quarta-feira, 30 de março de 2016

"Na physioclem há sempre razão para sorrir e ser feliz"




 


Família. A palavra com maior significado na vida de Ana Amado. Núcleo no qual encontra forças para seguir a viagem da vida. É a avó que a emociona, que lhe deixa escapar umas lágrimas, entre a voz forte, firme e segura, que lhe é tão caraterística. A fisioterapeuta Ana Amado, da Boavista (concelho de Alcobaça), é um dos mais antigos e acarinhados rostos da physioclem. 

As lágrimas não são por acaso, se é que os há. Foi com a avó que Ana Amado foi criada. Os dias, até entrar na escola primária, e mesmo depois, eram passados em seu redor, na sua companhia. “Há uma ligação muito forte, que vai além das palavras. É dos sentimentos mais bonitos e profundos que tenho dentro de mim. É a minha segunda mãe, uma das pessoas que melhor me conhece”, testemunha. Hoje, a avó já não tem a vitalidade de outrora e pede outros cuidados. O tempo será o melhor conselheiro… A avó poderia ter qualquer outro nome, mas para o resto do tempo escreverá o mesmo nome. Uma herança de coração: Ana.
Todos os fins de semana são momentos de regressar a casa, a Alcobaça. “Sou muito independente, mas tenho de os ter por perto para me sentir bem. O facto de ser filha única, aproxima-nos mais. Adoro fazer festas e preparar surpresas”, adianta Ana Amado, que anda a organizar um momento especial, para alguém muito especial.
Todo o percurso escolar de Ana Amado, até à entrada na Escola Superior de Saúde de Alcoitão, foi feito em terras de Cister. A physioclem era, e é, a referência das clínicas de fisioterapia na região. Uma das razões que a levou pedir estágio a Marco Clemente. Terminado o curso, regressa a Alcobaça. “Queria voltar, fazer parte desta família e começar a minha vida”. Assim, aconteceu. É a terceira funcionária mais antiga e a que se mantém até aos dias de hoje.
Quando se somam os anos de “relação”, contam-se 11. Quando olha para trás, Ana Amado relembra que a physioclem existia, além de Alcobaça, nas Caldas da Rainha. “Tem sido uma experiência fantástica, gratificante. Uma forma de estar na vida que não trocava por nada deste mundo”, garante a fisioterapeuta de 31 anos. 
Com Luís Nascimento, também fisioterapeuta da physioclem, Ana Amado propõe a Marco Clemente a abertura de uma clínica em Leiria. Quem rejubilou com esta notícia foram os pais, Lina Ribeiro e Quim Amado, que insistiam para que abrisse um espaço em Alcobaça. “Não fazia sentido abrir uma na cidade, porque parte do meu crescimento profissional tinha acontecido na physioclem, não queria separar-me. Com esta possibilidade, cumpria também um dos sonhos da minha mãe”, explica.
Chegou a trabalhar horas e horas sem parar. Hoje, nem pensar! A maternidade trouxe-lhe outras responsabilidades, objetivos e prioridades. Os filhos João Maria, de 4 anos, e Francisca, de 18 meses, são a razão de toda a mudança. “São o melhor da minha vida. A razão de viver e de querer mais e melhor”.
Na physioclem, Ana Amado é a responsável por toda a logística, gestão/contabilidade e recursos humanos, além da fisioterapia. Ser mãe deixou-a ainda mais sensível e consciente dos valores familiares e humanos. Sabe, sem que ninguém a tenha de a alertar, da necessidade de viver em amor e harmonia. Valor que cultiva todos os dias nas relações pessoais e profissionais. 
 A ligação entre fisioterapeuta e paciente é muito forte. “Não trabalhamos apenas com as mazelas do corpo, criamos uma relação de amizade, de cumplicidade com quem entra na nossa porta. É muito gratificante porque fazemos amigos para a vida”. Ana Amado salienta que, por vezes, gostava de desligar-se dos problemas dos pacientes, mas não consegue. “Quando alguém que costuma vir todas as semanas, por alguma razão não vem, ficamos preocupados. Ligamos para saber se está tudo bem”. É isto, e muito mais, que tornam esta clínica tão especial.
Quando se entra na physioclem, sente-se a boa disposição. Os sorrisos são contagiantes. As amizades acabam por ultrapassar os limites da clínica. Levam-se para casa. “Quando acompanhamos algumas pessoas há vários anos, acabamos por partilhar algumas das nossas alegrias e tristezas. Os filhos são sempre um belo tema de conversa”, afirma Ana Amado. Só assim faz sentido. 
Na vida pessoal e profissional, Ana Amado é uma mulher feliz. As concretizações têm surgido no tempo certo. “Não me imaginava a fazer outra coisa. Ser fisioterapeuta é um sonho tornado real. Na physioclem há sempre razão para sorrir e ser feliz”. 
E por quê razão surge a fisioterapia na vida de Ana Amado? Uma prima teve um acidente de carro. Todas as semanas estavam juntas. Depois da ocorrência, Julieta ficou tetraplégica e foi internada em Alcoitão. Ana Amado foi visitá-la algumas vezes, familiarizando-se com aquele ambiente. Todo este cenário se completou quando um dia ouviu Marco Clemente a falar sobre a área. “Fez-se o clique”. Quando concorreu ao ensino superior entrou em Genética, na Faculdade de Ciências de Lisboa, mas a fisioterapia falou mais alto. A escolha do coração. 
Viajar? Viajar é uma das grandes paixões. Ana Amado cresce sempre que viaja. A sua alma regressa cheia de energia, pela aprendizagem que acabou de concretizar. A idade dos filhos ainda não lhe permite recuperar os voos de outros tempos. Tem outros, neste momento. Quando Francisca tiver mais uns aninhos, sabe que o mundo continuará à sua espera.
O valor da vida está nas pequenas concretizações. Nas concretizações que o coração dita. Ana Amado não tem dúvidas disso…


