrigir desequilíbrios musculares instaurados, fortalecendo todos os envolvidos na sustentação e estabilidade destas estruturas, prevenindo assim o agravamento da condição, as posturas incorrectas, e, principalmente, diminuir a dor e desconforto sentido.
Para este efeito a Fisioterapia, possibilita-lhe uma intervenção completa e individualizada através de Classes de Pilates Clínico em grupo ou individualizadas, nas quais são integradas técnicas de Ginástica Abdominal Hipopressiva e Streching Global Ativo, consideradas de excelência para a recuperação destas condições

O QUE É O PILATES CLÍNICO?
Define-se como um método de controlo muscular, tendo como principal foco a manutenção e fortalecimento da musculatura estabilizadora da coluna, aliando-se a componentes de concentração, correção postural e coordenação respiratória, através de movimentos precisos e fluídos, permitindo o trabalho conjunto do corpo e a mente.
Pode ser realizado no solo, em equipamentos específicos ou com utensílios próprios, de modo a personalizar-se a intervenção adequada à condição do indivíduo e à sua progressão.

O QUE É A GINÁSTICA ABDOMINAL HIPOPRESSIVA?
É um sistema de treino direcionado para o treino da musculatura postural e coordenação respiratória, que, também ele, mantém o foco nos músculos da parede abdominal e do pavimento pélvico, sem aumentar a pressão intra-abdominal.
Deste modo, a sua especificidade de treino baseia-se num ritmo respiratório controlado, combinado com posturas de contração isométrica e intervalos de apneia respiratória, conduzindo à melhoria do tónus muscular, relaxamento e correção postura.

O QUE É O SGA (Streching Global Ativo)?
É uma ferramenta de correção postural, que nasceu da Reeducação Postural Global criada por Philippe Souchard. Esta caracteriza-se pelo trabalho corporal direcionado às deformidades corporais e no alongamento de cadeias musculares retraídas, e torna-se uma alternativa aos alongamentos tradicionalmente conhecidos.
Assim, através da conjugação do estiramento muscular e do controlo respiratório, cada indivíduo participa ativamente num alongamento progressivo e não forçado, de modo global, pelo recrutamento simultâneo de vários músculos, sempre de acordo com as suas necessidades específicas.

QUAIS OS BENEFÍCIOS DESTAS CLASSES?
Através do recurso às três técnicas referidas, é possível obter uma intervenção completa, global, bem como, uma intervenção personalizada e específica à condição apresentada pelo indivíduo. O facto destas serem acompanhadas pelo seu Fisioterapeuta, permite uma avaliação pormenorizada, identificando-se desta forma a verdadeira causa do problema apresentado pelo utente. Conseguindo-se, assim, de imediato focar a intervenção na sua necessidade primária, bem como garantir um acompanhamento no seu dia a dia, que possibilita a adequação constante do seu plano de recuperação e bem-estar.

Benefícios globais:
- Correção postural Global;
- Aumento a flexibilidade através do alongamento global das cadeias musculares;
- Fortalecimento da musculatura profunda e superficial;
- Melhoria da circulação sanguínea;
- Promoção da relação entre o corpo e mente;
- Diminuição do risco de lesões e recidivas;
- Promoção do processo de recuperação;
- Otimização da eficiência dos padrões de movimento, reduzindo o risco de lesões;
- Melhoria da condição física e tolerância ao esforço;
- Alívio de stress e melhoria de auto estima.

Seja bem-vindo! Deixe-nos olhar pelas suas costas!

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*Fisioterapeuta Joana Neto - CV

Licenciada em Fisioterapia pela Escola Superior de Saúde de Leiria (2016)
Formação em Pilates Clínico Matwork MW1 e MW3 com certificação APPI, pela Bwizer (2016)
Formação em Terapias Miofasciais, pela Bwizer (2016)
Formação em Ginástica Abdominal Hipopressiva pela Low Pressure Fitness (2016)
Formação em Stretching Global Ativo: RPG aplicado ao Desporto, pela Bwizer (2017)
Formação no método de Introdução ao Conceito de Bobath em Pediatria pela Formaterapia (2017)

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Informações e inscrições sobre as aulas
As aulas decorrem na Rua Miguel Torna, lote 35, loja 33, em Leiria.
Mais informações e inscrições através do número 244 109 427 ou do email ana.amado@physioclem.pt



domingo, 6 de agosto de 2017

Correr aumenta o risco de Artrose?


