quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Síndrome do Ombro Congelado ou Capsulite Adesiva








É um quadro clínico caracterizado por limitação de todas as amplitudes articulares do ombro (flexão, abdução, rotação interna e rotação externa) devido a uma retracção da cápsula articular que envolve o ombro (perda da "folga" de tecido como se pode ver na imagem, causado pelo processo inflamatório).
 Implica elevadas limitações funcionais por perca de mobilidade articular, que se manifestam nas atividade diárias e laborais. Na maioria dos casos esta situação surge após um período de imobilização do membro superior ou como consequência de um processo inflamatório ou traumático que posteriormente desenvolve esta reação. Em alguns casos a origem é desconhecida.
 A recuperação passa por trabalhar essencialmente no sentido de libertar a articulação e devolver a mobilidade articular, reeducando a musculatura. A maior parte das vezes é essencial o trabalho conjunto do médico especialista e do fisioterapeuta, podendo implicar apenas tratamento conservador (medicação e/ou infiltração + fisioterapia) ou em casos mais complicados a cirurgia.
 A evolução normalmente é favorável mas muito demorada.
 Para quem tem esta situação sugerimos a leitura do seguinte artigo: http://www.ombro.org/wp-content/uploads/2010/08/artigo9.pdf
 Não deixe de procurar ajuda de profissionais especializados.
 Equipa Physioclem

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Conflito sub-acromial? O que a fisioterapia pode fazer por si










Como foi referido no Post que esclarece o que é o conflito sub-acromial, podem existir muitos fatores que contribuem para a ocorrência deste quadro clínico: alterações posturais, desequilíbrios musculares, gestos repetidos do membro superior, má postura no trabalho ao computador, alterações morfológicas das estruturas anatómicas, entre outros.
Apesar dos cuidados preventivos que pode ter, por vezes é necessário consultar um profissional de saúde que possa avaliar adequadamente a situação e direcionar a melhor forma de tratamento.

 A fisioterapia dispõe de vários recursos para o ajudar!
Em primeiro lugar é necessário proceder a uma avaliação cuidadosa do paciente de modo a compreender quais os factores envolvidos e escolher as melhores técnicas e estratégias de intervenção.
A fisioterapia actua no ensino sobre os factores de risco, adequação das posturas no trabalho e desporto e envolve um conjunto de técnicas que visam aliviar as queixas dolorosas, normalizando ao máximo as tensões musculares e o funcionamento das estruturas músculo-esqueléticas.
A abordagem de tratamento na maioria dos casos passa por melhorar a postura estática e em movimento. Por exemplo, a postura das omoplatas é muito importante para um correcto funcionamento do complexo articular do ombro. O desequilíbrio muscular que se traduz em omoplatas mais enroladas para a frente e/ou mais subidas é uma importante causa do conflito sub-acromial, já que esta posição favorece que as estruturas entre o acrómio e a cabeça do úmero sejam comprimidas, gerando inflamação e dor. Esta situação pode ocorrer devido a estruturas musculares retraídas que "puxam" a omoplata para a frente, ou devido a outras estruturas musculares que não estabilizam devidamente a omoplata na sua posição correcta (os estabilizadores da omoplata). Neste sentido o fisioterapeuta pode aplicar técnicas de estiramento das estruturas que favorecem esta posição, de modo a normalizar as tensões e melhorar o alinhamento articular e pode aplicar técnicas de treino dos estabilizadores da omoplata (trapézio inferior e grande dentado) para que estes funcionem adequadamente. Veja um exemplo deste treino, feito de forma muito especifica com um programa de computador associado à electromiografia que permite perceber como estão os músculos a funcionar e treiná-los mais correctamente http://www.youtube.com/watch?v=XtrWr6gc3G8. (nota: na Physioclem utilizamos esta tecnologia)

Por outro lado, para o ombro funcionar bem, precisa também de um adequado funcionamento dos músculos estabilizadores locais da gleno-umeral, a coifa dos rotadores, que impede que a cabeça umeral suba excessivamente na direção do acrómio provocando redução do espaço sub-acromial e inflamação das estruturas (supra-espinhoso e da bolsa sub-acromial). Aqui o fisioterapeuta direcciona o paciente para a realização dos exercícios terapêuticos mais adequados para fortalecer a coifa dos rotadores e permitir uma centragem da cabeça do úmero.
A fisioterapia dispõe também de agentes adjuvantes que em alguns casos podem ser aplicados directamente para ajudar a controlar a inflamação e dor local, como é o caso do LASER, Ultra-som, electroterapia ou magnetoterapia.
Mas...É muito importante lembrar que o ombro não existe de forma isolada do corpo humano! O seu equilíbrio depende também da sua relação com outras partes do corpo, é preciso olhar para o todo! Por exemplo,   os vários músculos e estruturas que o compõe recebem inervação essencialmente da coluna cervical, pelo que um bom funcionamento da coluna é fundamental para que as estruturas que compõe o ombro recebam uma boa informação nervosa e estejam equilibradas.
Aqui o fisioterapeuta possui também ao seu dispor diversas técnicas de terapia manual para melhorar o funcionamento das articulações vertebrais permitindo a sua harmonia.
Em conjunto, a combinação de varias técnicas podem fazer uma grande diferença na forma como o ombro funciona e alterar os factores que desencadeiam o problema.
 De realçar que a fisioterapia no conflito sub-acromial, baseada na aplicação de técnicas de terapia manual associado a exercício terapêutico específico (no conceito supracitado) tem uma forte evidência científica, por isso é altamente recomendável.