Luci Pais
 

quarta-feira, 23 de março de 2016

"A Physioclem é uma caixa mágica: trata do corpo e da mente"

 
 


 
Há mulheres que nasceram para brilhar. Maria do Carmo Santos é uma estrela. A vida difícil que teve, só lhe deu ainda mais razões para sonhar, acreditar, lutar e alcançar. Aos 58 anos, a professora de Educação Física, da pequena aldeia de Cumeira do Paço, freguesia de Barreira (Leiria), continua a espalhar magia por onde passa, criando empatias inexplicáveis. Durante mais de uma década, vestiu a camisola do Benfica. Foi, e ainda é, uma jogadora de andebol notável. Taças? Ergueu várias, em campeonatos nacionais e internacionais, jogando pela seleção. 
Com 12 anos, já era empregada de serviço numa pensão em Leiria, seguindo as pegadas da mãe. Cedo soube que a vida não era um conto de fadas. Sabia também que a sua vida não seria para passar de avental, embora respeitando quem o usa. “Não queria ser mais uma empregada doméstica, nem ser mais uma mulher do campo. Apesar dos meus pais não terem condições económicas para me pôr a estudar, não desisti”, relembra Maria do Carmo.
Sonhava ser professora primária. Ensinar. Talvez, pelos estudos lhe fugirem. “Gostava de crianças e queria que tivessem um futuro bonito e de conhecimento”, explica. 
Os anos que antecederam o 25 de Abril de 1974, viveu-os intensamente. O seu avó era polícia da PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado). Conhecia os horrores pela boca de um dos homens que mais amava. “Não gostava do que ele fazia, mas não tinha direito a dar a minha opinião. Todas as histórias me revoltavam”.
Foi na pensão em Leiria que conheceu a mulher que mudou o rumo da sua vida. Helena acreditou em Maria do Carmo, embora a mãe não concordasse, porque os irmãos também não tiveram essa oportunidade. Foi no Ciclo Velho, Escola Francisco Rodrigues Lobo, que prosseguiu os estudos. Todos os dias percorria a pé mais de 14 quilómetros entre casa e escola. Nem os dias de mau tempo, nem os de calor a derrubaram. Face à condição dos pais, os estudos eram subsidiados.
Outra mulher havia de mudar a sua vida. Helena Gonçalves, professora de Português e sub-diretora da Escola, e o seu marido José Gonçalves, esteve sempre presente. “Com ela encantei-me pelos valores de esquerda. Se não lutarmos nada temos”. Linhas que desenharam, também, o seu futuro e percurso. 
A ideia de professora primária acabou por esmorecer. Seria também professora, mas na área do Desporto. Foi no desporto que encontrou a maior paixão da sua vida. “Sem dedicação, esforço, suor, cooperação, respeito, nada temos. O desporto é uma conquista. É um duelo contra nós próprios, com o objetivo de darmos sempre o máximo. A minha vida tem sido uma competição”, testemunha.
Nas aulas, vestia bata branca, como todos os colegas. “Aparentemente éramos todos iguais, mas na verdade não passava de um quadro bonito. Uns beneficiam por serem filhos de quem eram…”.
Uma redação sobre as férias de Maria do Carmo, que eram passadas no sol do campo, deixaram Helena Gonçalves, que não tinha filhos, ainda mais sensibilizada. “Sabia das minhas dificuldades, mas não sabia o que eu sentia”. Entretanto, o pai morre e a mãe acaba por deixar a pensão. Tinha 14 anos e sentiu que não podia deixar a mãe entregue aos dias do campo. A professora de Português recebe a mãe e a irmã de Maria do Carmo em casa. “A minha irmã tratou do casal até morrer”. Apesar da riqueza, foram sempre pessoas humildes: “deixaram o que tinham para quem mais precisava e foi criada a Fundação Dr.º José Gonçalves, em Tondela”.
Uma gratidão que jamais esquece. Foram os “pais” do seu voo. Ainda pelas mãos de Helena Gonçalves vai trabalhar para o Fundo de Apoio aos Organismos Juvenis, atual Instituto da Juventude, juntando dinheiro para prosseguir estudos. Trabalhou como bibliotecária durante cinco anos. Nos dois últimos anos do secundário, já lá trabalhava. Antes de seguir para o Instituto Superior de Educação Física, em Lisboa, decide ficar mais dois anos a trabalhar. “Só fui tirar o curso com 23 anos. Tive de juntar dinheiro primeiro”. 