A corrida, quando realizada com o objetivo de melhorar a nossa saúde, é um dos melhores exercícios que pode ser prescrito, uma vez que apresenta efeitos positivos a nível cardiovascular,  musculoesquelético e respiratório. Ajuda a perder peso, a diminuir os níveis de colesterol, a melhorar a resposta do sistema imunitário, a lutar contra o stress e a depressão, etc.
Contudo, será que dependentemente do volume e da intensidade da corrida, esta pode-se tornar prejudicial e apresentar efeitos negativos sobre a nossa saúde?
A resposta é sim. Nos últimos anos, tem existido uma preocupação crescente, por parte dos profissionais de saúde, com os corredores, uma vez que a corrida tem sido associada ao aparecimento de Artrose (Osteoartrite), nomeadamente nas articulações da anca e do joelho.

A Artrose (Osteoartrite) sendo uma condição caracterizada pela lesão da cartilagem das articulações e dos tecidos tecido envolventes, provocando dor, rigidez e perda de função, afeta negativamente o dia a dia destes indivíduos. De destacar, entre as diversas limitações às atividades, as dificuldades em andar, subir e descer escadas, agachar‑se, em dormir, entre outras.

Assim, para perceber qual o volume e intensidade de corrida que não apresenta risco prejudicial para a nossa saúde, é necessário dividir os indivíduos em três grupos: os de competição, os recreativos e aqueles que não correm (sedentários). Os corredores de competição são considerados todos aqueles que fazem ou já fizeram parte de alguma equipa profissional ou qualquer corredor que já representou o seu país em competições internacionais; enquanto que os corredores recreacionais são indivíduos que correm apenas de forma amadora.
Segundo uma revisão sistemática realizada em junho de 2017, com uma amostra de 125 810 indivíduos, concluiu-se que os corredores recreativos apresentam um risco de desenvolver OA de apenas 3,5%, o que é muito inferior aos dados referentes aos não-corredores (sedentários) e aos corredores de competição (10,2% e 13,3% respetivamente).
A corrida recreativa não só apresenta efeitos benéficos na saúde em geral, como também apresenta um efeito protetor em relação ao risco de desenvolver Artrose, contrariamente a um estilo de vida mais sedentário ou um elevado volume e/ou intensidade de corrida. Correr, de forma recreativa e como hábito de vida saudável, pode ser considerado seguro e uma atividade benéfica para a saúde.

Ademais, os autores definem um elevado volume de corrida quando a distância percorrida semanalmente é superior a 92 km, pelo que percorrer uma distancia inferior 20-42 Km por semana) de forma recreativa durante muitos anos (superior a 15 anos) é seguro e apresenta benefícios para a saúde em geral bem como para a articulação da anca e dos joelhos em particular.

Existem vários outros fatores de risco para a Artrose, incluindo aumento do peso, carga de trabalho e lesão prévia (incluindo cirurgias anteriores) que, provavelmente, aumentam o risco de a desenvolver.
Indivíduos com excesso de peso, quem têm trabalhos exigentes do ponto de vista de carga física ou que têm ou tiveram lesão no joelho e/ou anca devem iniciar a atividade física com um modo de exercício com menor carga nas articulações (ou seja, elíptica, bicicleta, treino de resistência) até ter construído a estrutura adequada para correr.
Lembre-se que para correr deve estar em forma (apto) e não correr para ficar em forma.

Em suma, uma corridinha não só não prejudica as suas articulações, como até pode melhorar a sua saúde!

Autores:
Ft. Luis Nascimento e Ft. Ivo Dimas

Fonte:
Alentorn-Geli, E., Samuelsson, K., Musahl, V., Green, C. L., Bhandari, M., & Karlsson, J. (2017). The Association of Recreational and Competitive Running With Hip and Knee Osteoarthritis: A Systematic Review and Meta analysis. Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy, (0), 1-36.


quinta-feira, 20 de julho de 2017

Afinal, o que é a DOR?




Fechei a agenda. Fiz um risco nos dias 26 e 27 de abril. Parti para uma nova aprendizagem. Levei uma mala vazia, para regressar com ela cheia. Aprendi que compreender a dor é o mais importante para iniciar a recuperação. Palavras do mestre David Butler. Minhas, agora, também. 
Durante dois dias, em York (Inglaterra), Butler, um dos fisioterapeutas mais conhecidos do mundo, ensinou que não importa o diagnóstico ou a condição, há quanto tempo se vive com a dor, onde é ou quão grave é, mas sim que aprender sobre a sua dor pode ser útil. Porém, como tantas outras coisas na vida, a aprendizagem da dor requer paciência, persistência e coragem.