 Não deixe de procurar a ajuda de um fisioterapeuta!

 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Dicas para o seu ombro









No seguimento dos post's anteriores que falam acerca da dor no ombro, hoje pretendemos deixar algumas dicas que podem contribuir para a prevenção desta condição, assim como para auxiliar no alivio dos sintomas de dor e fraqueza muscular.
 Neste sentido, é importante ter vários aspectos em conta: combinar cuidados posturais importantes para permitir um melhor alinhamento articular, melhor desempenho muscular e melhor mecânica do complexo articular do ombro; manter uma boa flexibilidade de todos os músculos que envolvem o ombro de modo a possibilitar uma boa harmonia de movimento; realizar fortalecimento muscular local para melhorar a estabilidade articular. 
 

Neste sentido, ficam algumas sugestões:

No seu dia a dia:

- Evite movimentos repetidos com o ombro acima dos 90 graus, principalmente se carregar objectos pesados. Caso necessite de o fazer, aproxime ao máximo os objectos do corpo e ao ultrupassar os 90 graus rode as suas mãos para fora. Desta forma irá favorecer a biomecânica normal da articulação, reduzir o conflito, e causar menos sofrimento às estruturas;
- Se trabalha ao computador, procure manter uma postura correcta: mantenha a coluna apoiada, utilize os cotovelos apoiados formando um ângulo de 90º, posicione os punhos de modo a que fiquem apoiados em posição neutra, mantenha os ombros relaxados;
- Se realiza actividades em que faz movimentos repetidos durante muito tempo, é importante realizar pequenos períodos de pausa para potenciar a recuperação das estruturas que estão a ser sobrecarregadas. Idealmente deveria realizar pelo menos 5 minutos de pausa a cada duas horas de trabalho, aproveitando estes momentos para realizar alguns exercícios de compensação. O seguinte vídeo apresenta algumas sugestões : http://www.youtube.com/watch?v=Le0MgVRGK94
- Se utilizar malas de ombro, procure transportar o menos peso possível e tente não usá-las apenas de um lado do corpo. Tente arrumar a sua mala com frequência para retirar objectos desnecessários. Se necessitar carregar mais peso, será preferível usá-la atravessada na diagonal;
- Ao deitar-se de lado para dormir, verifique se a sua almofada preenche o espaço existente entre o ombro e a sua cabeça. Se já possui lesão, em fases de dor mais intensa, deite-se sobre o lado oposto e apoie o braço lesado sobre uma almofada;
 Mantenha uma boa flexibilidade:
- Fica a sugestão de alguns exercícios que pode realizar diariamente no sentido de manter uma melhor flexibilidade dos músculos que envolvem o ombro, favorecendo assim o equilibrio de tensões:  
 Melhore a estabilidade:
- Existem exercícios que favorecem uma melhor estabilidade do complexo articular do ombro. Estes exercícios favorecem o reposicionamento da cabeça do úmero na cavidade glenóide evitando a sobrecarga das estruturas:

Apesar destas dicas, é importante não esquecer que cada caso é um caso e possui a sua individualidade. Não deixe de se aconselhar com um fisioterapeuta especializado.
Equipa Physioclem

Conflito Sub-acromial, o que é afinal?









No post da dor do ombro falámos um pouco sobre a anatomia e funcionamento do complexo articular do ombro e de como é frequente o surgimento de dor nesta região.
 Hoje vamos falar-vos sobre uma das condições que mais frequentemente é origem de dor no ombro: o conflito sub-acromial.
 Como foi referido, para que haja um bom funcionamento do ombro, entre vários aspetos, é necessário que haja uma boa estabilização articular, a qual é assegurada pelo sistema ligamentar e pelos músculos estabilizadores locais. Existe um conjunto de 4 músculos que se chama coifa dos rotadores, cujos tendões envolvem a articulação gleno-umeral, são eles: músculo sub-escapular (S.), supra-espinhoso (S.E.), infra-espinhoso (I.E.) e pequeno redondo (P.R.). Este conjunto de músculos converge em torno da cabeça do úmero (como pode ver na imagem) oferecendo-lhe assim estabilidade, proteção, e permitindo o seu correto posicionamento. Deste modo a coifa dos rotadores impede que a cabeça umeral suba excessivamente na direção do acrómio.
 Quando existe um comprometimento desta função estabilizadora da coifa, pode produzir-se uma alteração da biomecânica do ombro com consequente subida da cabeça umeral de forma excessiva durante os movimentos do ombro. Este aspeto gera um conflito mecânico, com sofrimento essencialmente a nível do tendão do músculo supra-espinhoso e da bolsa sub-acromial que se encontram localizadas entre a cabeça do úmero e a superfície antero-inferior do acrómio, produzindo inflamação e dor. Esta é pois a causa para a maioria tendinites da coifa dos rotadores e bursistes sub-acromiais.
 Normalmente a dor é referida na região antero-externa do braço quando o membro superior é elevado provocando, geralmente, um arco doloroso entre os 70º e os 120º (como pode ver na imagem) e quando se realiza rotação, podendo irradiar até o cotovelo e por vezes até á mão. É comum também sentir fraqueza muscular, cansaço no braço e dificuldade em dormir sobre o lado afetado.
 Existem vários fatores que podem predispor para a ocorrência deste quadro clinico, como são o caso das alterações posturais, erros na prática desportiva, desequilíbrios musculares gerados por problemas da coluna vertebral, gestos repetidos do membro superior que geram sobrecarga, má postura no trabalho ao computador, alterações morfológicas das estruturas anatómicas, entre outros.
 A evolução do quadro condiciona diferentes tipos de abordagem e prognósticos, dependendo de cada situação. O tratamento deve ter como base compreender quais os factores desencadeantes de modo a corrigir os mesmos e trabalhar visando o reequilíbrio muscular que permita uma centragem da cabeça do úmero durante o movimento, eliminado deste modo o conflito.