A vida não passou a ser um mar de rosas. As dificuldades foram sempre surgindo, mas, no meio da turbilhão de emoções, houve conquistas. “No ano em que entro para a universidade, o curso passa a ser também ministrado à noite, o que me permite continuar a trabalhar em Leiria e a estudar em Lisboa. Nos meus primeiros três anos, foi esta a minha rotina”. Foi recebendo o convite de várias equipas para jogar andebol, mas não tinha como aceitar. Assim, que termina o bacharelato concorre e é colocada numa escola em Queluz. A vida financeira melhorou significativamente. 
Entre 1983 e 1984, veste a camisola da equipa de andebol de Campo de Ourique. Começa, assim, uma nova paixão na sua vida. No ano seguinte, as atletas e a treinadora são convidadas a integrar a equipa do Benfica. Anos de glórias foram surgindo. Vestia a camisola do clube que ama. O Benfica. Fê-lo durante 14 anos. À exceção de uma época, foi sempre campeã nacional. A Taça de Portugal também lhe pertenceu durante uma década. “Sou uma boa ponta direita, boa executante… Fiz história na modalidade, porque fui a jogadora mais velha em alta competição em campo, até aos 42 anos. No dia em saí, fizeram-me uma homenagem… Foi um dia de grandes emoções. Estávamos a perder por seis, quando entro em campo damos a volta ao resultado e somamos mais uma Taça de Portugal”.
No Museu do Benfica, ocupa também um lugar especial. O bichinho continua tão presente, que todos os anos as veteranas se reúnem para relembrar velhos tempos. “É um clube eclético que não esquece o trabalho que lhe foi dedicado”.
A senhora da pequena aldeia da Cumeira do Paço sonhava pela Capital. Vai dar aulas para o Cacém. Nasce a filha Carolina. O grande amor da sua vida. “Só pensei em ter filhos quando a carreira de alta competição começou a abrandar”. Entretanto, é obrigada a concorrer a estágio e regressa a Leiria. Como tinha um horário reduzido, decide abrir um ginásio. O frenesim mantém-se em altas, pelo menos durante cinco anos. Trabalhava em Leiria e treinava em Lisboa, no clube do seu coração. “Acordava às seis da manhã e entrava em casa perto da uma”.
Terminada a alta competição, dedicou-se à família, mas não consegue deixar o mundo do desporto… Um convite da Juventude Desportiva do Liz mantém-na em campo, com atletas bem mais novas. “Sou muito extrovertida. Sempre fui líder, mas nunca fui capitã”, refere.
Não é apenas o andebol que lhe corre nas veias. Tudo quanto for desporto é uma segunda pele. É campeã nacional de badminton, em veteranos, e vice-campeã nacional em pares femininos de ténis, no escalão mais 55 anos, modalidade que iniciou apenas há quatro anos.
A morte da mãe deixou-a num buraco do qual tem tido dificuldade em sair. “No meio das dificuldades e conquistas, foi sempre o meu apoio. Um exemplo de resiliência e de luta”. Os genes estão lá. Também Maria do Carmo é assim, uma lutadora e dona de um sorriso que engrandece qualquer momento.
Foi uma lesão na mão, provocada por uma doença hereditária, que a levou até à Physioclem. Acabou por deixar o badminton porque não suportava as dores. Nesta casa, encontrou muito mais do que uma equipa disposta a tratá-la, encontrou uma família. “O Luís Nascimento é um amigo para a vida. Foi um porto de abrigo, quando a minha mãe estava doente. A Physioclem é uma caixa mágica: trata do corpo e da mente. Não nos largam até saberem que estamos mesmo bem”. Quando há corridas, Maria do Carmo veste a camisola da clínica.
A senhora que sonhou em menina mantém-se saudável no desporto, para estar saudável nas relações com amigos, familiares e alunos. Vê um futuro difícil para os jovens, ainda assim sabe que todos os obstáculos podem ser ultrapassados, se houver determinação. 
Com Maria do Carmo encontramos forma de sorrir. E sorrimos. A felicidade é saudável.

