quarta-feira, 27 de julho de 2016

Cátia Santos é uma mulher sensível que gosta de cuidar






Nascida e crescida na Margem Sul. E com orgulho. É esta a postura que dita a determinação de Cátia Santos. Mais um rosto physioclem, que veste a farda desta clínica há alguns meses. A fisioterapeuta, de Almada, é também uma criadora. Tem projetos que ainda hoje são um sucesso, mas já lá vamos.

Da margem sul, confessa, herdou o “espírito de desenrasque”. Garante que nada tem contra os lisboetas, até porque é apenas um rio que separa as duas margens. “Tudo o que alcancei, devo ao que sou, onde cresci e fui feliz. Sempre que tenho de me definir tenho de relembrar de onde vim. Foi isto que me fez ir à luta”, testemunha a fisioterapeuta.

Cresceu perto de bairros problemáticos. Viu de tudo, mas nunca sentiu nem viveu qualquer problema na pele, embora pessoas amigas tenham passado por algumas situações delicadas. “Há muita gente à margem, mães solteiras, miúdos a meterem-se onde não devem… Por isso, é importante agir, mas não amanhã é hoje”, afirma.
A adolescência já a passou numa zona mais nobre de Almada. “Sou uma pessoa que me dou bem com toda a gente, adapto-me facilmente e respeito todas as origens. Há muito boas pessoas vítimas de falta de respostas”.
Depois de terminar o 12º ano, decide cumprir um ano sabático, com o objetivo de melhorar a média final para entrar na universidade. Trabalhava de dia, estudava à noite. Ocupava o dia a trabalhar, percorreu desde lojas a restaurantes. Passados os 365 dias, entra na Escola Superior de Saúde, do Instituto Politécnico de Setúbal. “Foram dos melhores anos da minha vida. Criei uma família de amigos. Ainda hoje são parte do meu pilar”.
Enquanto frequenta o 4.º ano, dedica-se a encontrar o primeiro trabalho, tendo em conta que já tinha o bacharelato concluído. Consegue um estágio profissional. Aqui, tem a oportunidade de criar um dos projetos que mais guarda no coração: o Serviço de Apoio Domiciliário, da Liga de Amigos do Hospital Garcia da Horta. Um trabalho que ainda hoje continua e muito a orgulha. “Podia ter ficado por ali, mas queria mais. Tinha muito mais para dar e para criar”.
Foi no Parque das Nações, em Lisboa, num espaço de saúde que inicia o contacto com o pilates clínico e a osteopatia. Nascem, assim, duas novas paixões. “Apesar de gostar do trabalho, queria entrar numa área mais comunitária, mais social. Sentir que podia ajudar e fazer a diferença”. Foram estes os pensamentos que a levaram a desenvolver um novo projeto, mas desta vez para a Cruz Vermelha, no Cadaval. Abre, com o auxílio desta importante instituição, uma clínica social. “Naquele momento fiz de tudo. Pintei móveis, trabalhei para o banco alimentar, fiz de Mãe Natal, dei tratamentos de fisioterapia…”
O desassossego que sente na sua alma, levam-na a querer mais e mais. É, nesse momento, que decide abrir uma clínica. Deu-lhe o nome de Fisiopilates. Durante quatro anos trabalhou sozinha, no Cadaval. “Começa a sentir que precisava de uma equipa para crescer. A minha experiência e trabalho estavam feitos. Precisava de muito mais”.
Engravida e acaba por fechar o seu espaço. Quis viver a gravidez, enquanto procurava uma equipa para sentir-se segura e continuar a aprender.
Nasce o maior amor da sua vida, a 30 de outubro de 2015. O filho Rodrigo. O menino que preenche o seu coração e a faz sonhar ainda mais. No dia seguinte ao nascimento, Cátia Santos recebe a chamada de uma amigo que lhe falava da possibilidade de entrar para a physioclem.
Em janeiro já estava a trabalhar na physioclem de Torres Vedras. “Foi uma das melhores oportunidades da minha vida. O que eu precisava para continuar a acreditar, evoluir e estabilizar. Surgiu no momento certo”.
“A physioclem dá-me e ensina-me tudo o que preciso. Sinto-me em casa, rodeada dos melhores. O Marco é uma pessoa especial, que me ajudou mais do que alguma vez posso pensar. Escolheu-me porque tenho o perfil de cuidadora. Quero ajudar esta casa a criar raízes”, testemunha a fisioterapeuta da Margem Sul. Neste momento, frequenta o 2.º ano do curso de Osteopatia.
O bebé Rodrigo é o seu príncipe. As palavras começam a fugir. Emociona-se. Ficámos em silêncio. “É a minha força. Por ele, fiz todas as mudanças que eram necessárias. É a causa e consequência da mudança”. Além deste menino, tem os pais por perto que lhe dão a tão desejada segurança. “Tenho uma família que me apoia, amigos e colegas que são família. É este apoio incondicional que me dá garantias de que é possível”.
Projetos? Tem vários. “O desassossego de criar está em mim. Gosto de ver as coisas crescerem. Quero fazer parcerias através da physioclem e terminar o curso de Osteopatia. Em termos pessoais, quero encontrar-me interiormente para que sobressaia no exterior”
Apesar de toda a determinação e garra, Cátia Santos é uma mulher sensível. Uma mulher que chora com facilidade. Uma mulher que sabe que, apesar das dificuldades da vida, o caminho faz-se caminhando, quer seja entre sorrisos ou lágrimas.
Luci Pais