 Equipa Physioclem

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Alguma vez sentiu dor no ombro?










A ocorrência de dor no ombro é um problema que afeta um elevado número de pessoas, sendo o segundo problema músculo-esquelético com maior prevalência a seguir à dor lombar. Queixas como dificuldade em manter o braço na mesma posição durante muito tempo, dor na elevação do membro superior, dificuldade em dormir sobre o braço e presença de dor durante algumas atividades desportivas, são queixas comuns.
Para compreender porque é que o ombro é um local de dor tão frequente, é importante perceber como é que ele funciona.
O complexo articular do ombro é constituído por três articulações ósseas (gleno-umeral, esternoclavicular e acrómio-clavicular) e duas funcionais (escapulo-torácica e sub-deltoideia). O seu amplo movimento é possível devido à ação de 20 músculos a que está ligado, existindo também uma grande quantidade de ligamentos que ajudam a reforçar as articulações.
O ombro apresenta um elevado grau de mobilidade, sendo a ponte de união entre o eixo central do nosso corpo, a coluna vertebral e o membro superior. Deste modo, permite posicionar o membro superior no espaço para que seja possível usar a mão de forma funcional no dia a dia. Para que esta mobilidade seja possível de forma segura, o ombro necessita também de contar com estruturas que lhe assegurem alguma estabilidade: músculos estabilizadores e sistema de ligamentos.
As diferentes estruturas podem ser afetadas por várias razões e causar dor, por sobreuso, degeneração, alterações de alinhamento devido a má postura e traumatismos. É importante compreender cada caso, avaliar qual a origem da dor e o que pode ser modificado para melhorar as queixas.
Para qualquer questão, contacte-nos.

Faça um pré-diagnóstico: http://www.physioclem.pt/pt/prediagnostico/1/ombro

A Tendinite não tem cura. Mito ou realidade?

 
 
 
 
 




É mito!

Este mito advém da falta de resultados e constante recidiva (reaparecimento do problema) quando é tratado exclusivamente o processo inflamatório (consequência) e não a causa primaria do problema. Também é verdade que algumas vezes o problema já está instalado há tanto tempo que as alterações degenerativas já não permitem uma total recuperação, mas isto não representa a maioria dos casos.
A tendinite deve-se ao funcionamento desadequado de uma determinada articulação, estando esta com uma alteração do seu alinhamento normal, ou está sujeita a micro-traumatismos sucessivos, que faz gestos repetidos ao longo de muitos anos ou ainda que funciona numa postura desadequada. Sendo estas as causas iniciais imagine qual é o resultado de tratar a inflamação sem alterar a postura, o alinhamento da articulação (estabilidade dinâmica), o fator causal dos micro-traumatismos ou sem alterar o gesto repetitivo. Tudo volta passado algum tempo!
O processo inflamatório não é mais que a resposta normal do organismo para reparar a lesão provocada pelos abusos. Esta só se torna crónica se o organismo estiver sucessivamente a tentar curar-se e algo não o permite. Como se estivéssemos a construir um castelo na areia e vem sempre o filho mais novo destruir. Nunca mais fica pronto!
Assim, para tratar completamente uma tendinite é fundamental primeiro deixar o organismo reparar a lesão (fase de repouso seletivo e alivio das tensões adversas) e posteriormente colocar os músculos a trabalhar com um padrão de recrutamento normal, levando a articulação a trabalhar num alinhamento normal. A postura geral do corpo deve também ser corrigida, para que tudo funcione em perfeita harmonia. É ainda indispensável corrigir os gestos desadequados no trabalho ou na atividade desportiva e a postura nesse contexto.
Desta forma é possível "curar" a tendinite.
Não deixe de consultar um médico ou fisioterapeuta especializado para o(a) aconselhar devidamente. 

 Cuide de si!
 Equipa Physioclem