Luci Pais

sexta-feira, 18 de março de 2016

Efetividade da terapia manual na redução da dor e melhoria da amplitude de abertura da boca em utentes com disfunção temporomandibular




RESUMO ANALÍTICO

Introdução: A Disfunção Temporomandibular (DTM), principal causa de Dor Orofacial, constitui um importante problema de saúde pública, afetando 10 a 25% da população. Aproximadamente 15% destes pacientes desenvolve DTM crónica, com grande impacto na qualidade de vida e elevados custos sociais e económicos. A Terapia Manual tem sido uma abordagem proposta por vários autores mas com efetividade ainda por demonstrar.


Objetivo: Sumarizar a evidência científica de estudos randomizados controlados dos últimos cinco anos para verificar a efetividade da terapia manual no tratamento das disfunções temporomandibulares.


Bases de Dados: A pesquisa foi elaborada em 5 bases de dados electrónicas – Pubmed, Web of Science, Cochrane Library e EBSCO. Foi ainda realizada uma pesquisa manual na bibliografia mais recorrente nos artigos encontrados.


Métodos: Após a pesquisa foram incluídos estudos randomizados controlados, publicados nos últimos 5 anos, em língua inglesa, com população de idade superior a 18 anos e diagnóstico de DTM de origem músculo-esquelética. Os grupos de intervenção incluíam protocolos de terapia manual e foram avaliados os outcomes dor e amplitude de abertura da boca. A qualidade metodológica dos estudos foi avaliada através da “Risk of Bias Assessment Tool” desenvolvida pela Colaboração Cochrane. Foram extraídas as características dos estudos e dados referentes ao tipo de intervenção e resultados.


Resultados: Foram incluídos quatro estudos nos quais a TM mostrou ser efetiva logo após a intervenção e 6 meses depois, com diferenças clinicamente importantes para a dor (>30%). Esta técnica mostra ter efeitos no aumento da amplitude de abertura da boca em pacientes com esta disfunção. Quando conjugada com um programa de educação e estratégias de auto-tratamento os efeitos da intervenção perduram a longo prazo (1 ano).


Conclusão e implicações para a prática: Nos últimos cinco anos existe um reduzido número de RCT’s que avaliam a efetividade da TM nas DTM, publicados em língua inglesa. No entanto, com base nos resultados da RS, a TM afigura-se como alternativa segura e efetiva no tratamento destes pacientes. Quando conjugada com um programa de educação, a longo prazo, verificam-se melhores resultados na redução da dor e melhoria da amplitude de abertura da boca. Sendo assim, a utilização de um programa de educação e estratégias de auto-tratamento por parte do paciente permite manter os ganhos conseguidos pela intervenção da TM e perdurar o seu efeito. Dado o reduzido número de estudos incluídos e a heterogeneidade da sua qualidade metodológica não foi possível chegar a conclusões que determinem o grau de recomendação sobre a utilidade/eficácia da terapia manual nas DTM’s, verificando-se uma clara necessidade de investigar esta questão.


Aceda ao full text: http://goo.gl/Hj7cTQ
 

quarta-feira, 16 de março de 2016

“Trabalhar na physioclem é um sonho tornado real”








“Pelo sonho é que vamos, comovidos e mudos”. Foi pelo sonho, pelas palavras doces e meigas que seguimos com Sara Lourenço pela viagem da sua vida. Tem o dom da comunicação. Um gesto delicado para cada palavra. É assim na vida pessoal e profissional. Uma menina mulher que não se cansa de sonhar.