quarta-feira, 20 de julho de 2016

“Os fisioterapeutas da physioclem são todos uns queridos e amigos”





Há heróis sem capa, sem asas… Há heróis de grandes sorrisos, daqueles que trazemos para casa e que relembramos com frequência. Foi uma conversa a três. Nem sempre o diálogo fluiu, mas a mãe deste meu herói, de apenas 8 anos, esteve sempre por perto. 
Os fisioterapeutas da Physioclem tornaram-se também os melhores amigos do menino Martim Pereira. Uma relação que nasceu há um ano.
Todos nós temos e partilhamos sonhos, o do nosso Martim é conhecer Cristiano Ronaldo. É o seu ídolo. Será que alguém pode ajudar a concretizar?

Janeiro de 2015
A família saia de casa, do concelho das Caldas da Rainha, em direção à Covilhã. A neve era a razão deste passeio até norte do país. No interior do carro, o entusiasmo estava ao rubro. Avós paternos e pais, acompanhavam o pequeno herói nesta viagem. Seria a primeira vez que iria ver e tocar na neve.
Martim não chegou a brincar, nem a tocar na neve. Um acidente de viação mudou o rumo de cada um deles. A avó acabou por morrer; o menino teve um traumatismo craniano; a mãe, que estava grávida, acabou por perder o bebé o pai e o avô também sofreram algumas mazelas… “Uma viagem para esquecer. Tudo o que tínhamos projetado acabou por não acontecer”, diz Sandra Pereira, que esteve nos cuidados intensivos durante algumas semanas: “foram momentos de grande dor, porque não podia estar perto do meu filho que estava internado em Coimbra”. Começou no hospital da Covilhã, passou por Santa Maria (Lisboa) e terminou nas Caldas. Foram dois meses sem ver o filho, pelas multifraturas que sofreu.
O quadro do Martim era preocupante. Perdeu a memória. Deixou de andar e de falar. Esteve em coma induzido durante duas semanas. O Hospital Pediátrico de Coimbra foi a sua casa durante cinco meses. As enfermeiras Susie e Cátia são as que recorda com mais saudade. Também fez amizade com a menina Constança, de 3 anos. Inesquecíveis são também a fisioterapeuta Marta e as terapeutas ocupacionais Paula e Cristina.