O fisioterapeuta australiano, que nos últimos 15 anos tem desenvolvido um trabalho revolucionário na área da dor e mentor do reconhecido NOI Group, testemunhou que com a Explicação da Dor o paciente aprende a usar o movimento, as emoções, as atividades, a respiração, o planeamento, os amigos, a família, os profissionais de saúde, o trabalho, os pensamentos e as “drogas” internas (seretonina, endorfinas e outros substâncias similares à morfina – hormonas da felicidade) para ultrapassar o problema.  

Cada uma das suas palavras completavam-se com exemplos concretos, tornando-se mais simples compreender a Explicação da Dor. Dei por mim a “viajar” para o interior da Physioclem. Passavam-me rostos, histórias, pela mente. Chegou à conclusão, através do seu trabalho, que a dor explicada através da neurociência tem mais resultado que qualquer medicamento. Desencadeia um efeito extraordinário, sem custos, efeitos secundários e dependência de profissionais de saúde.


O que é isto de Explicar a Dor? Como pensar e sentir a dor? 
Tudo, refere Butler, depende do contexto: localização, situação em que o paciente se encontra, suas crenças, valores, compreensão e conhecimento que tem de si e do seu problema.

Um longo caminho, mais de 15 anos, e uma ferramenta inovadora: “Protectometer”, que se divide em duas grandes áreas: DIM’s (Danger In Me) e SIM’s (Safe In Me). Um tratamento que deve ser “ministrado” ao longo da vida. Se conhecermos os perigos, saberemos como evitá-los e, assim, afastar a dor. A educação é uma das ferramentas que ajuda a afastar a dor. Quando a dor já está “implantada” é importante perceber a sua origem, para que seja mais fácil afastá-la. 
Cada pessoa é um ser único. “Protectometer” reforça esta ideia. Por isso, somos também: o que ouvimos, vemos, cheiramos, provamos ou tocamos; o que fazemos; o que dizemos; o que pensamos e acreditamos; os locais onde vamos. Além disso, as pessoas têm impacto na nossa vida. O nosso corpo manifesta-se face ao que está a seu redor. E pode, mesmo, ficar em alerta. Os sinais são excelentes conselheiros.

“Sentimos dor quando o nosso cérebro conclui que há mais provas credíveis de perigo do que de segurança”, reforça David Butler. E é tão simples percebermos isso. Quem melhor do que nós conhece o próprio corpo?! As dores?! As razões?! 


Mas afinal o que é a dor?
Se há uns anos, se definia a dor como um output emergente de um sistema múltiplo - como uma neuroassinatura, construída quando o cérebro concluía que os tecidos corporais estavam em perigo -, hoje, e para Butler, é uma percepção, na qual a experiência é considerada um output para a consciência que reflete o que o cérebro estima ser a melhor resposta. 

Na minha cabeça, o puzzle começava construir-se. A dor, finalmente, começa a deixar de ser entendida como algo “mau”, passando a ser vista como uma experiência positiva. Uma estratégia do cérebro para proteger o corpo. Faz ainda sentido acrescentar que a dor crónica não é um “defeito do sistema”, mas a continuação da utilização da estratégia de proteção.

Ativar sensores de perigo, não de dor
A dor é normal, pessoal e real. Todos a sentimos num qualquer momento da vida ou em vários. Porque os exemplos são riquíssimos e elucidam bem esta ideia: Uma palmadinha no rabo do menino, se estiver num contexto de brincadeira não é nada, no entanto, se estiver num contexto de um zanga é muito. São vários os cenários que podemos esmiuçar. O contexto, o momento, a forma como nos sentimos testemunham o grau da dor.

Bioplásticos. Quer esta palavra dizer que podemos mudar. Nada é para sempre, nem estamos condenados a nada. O ser humano tem uma capacidade inata de adaptar-se. Hoje, aprendi. Aprendi muito. Além disso, tenho a certeza que aprender sobre a dor ajuda o indivíduo e, consequentemente, a sociedade. Não mudamos porque sim, mudamos porque faz sentido, caso contrário de nada vale. E quando escolhemos o caminho, é preciso, sem dúvida, alterar comportamentos, que vêm, essencialmente, de dentro para fora.