Veste a farda da physioclem de segunda a sexta-feira, há cinco anos. Já a música acompanha-a desde sempre. Cresceu num berço cheio de notas musicais. A sua beleza e tranquilidade não deixam ninguém indiferente. Foi esta simbiose que Ana Moreira, profissional de joalharia, viu em Sara Lourenço. É um dos rostos mais bonitos das coleções desta também jovem alcobacense.
“Chegamos? Ou não chegamos?” Umas vezes sim, outras não… “Já deixar de sonhar é que nunca”, diz Sara Lourenço, de 27 anos. Em criança preferia uma boa conversa a um bom escorrega ou baloiço. Sentava-se no parque e procurava sempre alguém mais velho para trocar experiências. Ficava por ali horas, sem se cansar. Talvez este carinho, esta atenção, tenham ditado as áreas da fisioterapia que mais gosta: neurologia e geriatria.
“Haja ou não haja frutos, pelo sonho é que vamos”. Sara Lourenço sabe que para colher frutos é preciso semear. Até aos 22 anos frequentou o Coro de São Bernardo da Paróquia de Alcobaça, dirigido pelos seus pais. Raul Lourenço e Maria do Céu Baptista são os seus ídolos. São também a fonte de equilíbrio. Terminado o curso na Escola Superior de Saúde de Alcoitão, referência em Portugal na formação de Fisioterapeutas, em 2011, decide sair deste grupo. Outro sonho surgiu e continua a crescer desde essa data. Dream Melodies é outra das suas paixões. A farda branca da physioclem é trocada pelo microfone, dando vida à Sara que canta. Até aqui são os sonhos que a movem, realizando os de quem também a convidam para momentos de pura magia, sejam casamentos, batizados ou qualquer outro tipo de evento. “Gosto de estar onde a música cabe”, refere, sem hesitar.
A vida sem música é “inimaginável, sempre fez e sempre irá fazer parte”. Ainda que sendo um hobbie encara o projeto com responsabilidade. “Em cada momento entrego-me por completo. Sou feliz a cantar”, testemunha a jovem alcobacense. Não se imagina a participar em programas televisivos de caça talentos, já os palcos de Filipe La Féria seriam uma concretização.
O que muitos não sabem é que Sara Lourenço já atuou ao lado de Luís Peças. Enquanto o cantor lírico alcobacense cantava, Sara tocava piano. “Frequentei aulas de formação musical, de piano, de classe conjunto e de técnica vocal na Academia de Música de Alcobaça”. 
“Basta a fé no que temos. Basta a esperança naquilo que talvez não teremos”. Sara é uma mulher de fé. O facto de ser filha única, deu-lhe responsabilidades muito cedo. Apesar da presença diária dos pais, já encontrou, há alguns anos, o seu ninho, o seu cantinho, a sua forma de estar na vida.
A paixão pela área da saúde também não é fruto do acaso, se é que o há. Quando tinha apenas 6 anos, foi diagnosticado um cancro da mama à sua mãe. Acompanhou tudo de perto. “Apenas não me era partilhado o que uma criança desta idade não devia saber, de resto tive contacto com tudo”, recorda. A reabilitação foi feita na clínica de um amigo de família, do Dr.º José Franco. Como tinha um grande à vontade, enquanto a mãe fazia os tratamentos, a menina de então explorava os cantos à casa. Barras paralelas, bolas medicinais, pedaleiras tornaram-se cedo companheiras. Quando chegou o momento de decidir o rumo profissional, não teve quaisquer dúvidas: “teria de ser algo relacionado com saúde. Tinha tudo dentro de mim”. 
“Basta que a alma demos, com a mesma alegria, ao que desconhecemos e ao que é do dia-a-dia”. No dia-a-dia veste a bata branca. Trata de quem precisa. Ana Moreira, a designer de joias, entrou pelas portas da physioclem há já alguns anos. Tinha lesões provocadas por acidente de mota. Sara Lourenço que outrora, ainda no tempo da primária, percorria os mesmos recreios, era agora a sua fisioterapeuta, em conjunto com Marco Clemente. Reataram laços de amizade. Hoje, Sara é também modelo fotográfico das suas coleções. “Não é de todo o quero fazer na vida, apenas aceitei pelo carinho que tenho à Ana. Sou muito crítica comigo…”, garante.
Na physioclem encontra a paz de espírito que precisa. “É uma equipa jovem que adoro e que aposta na formação contínua. No Marco temos o maior mentor, que nos estimula através do seu próprio exemplo. Temos autonomia de atuação, embora todos os casos sejam discutidos em grupo”, explica. E não tem dúvidas: “Trabalhar na physioclem é um sonho tornado real”
“Chegamos? Não chegamos? – Partimos. Vamos. Somos”. Sara Lourenço sabe que tem de ir todos os anos. O mundo é a sua casa. Nas veias corre-lhe a paixão pelas viagens, porque sabe que: Parte. Vai. É. 
Ao longo deste texto fomos revelando o poema “Pelo sonho é que vamos”, de Sebastião Gama. O preferido de Sara Lourenço.  

Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.
Chegamos? Não chegamos?
– Partimos. Vamos. Somos.

O segredo está em nunca deixar de sonhar…
 


Luci Pais

quinta-feira, 10 de março de 2016

Sénior com saúde e fisicamente ativo? Sim, é possível!