Junho de 2016
A mãe define o Martim como um menino bem-disposto. “Não tem vergonha nenhuma e tem um grande sentido de humor”. E entra em campo o pequeno: “Os fisioterapeutas da physioclem são todos uns queridos e amigos, menos o Rodrigo que é do Sporting”. Solta uma gargalhada. E nós também.
Traço um plano com o Martim. Vamos aproveitar os martelinhos de plástico dos santos populares para dar uma martelada ao fisioterapeuta Rodrigo. Quando acordar, será benfiquista. Ri-se e aceita o desafio. Vamos ter que esperar pelos festejos do próximo ano… Não houve martelada!
Já para a fisioterapeuta Rita, que o acompanha desde junho do ano passado, só tem palavras carinhosas: “É uma fofinha. Às vezes não me apetece fazer nada, mas depois acabo por fazer o que me pede”. Conta a mãe que, por vezes, só faz os exercícios e alongamentos quando a Rita lhe garante que no fim à jogo de futebol.
Futebol? Os olhos do Martim iluminam-se! É a sua grande paixão. Quer ser jogador de futebol. O Benfica é o seu clube do coração. Gaitan, Mitroglou e Jonas são alguns dos jogadores que enumera.
O menino Martim e o senhor Félix já são bem conhecidos na physioclem. São os pacientes mais preguiçosos da clínica. “É o mais fixe, porque é preguiçoso como eu”. Solta outra gargalhada. E nós também.
Martim gostava de um dia jogar no Real Madrid ou em Barcelona. Da mãe saem as palavras: “E eu vou contigo. Vou acompanhar-te sempre. Sou uma galinha e muita chata”.
Jogar futebol sempre foi a sua grande paixão. As limitações físicas afastaram-no dos campos, nomeadamente da Escola Académica das Caldas da Rainha, mas não da vontade de querer voltar. Mesmo na cadeira de rodas, fazia questão de estar ativo. Em setembro, regressa àqueles relvados. 
Além do futebol e da fisioterapia, faz terapias ocupacional e da fala. “O Marco Rodrigues e a Vânia Figueiredo também têm sido fundamentais para a recuperação do Martim. Ele adora-os de coração”, refere a mãe. Acrescenta-se ainda hidroterapia. 
A vida de Sandra transformou-se. Já não trabalha a tempo inteiro. “Os meus patrões são fantásticos. Sempre me apoiaram”. A maioria das tardes é passada na physioclem. Inicialmente, os tratamentos aconteciam todos os dias, atualmente decorrem três vezes por semana. “A physioclem é uma das grandes responsáveis pela evolução do meu filho”.
O nosso herói fala com ternura dos primos, Lourenço e João. Nesse momento, a mãe emociona-se. “Têm sido fundamentais na recuperação do meu menino. São incansáveis…” As palavras são trocadas por sorrisos, porque o Martim está apaixonado pela Leonor, a sua namorada. Faz corações com as mãos. Com o pai, passa longos momentos a jogar. 

Palavra de fisioterapeuta
A fisioterapeuta Rita Marques recebeu o Martim em julho de 2015. As lesões que sofreu no cérebro provocaram alterações cognitivas e comportamentais. 
“É um dos nossos pacientes de reabilitação neurológica. Faz treinos de marcha, alongamentos globais, exercícios de equilíbrio, de correção postura e de motricidade. Além disso, trabalhamos o fortalecimento muscular global, através de diferentes e planeadas tarefas”. 
Rita relembra o dia em que o Martim entrou nas instalações da physioclem em Caldas da Rainha: “está totalmente diferente. As conquistas são mais do que muitas. Vamos continuar a trabalhar para que recupere a máxima normalidade do dia-a-dia”.
Com o nosso pequeno herói aprendemos que mesmo em momentos de dor, há sempre motivos para uma boa gargalhada. Os heróis vestem-se de todas as idades e os exemplos chegam, especialmente, de pessoas que acreditam…
Luci Pais


quinta-feira, 14 de julho de 2016

“Se todos os fisioterapeutas tivessem a oportunidade de passar pela physioclem, teriam ainda mais amor pelo seu trabalho”