Longe estão as minhas palavras de querer dizer que devemos abandonar a Terapia Manual. A educação é uma ferramenta. O paciente, que em nós confia o seu tratamento, é a “peça” chave de todo o trabalho, porque participa também na modelação da sua dor. Juntos é possível Explicar a Dor. E entendê-la. 
Talvez, por isso, seja fácil escrever: “O paciente acredita em nós, damos-lhe segurança, dizemos-lhe o que ele tem, para que fique descansado. Tratamos e sente-se melhor. A Terapia Manual, pelo toque, facilita a "entrada" na história do paciente. Entramos no espaço íntimo. Conta-nos mais. Expõe-se mais. Confia mais. Torna-se mais fácil cuidar, tratar”. Sabemos que o sorriso ao invés do choro, reverte o processo inflamatório. Sabemos que o apoio da família e amigos, faz toda a diferença - Safe In Me. Sabemos que acreditar no processo de reabilitação, cura as cicatrizes. Já o contrário acumula “feridas” e desequilibra a balança - Danger In Me.
Ser feliz é um SIM. Um abraço é um SIM. Um sorriso é um SIM. Todos estes sentimentos estão associados à libertação das chamadas hormonas da felicidade: seretonina, endorfinas e outras substâncias da família das morfinas endógenas. Estes SIMs dão acesso à nossa caixinha de medicamentos próprios do nosso corpo. A farmácia interna.

Em cada momento livre, os meus pensamentos tornam-se ainda mais óbvios. Olhando para o trabalho que desenvolvemos, na Physioclem, cada palavra de Butler parece fazer ainda mais sentido quando ligamos aos casos que acompanhamos. A forma como as pessoas absorvem os seus problemas, doenças, fazem toda diferença.  

Há comportamentos que reforçam o sistema neuroimunitário e neuroendócrino (SIMs):                        
  1. CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO alteram a percepção de medo, alterando  comportamentos;
  2. PERCEÇÃO DO ELEMENTO STRESSOR - identificar o que nos prejudica, reduz o impacto;
  3. EXERCÍCIO deverá ser adequado e ajustado ao momento, para que não passe de um SIM para um DIM;
  4. PERCEPÇÃO DE SAÚDE - quanto mais a pessoa pensa que está saudável melhor será o desempenho da sistema imunitário;
  5. SISTEMA DE SUPORTE SOCIAL - quanto maior for, mais eficaz é o sistema imunitário. Ter o apoio e a presença dos amigos e da família são altamente benéficos para a saúde/sistema imunitário.
  6. SISTEMA DE SUPORTE MÉDICO - um bom sistema de saúde dá uma enorme segurança ao paciente. Já a controvérsia de opiniões, entre os diferentes profissionais de saúde, pode ser um potente DIM, porque gera confusão, apreensão, incerteza, medo…
  7. SISTEMA DE CRENÇAS (pode ser SIM ou DIM, dependendo da crença). A crença de que a doença veio por algum motivo, que tinha de passar por aquilo, faz com que a pessoa aceite o problema.
  8. HUMOR - rir é um extraordinário libertador hormonal da felicidade, trazendo bem-estar e reduzindo a dor. 
  9. COPING SKILLS - conjunto de estratégias para lidar com o stress. Sabemos que há, através da nossa prática clínica e mesmo da nossa experiência pessoal, estratégias que podemos adequar a determinados pacientes. 
  10. DIETA SAUDÁVEL - Há alimentos pró-inflamatórios e outros anti-inflamatórios (aparentemente os ricos em Ômega 3).
  11. ESTILO DE VIDA - fumar e o consumo de álcool são pró-inflamatórios. A restrição calórica pode ter um efeito anti-inflamatório.
  12. NATUREZA - um extraordinário SIM.
  13. SONO - reparador importantíssimo para o bom funcionamento do sistema neuroimunitário e neuroendócrino.
Tantos outros SIMs se podem acrescentar. Cada pessoa deverá conhecer o seus e potencializá-los.


”Explain Pain" é ensinar às pessoas sobre os processos biológicos subjacentes à dor e estabelecer um tratamento. É ensinar que a dor é uma resposta de proteção.                    

Perguntas que temos de fazer a nós e/ou aos pacientes: 
  1. Será que o paciente quer saber mais sobre dor e ciência?                        
  2. O paciente gosta de aprender?
  3. O paciente tem capacidade para aprender? 
  4. O paciente tem acesso a mais informação e sabe como usá-la?
  5. Onde procura o paciente o conhecimento sobre o seu problema?
  6. Qual o nível literário do paciente, em termos de saúde?
  7. Que equívocos/ideias erradas/crenças adversas tem o paciente?
  8. Quais são os conceitos alvo relevantes para este paciente? 

“Clean up your language” - Deita os DIMs para lixo e canta os SIMs
De que nos vale estudar a lição, se não a colocarmos em prática?! A mudança de paradigma deve ser feita também pelos profissionais de saúde. Quando a praticarmos, a linguagem do paciente também vai mudar. 