 
 


 

Imagine que tem a possibilidade de tomar um medicamento que lhe traz, efetivamente, mais saúde. Um medicamento que melhora o seu sistema respiratório, a circulação, torna o coração mais saudável, a tensão arterial mais regulada, que controla o excesso de peso (e com isso previne muitos problemas de saúde), que controla a sua glicémia (níveis de açúcar no sangue, diabetes), que melhora o trânsito intestinal, que estimula o sistema que controla as hormonas e o sistema imunitário (que o protege das doenças), que traz ossos mais resistentes, músculos mais fortes, melhor equilíbrio, que aumenta os níveis de autoconfiança, autoestima, que reduz o stress e sintomas depressivos, que melhora as capacidades cognitivas, e que... atrasa o processo de envelhecimento!
Este “medicamento” existe e com a vantagem adicional de ter poucos efeitos adversos, desde que “tomado” de forma moderada. O efeito tornar-se evidente desde o início. O seu único problema é que demora a “tomar”. Trata-se de atividade física. Deve ser “tomado” cerca de duas a três vezes por semana, durante cerca de 45 minutos. A vantagem de uma prática regular de exercício é absolutamente indiscutível entre a comunidade científica, razão pelo qual é tão recomendada.
O nosso corpo foi “feito” para estar em movimento. Grande parte das suas funções precisa de níveis de atividade mais elevados, seguidos de períodos de repouso. Como tudo na vida, é preciso um ritmo.
No processo normal de envelhecimento, ocorre uma degeneração ou perda da função gradual em todos os sistemas corporais. A realização de atividade física regular, ao interferir em todos os nossos sistemas, acaba por ajudar a retardar este processo de envelhecimento.
Para dar vida aos anos, é fundamental fazer exercício, brincar um pouco todos os dias, sorrir, ser feliz.
Sénior com saúde e fisicamente ativo? Sim, é possível! Pode ter oitentas e fazer umas corridinhas, brincar com os netos e bisnetos, fazer trabalhos intelectualmente exigentes e ter uma vida cheia de motivação.
 
Marco Clemente
Fisioterapeuta/Osteopata Physioclem
 
 
 

quarta-feira, 9 de março de 2016

“A Physioclem é uma fonte de energia positiva”



Levantou o braço. Um dos dedos apontou aos céus. O gesto determinado contava o que lhe ia na alma. Alguém partiu. Morreu. Para essa pessoa, Telma Santos canalizava a vitória, o seu amor, numa das fases de grupos, na mais alta competição mundial: os Jogos Olímpicos (2012). A penicheira, que desde criança joga badminton, dedicou o momento à avó Maria, que faleceu um ano antes. A mulher que a também a criou. Os dias de creche foram trocados pelos mimos da mãe do pai.
No mesmo braço que ergueu aos céus, Telma Santos tatuou o significado de um dos momentos mais importantes de sua vida. São cinco os anéis que se entrelaçam, desenhando o símbolo dos Jogos Olímpicos (JO). A avó Maria foi a inesquecível fonte de inspiração.  
A mesma garra que antecedeu os JO de 2012, em Londres, continua presente no dia a dia da atleta de alta competição. A um passo da qualificação para as Olimpíadas Rio 2016, a atleta ainda está a participar em torneios internacionais pontuáveis para a qualificação. Brasil, Jamaica e Nova Zelândia são os países que se seguem. Antes de partir, entrega-se aos cuidados da Physioclem, clínica especialista em fisioterapia desportiva.
Foi com 8 anos que Telma Santos entrou no mundo do badminton. Ao contrário do que normalmente acontece, quando acompanhou o tio a um dos treinos, no Clube Stella Maris, em Peniche, acertou sempre no volante (conhecido, vulgarmente, por pena). “Começou por ser uma brincadeira, mas a verdade é que acabei por me apaixonar pela modalidade”, testemunha. Passados três meses, e com treinos de segunda a sexta-feira, já participava em competições. “O mais incrível é que ganhava todos os torneios, mas quando chegava os campeonatos nacionais perdia”, relembra, entre sorrisos. Aos 14 anos alcançou a primeira vitória e desde esse dia todas as provas nacionais individuais, à exceção de uma, são suas. 
Face aos resultados, o percurso da atleta de alta competição começa a ser cobiçado. O convite mais forte chegou do União Desportivo de Santana, na Madeira. Passado algum tempo, muda para um dos clubes rivais, o Grupo Desportivo do Estreito. Nesta fase, não só jogava campeonatos nacionais de juniores, como de seniores. Já no continente, continuou a dar títulos ao Che Lagoense. Embora representando as cores nacionais, Telma Santos aceita o convite para integrar a Liga Dinamarquesa. Hoje, é pela espanhola que entrega o seu profissionalismo. “Aceitei porque estas ligas têm objetivos totalmente diferentes de Portugal. Lá jogam-se provas de equipas e não apenas individuais”, explica Telma Santos.