Vamos viajar até à Terceira, nos Açores. Rodrigo Santos vai levar-nos pela mão a conhecer a beleza desta ilha portuguesa. De qualquer ângulo, é o mar quem fala mais alto. De verde veste-se a terra. Lá em baixo as ondas, permanecem calmas ou agitadas, mediante as marés e as condições meteorológicas.
Foi de martelo na mão, mas de lançamento, que o fisioterapeuta da physioclem passou várias horas do seu dia. Era o lançador de martelo mais conhecido das ilhas. O seu mérito e dedicação levaram-no a ser campeão nacional dos escalões jovens. Ainda hoje está ligado ao clube Grecas, de Aveiro. Face ao trabalho, os treinos são praticamente inexistentes.
Talvez influenciado pela mãe, que ainda hoje é atleta, quis tirar um curso relacionado com Desporto. Uma lesão impediu-o de fazer os pré-requisitos. Como era seguido por fisioterapeutas, fez-se luz. E porque não ser fisioterapeuta! A decisão estava tomada.
Como tinha o estatuto de alta competição entrou na escola que ambicionava. Foi a Escola Superior de Tecnologia de Saúde de Lisboa que o recebeu. “Apesar de vir ao Continente com frequência em férias ou em competição, nunca tinha estado por tanto tempo. Foi mais fácil porque vivi sempre com colegas da Terceira. O sotaque, ainda que esteja mais disfarçado, reaparece quando contacto com a minha gente”, relembra.
Apenas havia uma condição: da sua casa teria de ver o mar… Neste caso, foi mais o Rio Tejo. Um gosto para todos aqueles que vivem rodeados pelo mar. “Lisboa só tem esse defeito, não ter mar. Temos de andar alguns quilómetros para o ver”. Hoje, vive nas Caldas da Rainha, mais perto do mar. É em Foz do Arelho que encontra alguns dos momentos que precisa para descansar, acompanhado de outro amor da sua vida, a fisioterapeuta e colega Rita Marques.
Terceira
Vamos dar um pulinho, novamente à Terceira. “A minha ilha tem a fama de ser um parque de diversões. Estamos sempre em festa. Como também em Lisboa estava rodeado de terceirenses não foi difícil a adaptação”.
Com festa e desporto, e muita brincadeira, fazia-se o dia a dia de Rodrigo Santos na ilha. Fugir do desporto não seria tarefa fácil, não só porque os pais, Paula Costa e João Santos, eram atletas, mas também porque a mãe era a sua treinadora.
Há um amor que ainda hoje o rodeia. O da avó materna. A sua segunda mãe. É com a família materna que tem mais contacto, nomeadamente com tios e primos, porque a do pai estão na ilha de São Miguel.
A avó Beatriz faleceu há cinco anos. Foi no primeiro ano de universidade que descobriram que avó tinha um tumor no pâncreas. Ao ver a avó tão amarela, pediu-lhe que fosse ao médico. Acompanhou-a. Seguem-se anos e meses de tratamento. Num sábado de manhã, recebe uma chamada da mãe, que lhe dava conta do estado débil da avó. Compra a passagem até aos Açores. “Ainda passei a noite com ela. Depois partiu. Ela está sempre comigo. Muito do que faço aprendi com avó Beatriz”.