A equipa do Butler é focada na evidência, apresentando apenas o que está provado. Porém, nós, os clínicos, devemos seguir também a nossa intuição e experiência, associando-as ao que a ciência diz. Há ainda muito para saber sobre a Terapia Manual, diagnóstico e tratamento de disfunções específicas. A ciência pode estar a induzir a uma banalização dessa especificidade por não lhe conseguir chegar. É importante relembrar as limitações das investigações publicadas.        


Como deverá atuar o fisioterapeuta?
Ajudar a pesquisar os SIMs e DIMs será o caminho de excelência. Se explicarmos sobre a biologia da dor, talvez faça mais sentido para os pacientes, dado que ficarão em exposição os factores potencialmente danosos (DIMs) e os potencialmente promotores da saúde, bem-estar, da reparação tecidular (SIMs). Psicologia positiva!
É importante passar aos pacientes que vale a pena ser otimista, desde que realista. Há problemas graves, mas é importante acreditar que a dor pode passar ou minimizar. Apresentar o que se pode fazer é outra questão crucial, usando uma linguagem compreensível. Não temos de ir ao pormenor. Talvez, sejam as metáforas e as histórias as maiores riquezas para explicarem-se os problemas e o caminho a seguir.

O Protectometer pode ser, facilmente, preenchido com os pacientes, com questões simples: Relaciona a sua dor com alguma coisa na sua vida? As suas dores aumentam na presença de alguém, quando se lembra de alguma coisa ou em algum momento do seu dia?
Há muitos SIMs por aí. É preciso estar atento e deixar o corpo reagir. Ele saberá como fazer a transformação interna. Só temos de estar presentes de coração.


Fuga ou luta
Fomos feitos para reagir em situação de perigo. Temos um extraordinário sistema de “Fuga ou Luta” que nos permite reagir de forma rápida para sobreviver. Nos livros de fisiologia a imagem clássica, para explicar este fenómeno, é o animal feroz atrás do indivíduo. O Sistema Nervoso Simpático desencadeia uma série de reações que permitem estar num estado de alerta. Hoje não temos animais ferozes atrás de nós, mas temos imensas situações que nos despertam a mesma reação. 

E como reage o nosso corpo, perante algo que nos causa desconforto?
  1. Sistema respiratório – aumento da frequência respiratória, hiperventilação;
  2. Sistema Nervoso Simpático – aumento da sudação, alteração da circulação sanguínea, aumento da pressão arterial, alterações de peso, sensação de ansiedade, perturbação do sono, ataques de pânico;
  3. Sistema motor – aumento da tensão muscular, movimentos mais rígidos;
  4. Sistema endócrino – identificação do processo de reparação tecidular, perturbação da digestão, alteração do peso, aumento da flatulência, obstipação, perda da líbido, afectação da memória, incapacidade para reter informação, depressão;
  5. Psicossocial – ansiedade, medo, maior reatividade ao meio envolvente, diminuição na participação social, comportamentos anti-sociais;
  6. Percepção corporal – perturbação na noção corporal, perturbação da noção de lateralidade, possível rejeição de uma parte do corpo, sensação de que uma parte do corpo não lhe pertence;
  7. Sistema imunitário – depressão, mais dor, cansaço, maior susceptibilidade para infeções ou constipação.

Não é novidade dizer que stress causa uma série de doenças secundárias. Porém, é importante afirmar que o DIM não está no que os outros dizem ou fazem, mas sim na forma como nós ouvimos/interpretamos o que os outros dizem ou fazem. 
A palavra certa no momento certo pode ter um efeito extraordinário. Pode desencadear a tal libertação dos anti-inflamatórios e opioides endógenos. Porém, nem sempre a palavra que possa parecer a mais certa, será recebida da melhor maneira. Partilhar a informação certa, no momento certo, com as palavras certas para determinado paciente. Com o grau de complexidade certo, para o grau de cultura/literacia da pessoa que temos à nossa frente. Para chegarmos com a nossa mensagem, temos de conhecer o nosso ouvinte. 


Fim que é o início
O fim jamais é o fim. Foi apenas o fim de dois dias de aprendizagem com Butler, com quem quererei aprender muito mais. O início de uma caminhada. Sempre que percorria as ruas de York, os pensamentos deambulavam entre metáforas e os rostos que me vinham à memória, pela importância das suas histórias. A Revolução Industrial que naquelas terras começou dará belas metáforas. A vida também o é em diferentes momentos.

Sai de Inglaterra mais rico e ansioso por partilhar tudo o que aprendi. Quando acreditamos naquilo que vivenciamos torna-se mais simples explicar. Ora, aqui está um SIM. A oportunidade de dividirmos. 

O tempo é só a gota de água. A própria expressão "a gota de água" é uma (boa) metáfora!


Marco Clemente