O sonho que vive dedica-o ao tio, Fernando Silva, de 43 anos, referência da modalidade em Portugal e no estrangeiro.  “É o meu ídolo, a minha fonte de inspiração. O que tenho conquistado é graças a ele. O facto de querer ser igual ao meu tio, faz-me seguir as suas pisadas”, salienta Telma Santos, enquanto os olhos ganham um brilho especial. Tio e sobrinha são os exponentes da modalidade em Portugal. Também Fernando Silva participou nos Jogos Olímpico, foi campeão europeu de seniores (2014) e recebeu a medalha de bronze, no Campeonato Mundial de Seniores (2015).

Não são apenas os laços de sangue e de paixão pela modalidade que unem tio e sobrinha. Há elemento chave no meio deste percurso, ao qual dedicam horas e horas semanais, anos e anos de vida… Luís Carvalho, de 59 ano, é o homem que Telma Santos também idolatra. O treinador que levou o tio Fernando Silva aos Jogos Olímpicos, em Barcelona (1992). “Passados 20 anos levou-me a mim! É a pessoa mais exigente que tenha a meu lado. Por vezes, é duro, mas faço-lhe ver que consigo e que o respeito. A sua forma de ser tornou-me mais forte física e psicologicamente”.
Livre-se quem pensa que Telma Santos foi maria rapaz. Pelo contrário, sempre gostou de brincar com bonecas e com meninas. No entanto, sempre foi apaixonada pelo mundo do desporto e, embora, gostasse de jogos coletivos, foi no badminton que se encontrou. Também o facto de ter cinco tios, irmãos da mãe, a levaram a estar mais próxima da atividade física.
Os pais não têm por hábito assistir aos seus jogos. A mãe fica muito nervosa. Já o pai nunca foi muito ligado à modalidade. “Por vezes, não manifesta muito agrado, mas a verdade é que quando recebe visitas mostra as taças que ganhei e guarda todos os recortes de jornais e revistas em que entro”, refere Telma Santos.
Neste momento, é diretora técnica num ginásio nas Caldas da Rainha. “A minha disponibilidade para treinar é menor, por isso faço sacrifícios noutros horários. A verdade é que tenho uma equipa e entidade patronal fantásticas, que me dão liberdade para continuar a sonhar”, salienta a atleta de alta competição.
Telma Santos continua a sonhar e a voar. Neste momento, a prioridade são as Olimpíadas Rio 2016. Se conseguir lá chegar, vai dedicar o feito ao avô Manuel, pai da mãe, que também já partiu.
Casar e ter filhos continuam a fazer parte dos seus planos, “mas tudo acontecerá a seu tempo e sem pressas”. As horas que dedica ao badminton roubaram-lhe tempo às amizades: “Não tenho muitos amigos, mas os que tenho estão sempre lá”.
Após os Jogos Olímpicos, pretende terminar a carreira de alta competição. Já o badminton continuará a nortear o seu caminho e a forma de estar na vida. A ambição de ser treinadora e de pôr a modalidade no top são metas de vida.
Na Physioclem, parceira oficial da Federação Portuguesa de Badminton, entrega parte do seu bem estar, físico e psicológico. Uma lesão, há uns anos, num joelho levou-a aos cuidados dos fisioterapeutas da casa. Sobre a equipa de trabalho garante não ter “palavras suficientes para agradecer” tudo o que têm feito por si. “A Physioclem é uma fonte de energia positiva. Os tratamentos são o meu único momento para relaxar a mente”, garante a campeã nacional de badmington.
Recentemente, venceu um torneio em Uganda. “Se ganhei foi muito graças ao Marco Clemente. As mensagens que enviava deram-me ânimo. Consegue ver sempre um lado positivo em tudo”, testemunha Telma Santos.
No jogo da vida, também perdemos e ganhamos. Desistir é que nunca…




Luci Pais

quarta-feira, 2 de março de 2016

"Physioclem cuida do corpo e da alma”







São profundos e cheios de vida. São, assim, os olhos azuis de Celeste Silvestre. 90 anos? Ninguém diria… Foi com o filho que se deslocou às instalações da physioclem, em Alcobaça, na tarde fria e chuvosa de sexta-feira (dia 26 de fevereiro). Para casa, regressou com as mãos no volante do seu comercial. Não é por acaso, se é que os há, que tem um carro de mala grande: “É para ali que as minhas cadelinhas sobem quando vamos passear”. Sim, Celeste Silvestre não é mulher de ficar em casa, gosta de percorrer a região. Leiria e Caldas da Rainha são outras das cidades que gosta de visitar com frequência.