A alegria que se vive na sua ilha, explica-a facilmente: “o facto de estarmos num meio mais fechado e pequeno, obriga-nos a arranjar forma de nos distrairmos”. A tourada à corda, as Festas do Espírito Santo, que decorrem entre maio e outubro e o Carnaval e a comida açoriana são alguns dos exemplos que o fisioterapeuta aponta. “São muitas as vezes que dou por mim a partilhar histórias da minha ilha aos pacientes. É um povo especial…”, garante.
É em Angra do Heroísmo que continua o seu porto de abrigo. Foi ali que cresceu e aprendeu a nadar. Foi ali que muitas vezes respirou fundo para continuar. Tem saudades. Muitas. Cada uma das suas palavras testemunha o encanto que sente pela sua terra Natal.
Cresceu junto de três primas. Todas as brincadeiras eram pensadas e vividas em conjunto. “Ainda há dias conversava com a minha prima mais maria rapaz sobre as aventuras pelas quais passámos. Tinha uma estrutura familiar excelente. Nunca me faltou nada”.
Começou numa escola pública, o primeiro ano, depois passou para um colégio de freiras, o qual frequentou até ao 6º ano. Do 7º ao 12.º ano, regressa ao público. Segue-se a faculdade, em Lisboa. Em 2012, termina o curso de fisioterapia. Neste momento, está a terminar o curso de Osteopatia.
Continente
Terminado o curso vai de férias até à Terceira, mas já com projetos no Continente. Começa a dar treinos de atletismo na Academia do Sporting. Em simultâneo, num gabinete, fazia tratamento de fisioterapia. Também passou por outra clínica.
A partir de um convite de um amigo, na época de 2013/2014, entra no Caldas Rugby Clube. Terminou, recentemente, o contrato. Face a uma lesão do treinador do Caldas,  que Rodrigo não estava a conseguir resolver, aconselha-o a frequentar a physioclem. Uma conversa, a amizade/relação com Rita, que na ocasião estagiava em Alcobaça, trouxeram o açoreano até àquela clínica. Inicialmente, fez férias, agora está a tempo inteiro. “Se todos os fisioterapeutas tivessem a oportunidade de passar pela physioclem, teriam ainda mais amor pelo seu trabalho. Aqui sou feliz, porque trato as pessoas com calma. Deveria ser assim em todo o lado. Há uma relação de amizade e de partilha entre fisioterapeutas e pacientes”.
A amiga Joana Vieira, colega de faculdade e fisioterapeuta na physioclem Leiria avisou-o: “Aquela clínica é mesmo o teu estilo”. E não errou!
Açores? Quem sabe um dia. Vive o agora. E o agora chama-se physioclem. Deporto é outras das suas paixões, bem como o mar.
A boa disposição de Rodrigo Santos é contagiante. Os pacientes entram nas suas brincadeiras. Os corredores da physioclem, em Caldas da Ranha, são mais felizes porque contam com a presença deste açoreano, que espalha sorrisos genuínos. “É fácil estar feliz. Se acordo de manhã e não me dói nada e as pessoas à minha volta estão bem, é sempre um bom dia!”, testemunha. Um feliz dia também para si!