“Joelhos! Esses malandros, não fossem as dores… Felizmente, desde o dia em que entrei na physioclem a minha qualidade de vida melhorou. Já tinha muita dificuldade em andar”, relembra Celeste Silvestre. Na clínica de fisioterapia, encontrou muito mais do que uma equipa disposta a ajudar, encontrou uma família. “Desde o senhor Carlos à entrada, passando pelo Marco e pela Vânia Santos, são um encanto. Aqui cuidam do corpo e da alma”, testemunha.

Até aos 80 anos, Celeste “não tinha nada de nada”. Também os pais passaram pelas mesmas dores. “Herança”, diz, entre sorrisos. O médico deu-lhe como solução a operação. Não aceitou. “Enquanto cá andar, prefiro ter qualidade de vida. Não vi na cirurgia a solução para as minhas dores e bem-estar”. 

Dos 0 aos 90 anos, há uma grande vida pelo meio. Vida que se traduz em histórias. Nasceu em Alcobaça, no dia 29 de outubro de 1925, por vontade dos pais, mas até aos 44 anos, Lisboa foi a sua casa. Terminado o curso no Ateneu Comercial de Lisboa, Celeste foi trabalhar na empresa do pai, como ajudante do guarda-livros. “Aos 16 anos geria as contas. Depositava e levantava dinheiro e pagava os trabalhadores. Sempre fui uma mulher despachada e sem medo”, relembra. 

Além do que se exigia a uma menina naqueles tempos, saber bordar e fazer renda, Celeste tinha uma paixão que “consumia” até de madrugada. Não resistia a um bom livro. As salas de cinema da Capital também não lhe escapavam. 

Casou aos 21 anos, com Raul Nunes, conhecido como ‘Espanhol’. Filhos não faziam parte dos seus planos. “Sempre senti que o mundo não era fácil. Sou muito alegre, mas pessimista em relação ao futuro”, desabafa. A verdade é que, por insistência do marido, acabou por ter um filho, Joaquim Nunes. O dia-a-dia da grande cidade, e o facto de querer cuidar do filho, trazem-na para Alcobaça, não antes de comprar uma máquina de tricotar. “Lisboa já não era a cidade onde tinha crescido e vivido. Já não havia sossego”, relembra.
Alcobaça, terra de seus pais, foi o local que escolheu para criar o filho, enquanto o marido permaneceu em Lisboa, até atingir a idade da reforma. Também o filho acabou por tirar o curso Comercial, em terras de Cister. Durante algum tempo Celeste Silvestre optou por ficar em casa, mas cedo se apercebeu que tinha de se ocupar.
Uma loja de artigos de bebé foi a ideia que pôs em prática, embora fosse um mundo desconhecido. Passei da venda de barris e de uma máquina de tricotar para artigos de bebés… Ainda hoje, quando passo na rua, me falam das peças de vestuário com que vesti muitas crianças”, salienta Celeste. Bazar Luso-Espanhol era o nome da loja, na Rua Dr.º Brilhante, mas era por ‘Passarinha’ que era conhecido o espaço. Isto dada a alcunha de ‘Passarinho’ do pai. Aos 65 anos, trespassou o negócio e passado pouco tempo é convidada a gerir outro espaço comercial, na mesma rua. “Queriam que fosse uma loja de artigos para crianças, mas sugeri que fosse de roupa para gente forte. Foi um sucesso! Não havia nada de igual pela região”, comenta Celeste, também conhecida como ‘Passarinha’, na comunidade.
Entretanto, o marido adoeceu, acabando por falecer. Celeste deixa de trabalhar.
Na sua casa, através da Internet, viaja pelo país e pelo mundo: “Tanto estou em Portugal, como passados uns minutos estou em Espanha ou em França. O Facebook é também uma grande companhia”, comenta a senhora de 90 anos, que anda por casa sempre maquilhada e bem vestida. “Quando me ligam ou tenho de sair, só tenho de tirar o chinelou ou a pantufa. Estou sempre pronta. Arranjo-me para mim, nunca para os outros”.
Com a physioclem melhorou a qualidade de vida e não dispensa as consultas semanais. “São seres humanos excecionais. Admiro a forma de estar do Marco e como fala com os filhos. Sente-se uma paz tão grande naquele espaço, que nem há palavras que expliquem”, afirma Celeste Silvestre. 
Também Celeste Silvestre dá os parabéns à physioclem pelos seus 14 anos. “Só posso desejar a continuação de muito êxito, porque no topo já eles estão. Desejo que o Marco concretize tudo quanto ambiciona, bem como a restante equipa”.
Quando percorremos 90 anos de vida em pouco mais de uma hora, há uma felicidade que nos acompanha. Palavras sábias, numa vida que se faz de experiências. 


 

Luci Pais