Luci Pais










sexta-feira, 8 de julho de 2016

“Como tenho termo de comparação, posso dizer que são dos melhores fisioterapeutas que conheço”







É com os pés cheios de areia que ouço Maria Assunção Sequeira. Os apontamentos vão fluindo enquanto converso com uma mulher apaixonada pelo desporto. O ambiente não poderia ser mais propício: o campeonato Europeu de Andebol de Praia Sub-16, que a physioclem está a apoiar até domingo, dia 10 de julho. A Nazaré foi o nosso palco. 
Começou aos 4 anos. Pelo menos, é a idade que se lembra. Talvez ainda tenha sido antes. O pai, Fernando Magro, é, certamente, o principal e único responsável por esta opção e forma de estar de vida. Uma paixão que também “contagiou” os restantes irmãos. “Aos fins de semana, lá íamos com ele praticar exercício. Dizia-nos com frequência: Podem fazer o que quiserem, desde que o desporto esteja incluído”. Assim, aconteceu.
Depois de praticar e de experimentar as mais variadas atividades - desde atletismo, ginástica, ténis e futebol -, Maria Assunção encontra no andebol uma das principais razões de estar na vida. Foi uma entorse na ginástica desportiva que a encaminharam para esta modalidade, que também os irmãos acabam por seguir.
Aos 12 anos entra no mundo do andebol e aos 17 já pertencia à Seleção A. Naquele tempo ainda não existia estatuto de alta competição. Participou em quatro campeonatos mundiais, enquanto estudava. “Por vezes, chegava a faltar um mês inteiro às aulas, mas nunca deixei nada para trás, mesmo nos momentos mais difíceis”, relembra.
Quando termina o secundário, entra na Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, onde se licencia em professora de Educação Física. O estágio é feito na Escola Secundária Quinta do Marquês, em Oeiras. Durante o tempo de estudante, nunca abandona o andebol.
A sua qualidade começa a dar nas vistas e aos 23 anos é convidada a integrar a equipa do Académico do Funchal. Mas antes desta contratação, as lesões começam a ser constantes, nomeadamente num dos joelhos. Em seis meses consegue recuperar com a ajuda da fisioterapia. José Luís Rocha, numa primeira fase, e Henrique Relvas, fisioterapeutas de Paço de Arcos, são os responsáveis pelo feito. 
As lesões parecem não dar tréguas. Surgem hérnias discais e acaba por terminar prematuramente, aos 24 anos, a carreira de atleta de andebol. “Foi dos piores momentos da minha vida. Vivia para aquilo. Ainda hoje sinto que não consegui recuperar”.
Quando se muda para Caldas da Rainha, há 11 anos, é aconselhada pelo fisioterapeuta Henrique Relvas a frequentar a physioclem. Conhece Marco Clemente e fica rendida ao seu trabalho. “É com frequência que recebe tratamentos, não só para tratar antigas lesões, como outras que vão aparecendo, nomeadamente acidentes de trabalho”, testemunha. A professora de Educação Física tem sentido na pele outros momentos caricatos, que vão desde boladas que provocam traumatismos cranianos e nariz partido, entorses… “São uma equipa fantástica, como tenho termo de comparação, posso dizer que são dos melhores fisioterapeutas que conheço. Há acompanhamento e sente-se a atuação na lesão”, reforça.
Relativamente, ao Europeu de Andebol de Praia Sub-16, Maria Assunção refere que mais autarquias com praia deveriam apostar em campeonatos deste género. "São uma mais valia para Portugal e para o incentivo da prática desportiva".
E porque o bichinho do andebol está sempre presente, Maria Assunção e o marido, Pedro Sequeira (vice-presidente da Federação Portuguesa de Andebol) abriram uma escolinha da modalidade no ACR Nadadouro, em Caldas da Rainha.
Há 20 anos que deixou o andebol, mas Xuxas (alcunha de Maria Assunção) é o nome que jamais será esquecido por todos aqueles que a viram jogar. “Houve um momento em que o desporto era tudo, mas perdemos muita coisa quando se joga ao mais alto nível. Deve fazer-se um pouco de tudo, porque há momentos que não regressam”.
Luci Pais

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Para que servem os exercícios com elásticos?







Frequentemente, observamos jogadores de andebol a realizar exercícios de rotação externa do ombro com elásticos. Sabe para que servem os exercícios com elásticos? Vamos deixar-lhe algumas dicas para melhorar a execução dos movimentos.
O movimento de remate/passe a cima do nível do ombro é exigente, exigindo extrema coordenação motora, força e flexibilidade. Para que tudo isto seja possível, é necessário que o ombro esteja estável para não provocar lesões.
O conceito de estabilidade articular define-se como a capacidade de o corpo controlar a amplitude de movimento, mantendo o correto alinhamento segmentar através de sistemas especializados. Esta é controlada por músculos locais que pré-ativam, protegendo a articulação ao produzir uma relação adequada entre os segmentos. O grupo de músculos responsável pela estabilidade do ombro é chamado de coifa dos rotadores, que produz forças de rotação interna e externa, além de aumentar a congruência articular. A esta zona, em que existe um alinhamento segmentar correto, pode chamar-se de “zona neutra”. Se a articulação se mantiver na “zona neutra”, durante toda a amplitude de movimento, garantimos que o ombro não irá provocar stress em diferentes estruturas anatómicas.
Os movimentos repetidos de remate provocam um aumento da tensão muscular em toda a cadeia rotatória interna do braço, tronco e membros inferiores. Este aumento de força provoca o enrolamento anterior do ombro e tilt anterior da escápula,  promovendo um desvio da zona neutra. De modo a manter a capacidade do ombro, deverá realizar-se um trabalho de ativação muscular de toda a cadeia de rotação externa, elevação e abdução (movimento contrário).
O movimento de remate/passe, envolve todo o corpo, portanto é incompleto realizar os exercícios com ênfase apenas nesta articulação. Por forma a potenciar este trabalho, deve ser ativada toda a cadeia muscular.

Exemplo 1: Exercício clássico para os rotadores externos




Exemplo 2: Proposta de exercícios para ativar toda a cadeia

   



   


    


Luís Ramos,
Fisioterapeuta e Osteopata
Créditos: “New ground Fitness”


terça-feira, 5 de julho de 2016

Dicas para atletas de andebol

   





Sabia que o momento de força produzido pelo membro inferior de apoio é mais importante que a força produzida pelo membro superior na ação do remate?


O modelo biomecânico de um remate é um movimento de cadeia cinética aberta, que envolve vários segmentos do corpo que são ativados sequencialmente desde o pé até ao ombro. O corpo necessita de uma boa estabilização desde a sua base (tronco e membros inferiores) para que a função no ombro seja optimizada. Uma alteração do movimento nas diferentes estruturas da cadeia muscular poderá ser suficiente para provocar alterações a nível do ombro e vice-versa.
Por estas razões, os exercícios de fortalecimento, propriocepção e estabilização do membro inferior de apoio e tronco devem integrar o treino de Andebol.

Exemplo 1: Estabilidade da coxo-femoral e Tibio-társica







Exemplo 2 : Estabilidade da coxo-femoral e rotatória do tronco






Exemplo 3 : Fortalecimento extensores da coxo-femoral e lombar






Luís Ramos,
Fisioterapeuta e Osteopata
Créditos: “New ground Fitness”

sexta-feira, 1 de julho de 2016

O paradoxo do ombro no atleta de Andebol






O movimento de remate em Andebol é uma ação que requer bastante técnica realizado a alta velocidade, conjugando força muscular, flexibilidade e coordenação. Todas estas capacidades sincronizadas no momento certo, obrigam a um grande controlo neuromuscular. Este movimento repetido inúmeras vezes é umas das principais causas de lesão do ombro em atletas com o movimento acima da cabeça. 
As forças geradas no ombro no momento de aceleração do remate podem atingir até metade do peso do atleta. No momento de desaceleração, as forças geradas igualam o peso do atleta. Esta ação pressupõe uma grande capacidade de ativação muscular. Surge assim o paradoxo: o ombro deve ser flexível o suficiente para rematar, mas estável de modo a prevenir lesões. 
As lesões podem ser causadas por falta de flexibilidade dos tecidos, por desalinhamento do eixo de movimento da articulação ou por diminuição/alteração da performance muscular. Todas estas componentes podem e devem ser trabalhadas desde muito cedo de modo a prevenir os danos tecidulares. O gesto técnico tem de ser trabalho rigorosamente numa fase de iniciação do andebol, assim como as boas práticas de exercícios de flexibilidade, estabilidade e força muscular (quando a idade assim o permite). Quando existe um desequilíbrio nestas componentes, gera-se um movimento errado e consequentemente uma dispersão errada de forças sobre o complexo articular do ombro podendo por em stress as várias estruturas anatómicas. O treinador, o preparador físico e o fisioterapeuta assumem um papel fundamental na prevenção de lesões. Estes devem ter um conhecimento profundo da biomecânica articular para detetar alterações precocemente a fim de corrigir antes de haver lesão. 
As principais patologias do ombro são as tendinopatias e bursites da coifa dos rotadores, o conflito sub-acromial, roturas musculares, lesão de impingment interno e lesão do labrum. Todas se apresentam com dor no ombro, juntamente com limitação da amplitude de movimento e/ou incapacidade na ação de remate. 
Em casos de dor/disfunção o atleta deve ser acompanhado pelo fisioterapeuta. A recuperação consiste em devolver a mobilidade/flexibilidade total assim como restaurar a coordenação muscular e aumentar a força e potência de remate de modo progressivo e seguro. 

Fique atento às nossas dicas, durante a próxima semana, para manter um ombro saudável e sem dor. Em caso de dúvidas, não hesite em contactar-nos!  

Luís Ramos, 
Fisioterapeuta e Osteopata 
*créditos: This is Team